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Tondela e Caen protagonizaram fugas espetaculares do rebaixamento na rodada final

A salvação mais emblemática do final de semana aconteceu na Alemanha. De maneira dramática, o Hamburgo evitou outra participação nos playoffs contra o rebaixamento, ao buscar a virada sobre o Wolfsburg aos 43 do segundo tempo. O relógio não parou e sobrou até para as traves do Volksparkstadion, arrancadas durante a ensandecida invasão de campo ao apito final. Os Dinossauros, entretanto, não foram os únicos a se safarem da segundona de maneira épica. Em Portugal e na França, o alívio de Tondela e Caen também carrega uma quantidade imensa de emoção.

VEJA TAMBÉM: Relógio intacto: gol no final, virada e Hamburgo se salva do rebaixamento mais uma vez

Na Ligue 1, a definição de todas as posições no descenso permanecia em aberto. Na lanterna, o Nancy era o mais próximo da condenação e realmente não se salvou, assim como o Bastia. Já a missão do Caen se sugeria a mais difícil de todas. Por mais que os normandos começassem acima do Z-3, precisariam encarar o Paris Saint-Germain em pleno Parc des Princes. E não tiveram moleza, com Adrien Rabiot abrindo o placar aos 13 minutos. Diante do empate do Lorient contra o Bordeaux aos 24 do segundo tempo, o cenário colocava o Caen nos playoffs contra o rebaixamento, ocupando a antepenúltima colocação.

A reviravolta em Paris aconteceu quando as esperanças já se esvaiam. Após cruzamento de Jonathan Delaplace, Ronny Rodelin ganhou a disputa no meio da área e emendou para as redes aos 46 do segundo tempo. O gol da salvação do Caen, que, com um ponto a mais, jogou o Lorient para os playoffs. A situação geral, todavia, ainda pode mudar. O Bastia tenta recorrer da derrota imposta pelos tribunais contra o Lyon, por conta do tumulto causado por sua torcida. Parece improvável que a decisão seja revertida, mas, caso isso aconteça, o Lorient cairia direto e o Caen iria para os playoffs contra o Troyes, terceiro colocado na Ligue 2.

 

Já no Campeonato Português, o milagre outra vez atende o nome de Tondela. Na temporada passada, em sua estreia na primeira divisão nacional, o clube escapara da queda que se prenunciava. Restando oito rodadas para o fim da competição, o time estava a 11 pontos de deixar a zona da degola. Pois venceu cinco e empatou dois de seus últimos oito compromissos, conseguindo respirar. No último dia da liga, fez sua parte ao vencer a Acadêmica de Coimbra e contou com a derrota do União da Madeira.

Desta vez, o Tondela protagonizou uma reação tão improvável quanto. Responsável pela reviravolta em 2015/16, o ex-meio-campista Petit deixou o cargo de técnico em janeiro, substituído pelo novato Pepa. Os auriverdes só tinham passado cinco rodadas fora da zona de rebaixamento e dominaram a lanterna a partir do final do primeiro turno. Faltando seis rodadas para o fim, estavam a apenas quatro pontos de sair do Z-2. Com a diferença que, ao contrário da temporada passada, boa parte dos concorrentes resolveram jogar bola.

Até a penúltima rodada, o Tondela venceu quatro de suas cinco partidas – incluindo aí o Nacional da Madeira, a quem relegou a lanterna. Principais concorrentes, Moreirense e Estoril também subiram de produção, conquistando 10 pontos cada. Quem se tornou um novo alvo foi o Arouca, que tinha nove pontos a mais a seis rodadas do fim, mas só ganhou quatro pontos nas cinco seguintes.

Assim, os auriverdes miravam em Moreirense e Arouca para sobreviver, precisando superar um deles na rodada final. O primeiro somava um ponto a mais e receberia o Porto. Já o segundo, com três pontos a mais que o Tondela, visitaria o já salvo Estoril. A vitória dos auriverdes no duelo com o Arouca na penúltima rodada, inclusive, valeu demais para o contexto. Revertendo o 2 a 1 do primeiro turno e anulando o confronto direto como principal critério de desempate, a próxima opção seria o saldo de gols. No início da rodada, o Arouca possuía leve vantagem, -22 a -25. Apesar disso, o Tondela precisava se agarrar no fio de esperança.

Assim como já tinha feito na Taça da Liga, o Moreirense infligiu mais uma derrota ao Porto, a segunda dos vice-campeões no Campeonato Português, e confirmou a permanência na elite. A briga do Tondela seria mesmo com o Arouca. E enquanto os auriverdes batiam o Braga por 2 a 0, viram seus concorrentes tomarem a virada diante do Estoril. Por fim, o gol que selou o placar por 4 a 2 favoravelmente ao Estoril, aos 31 do segundo tempo, forneceu o milagre. Por um gol a mais no saldo, -23 a -24, o Tondela superava o Arouca na tabela. Caso os dois empatassem, o próximo critério seria o número de vitórias, e nessa hipótese o Arouca permaneceria. A notícia da permanência na elite gerou grande festa no Estádio João Cardoso, com invasão de campo e tudo.

Por fim, há a esperança de uma quarta salvação milagrosa nas grandes ligas europeias. Exceção feita à primeira, o Crotone permaneceu na zona de rebaixamento em todas as rodadas da Serie A. No entanto, até a derrota que assegurou a conquista da Juventus no final de semana, vinha de cinco vitórias e dois empates nos sete compromissos anteriores, tirando uma diferença de sete pontos em relação ao primeiro colocado logo acima do Z-3. Para confirmar a escapada, precisará bater a Lazio e contar com um tropeço do Empoli, um ponto acima, visitando o já rebaixado Palermo. O panorama não é simples, mas talvez os casos de Caen e Tondela ajudem a inspirar.

PS: Menção honrosa à fuga do St. Pauli na segunda divisão da Bundesliga, ainda mais impressionante que a de seus rivais do Hamburgo. Os bucaneiros ganharam seis de seus últimos sete jogos, saindo do 17° lugar (o penúltimo) rumo ao sétimo na tabela.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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