Europa

‘Teje preso’, Chagaev!

Bulat Chagaev achou que sairia praticamente ileso das trapalhadas que fez no comando do Neuchâtel Xamax. Ao pedir a falência do clube na semana passada, é provável que tenha imaginado que nada mais poderia acontecer, a não ser o óbvio ódio eterno dos torcedores da equipe por sua pessoa. Era pegar um avião para a Chechênia e pronto, o que passou, passou.

Mas o que certamente o checheno não esperava era encontrar um promotor linha-dura, capaz de pedir sua prisão e dar novo rumo, agora no contexto policial, às denúncias que o atingem– atraso de salários e tributos trabalhistas, falsificação de documentos e ameaças.

Yves Bertossa é o tal promotor. Ele não só mandou prender Chagaev como também recusou o pedido feito pelo advogado do cartola, de prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica de rastreamento. E ainda ordenou a prisão do vice-presidente do clube, Islam Satuev, acusado de fraude e má conduta financeira, o que – mesmo ocorrendo numa entidade privada como é o caso de um clube de futebol – fere as leis suíças.

Apesar de estar “apenas” cumprindo o seu papel, é admirável a coragem de Bertossa. Afinal, Chagaev não é uma pessoa, digamos, das mais pacíficas e sua estada no presídio Champ-Dollon, em Genebra, é passível de retaliações.

É sempre bom lembrar: Bulat Chagaev é um suposto milionário checheno que não informa de onde vem sua renda e tem ligações muito próximas com o ex-rebelde e atual presidente da Chechênia, Ramzan Kadyrov, que por sua vez é acusado por ONGs de desrespeito aos direitos humanos. Ex-dirigente do Terek Grozny, Chagaev foi listado no ano passado pelo site Sports.ru, da Rússia, como uma das 33 pessoas mais influentes do futebol do país e “a mais enigmática” entre elas.

A prisão do dono do Xamax passou longe de ter cenas cinematográficas. Ela foi ordenada por Yves Bertossa logo depois que o interrogou sobre a falência do clube, que havia sido decretada por um tribunal regional do Cantão de Neuchâtel. Chagaev foi levado para a cadeia numa van sem a logomarca da polícia. Não há (pelo menos por enquanto) registro de imagem do momento e nem se sabe se ele foi algemado. Na imprensa suíça, apesar do caso ganhar amplo destaque, ninguém publicou ainda quais são as condições da cela em que ele está e nem se está sozinho ou isolado.

A Promotoria Pública também não se manifestou ainda, talvez para usar o sigilo como aliado nas investigações. A princípio, o que se sabe é que o principal ponto investigado pelos promotores é uma possível falsificação de documentos que teria sido feita por Chagaev em novembro, quando apresentou à Associação de Futebol Suíço um suposto relatório do Bank of America garantindo haver uma conta dele com dinheiro suficiente para manter o Xamax. Na época, a imprensa do país descobriu que a pessoa que assina o documento não existe na lista de funcionários do banco.

O que se sabe, também, é que agora os jogadores e comissão técnica do Xamax estão livres para procurar emprego, pois não têm mais vínculo com o clube.

Mas o que eles não sabem, é quando receberão o dinheiro que lhes é devido. Na última vez que os atletas encontraram-se com Chagaev, na semana passada, num hotel em Genebra, o clima foi tenso. O checheno fez um discurso afirmando que confiava no julgamento do recurso para o time ser readmitido na Super League (posteriormente, o recurso não foi aceito pela Justiça Desportiva), mas ao mesmo tempo disse que não tinha como pagar os salários. Ele recebeu pressão dos jogadores e retirou-se da sala. Atletas e comissão técnica também foram então até a sede do clube, retiraram seus pertences e se despediram, alguns com lágrimas nos olhos.

A prisão preventiva de Bulat Chagaev vai até 27 de fevereiro. Até lá, as investigações continuam. O que também perdurará, mas por muito mais tempo, é a tristeza dos torcedores do Xamax, que em meses foram do sonho de ver a equipe brigando de igual para igual com os grandes do país à realidade que, agora, não ter mais um time para torcer.

CURTAS

ÁUSTRIA

– O Áustria Viena negociou o atacante Nacer Barazite com o Monaco. Um dos principais nomes da equipe violeta, ele é o artilheiro da equipe na Bundesliga, com oito gols.

– A equipe da capital também perdeu o meio-campista Zlatko Junuzovic, negociado com o Werder Bremen, da Alemanha.

– Por outro lado, os violetas contrataram o atacante Roman Kienast, ex-Sturm Graz. Ele assinou contrato até 2015.

SUÍÇA

– A falência do Xamax afetou até o site do clube. A empresa que gerencia a página emitiu um comunicado afirmando que vai mantê-la no ar até que a situação se resolva. Ela informou também que as atualizações só serão feitas se alguém se prontificar a colaborar. Os e-mails com a extensão “xamax.ch”, porém, estão todos bloqueados.

– O Sion anunciou um pacote de contratações para a temporada de verão. Chegaram os meio-campistas Vullnet Basha e Sébastien Wüthrich (ambos ex-Xamax) e Xavier Margairaz (ex-Zürich) e o defensor montenegrino Milos Bacrac.

– O clube, que jogará a segunda metade do campeonato tentando fugir do play-off do rebaixamento, também contratou o zagueiro brasileiro Aislan, ex-Guarani de Campinas.

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