Europa

Suíça paga o preço da renovação

Não disputar a Eurocopa no ano que vem e sofrer as consequências disso é o preço que a Suíça paga por estar renovando sua seleção nacional. Fora da competição europeia, o futebol do país terá menos visibilidade, ficará praticamente um ano sem realizar jogos oficiais e deixará de ganhar um bom dinheiro.

Não à toa, o técnico Ottmar Hitzfeld classificou de “noite negra” a derrota para País de Gales por 2 a 0, fora de casa, na sexta-feira. Combinado com o heróico empate que Montenegro arrancou daà Inglaterra (2 a 2), a Nati não tem mais chance alguma de ficar em segundo lugar do grupo G, o que faz o jogo diante dos montenegrinos nesta terça se transformar em mero amistoso.

Hitzfeld, no cargo desde 2008, teve seu contrato renovado em março deste ano com duas missões claras: renovar o elenco e classificar a Suíça para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Por isso, ficar fora da fase principal da Eurocopa não gerou crise, nem mesmo críticas mais duras por parte da imprensa.

Mas doeu nos torcedores, que viram um sopro de esperança depois de dois bons resultados (empate por 2 a 2 com a Inglaterra fora e vitória sobre a Bulgária por 3 a 1 em casa).

Vencer País de Gales, mesmo jogando fora de seus domínios, parecia num primeiro momento que seria algo tranquilo para Xherdan Shaqiri e sua turma. Afinal, o adversário era o último colocado da chave e somava até então apenas uma vitória em seis jogos. No primeiro turno, a Suíça já havia sapecado 4 a 1 nos galeses.

Mas, quando a bola rolou, não se viu nada disso. Com uma defesa de idade avançada e um ataque jovem demais, a Suíça mostrou-se nervosa pela responsabilidade da vitória – em caso de resultado positivo, o confronto direto com Montenegro decidiria a vaga na repescagem. Além disso, ainda teve de lidar com o impacto da ausência do zagueiro Phillipe Senderos, que se contundiu no aquecimento.

Os 11 titulares escalados por Hitzfeld tinham média de idade de 24,2 anos. Se forem levados em consideração os três jogadores que entraram no decorrer da partida (entre eles Ricardo Rodriguez, de apenas 19 anos, que estreou na seleção), a média cai para 23,4. Se não é nada absurda, pode-se dizer que é bem baixa para quem joga uma decisão, com a obrigação de vencer, e fora de casa.

A expulsão de Reto Ziegler, aos 10 minutos do segundo tempo, foi um claro exemplo disso. Apesar de não estar na turma dos novatos, ele perdeu a cabeça, usou de força absurdamente desnecessária numa disputa com Chris Gunter e recebeu o cartão vermelho. Estava aberto o caminho para a vitória galesa, com gols de Aaron Ramsey (cobrando pênalti, cinco minutos depois) e Gareth Bale (aos 26’).

Vida que segue

O trabalho do alemão Hitzfeld passa agora por mexer no psicológico dos seus atletas e tentar acostumá-los e jogos grandes e decisivos. Depois do jogo, por exemplo, ele admitiu que a expulsão de Ziegler foi “um choque para a equipe”, que não soube lidar com a adversidade.

O treinador deve seguir lançando jovens jogadores na Nati. Philippe Koch, defensor do Zürich, de 20 anos de idade, foi convocado pela primeira vez para ocupar a vaga de Senderos na partida diante de Montenegro. As promessas Fabian Frei (22 anos), Shaqiri (19) e Granit Xhaka (19) foram outras revelações que ganharam a confiança do treinador e hoje têm vaga no time titular.

Do meio de campo para a frente, aliás, a missão de Hitzfeld não é das mais difíceis, já que a Suíça tem uma jovem geração muito promissora. Porém, ele terá um pouco mais de trabalho com o setor defensivo, bem mais envelhecido. Do time que iniciou contra País de Gales, a média de idade da defesa era de 26,2 anos – ante 22,7 do meio e 22,5 do ataque. Vários defensores estarão batendo na casa dos 30 (ou passando dela) na época da Copa no Brasil.

Depois da partida contra Montenegro, a Suíça fará dois amistosos: em 11 de novembro contra a Holanda e quatro dias depois diante de um adversário ainda indefinido (há chances de ser o Brasil). Serão boas oportunidades para Hitzfeld testar o futebol e o psicológico de seus garotos, fundamentais na campanha das eliminatórias para a Copa do Mundo.

E se o trabalho for bem conduzido (o que, tratando-se de quem já ganhou sete títulos alemães e duas Liga dos Campeões, não parece nada improvável), a Suíça tem, sim, boas chances de visitar os campos brasileiros em 2014. Afinal, não custa lembrar, a Nati terá como adversária nas eliminatórias Noruega, Eslovênia, Albânia, Chipre e Islândia.

Aposta arriscada

Contrariando a todas as expectativas, a Federação Austríaca anunciou na semana passada o suíço Marcell Koller como novo técnico da seleção. Koller tem 50 anos de idade, nunca dirigiu uma seleção e estava sem emprego desde 2009, quando deixou o Bochun.

O anúncio pegou a todos de surpresa. Na Áustria, era dada como certa a contratação de um dos dois treinadores que fizeram mais sucesso no campeonato nacional nos últimos tempos: Franco Foda, do Sturm Graz ou Paul Gludovatz, do Ried.

A estreia do novo treinador será num amistoso contra a Ucrânia, em novembro. Ele não viajou ao Azerbaijão, onde a Áustria ganhou dos donos da casa por 4 a 1 na sexta-feira – assistiu ao jogo num telão e colocou um vídeo com a cena em sua página do Facebook. O mesmo deve ocorrer nesta terça, quando os austríacos jogam no Cazaquistão, fechando sua participação nas eliminatórias da Euro, novamente comandados pelo interino Willi Ruttensteiner.

A vitória sobre o Azerbaijão, aliás, marcou o fim de um jejum austríaco de triunfos fora de casa por competições oficiais, que durava desde 2005.

A aposta em Koller é arriscadíssima. Sem experiência, ele pode tanto fazer uma campanha brilhante quanto ser um fiasco histórico. No caminho nada fácil para o Brasil, a Áustria terá como adversários Alemanha, Suécia, Irlanda, Ilhas Faroe e Cazaquistão.

CURTAS

Áustria

– A Bundesliga será retomada no final de semana, com a disputa da 11.ª rodada: Kapfenbberg x Admira, Rapid Viena x Wiener Neustadt, Ried x Áustria Viena, Red Bull Salzburg x Wacker Innsbruck e Mattersburg x Sturm Graz.

– A Erste Liga realiza sua 15.ª rodada na sexta-feira (14), com destaque para os líderes Altach e St. Andrä, que enfrentam St. Pölten e Áustria Lustenau, respectivamente.

Suíça

– Por conta das partidas pelas eliminatórias da Euro e da rodada da Copa da Suíça, a Super League e a Challenge League só voltarão a ter jogos no dia 22.

– Os clubes voltam a campo no próximo final de semana, portanto, para a disputa da fase de dezesseis-avos de final da Copa da Suíça. Todos os times da primeira divisão jogarão fora de casa.

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Equipe Trivela

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