Europa

Suíça feliz, Áustria triste

“Gostaria de comprar-lhe uma boa refeição. Ele certamente se divertiria.” A frase do técnico Ottmar Hitzfeld em resposta ao que daria de presente ao ex-atacante Ronaldo resume bem o que foi o sorteio dos grupos das eliminatórias da Copa para a Suíça. Das mãos do brasileiro saíram adversários como Noruega e Eslovênia, a quem os suíços acreditam que podem encarar de igual para igual.

A felicidade suíça pelo sorteio não é para menos. Ao escapar de seleções mais poderosas (como Alemanha, Espanha, Holanda e Inglaterra, por exemplo), o país tem a chance de sonhar concretamente com sua terceira participação seguida numa Copa do Mundo, o que seria um feito inédito.

Classificado até mesmo pelo site oficial da Fifa de “o grupo do equilíbrio”, a chave E deve ter suas primeiras colocações definidas entre Noruega (12.ª colocada no ranking mundial), Eslovênia (22.ª) e Suíça (30.ª). As demais seleções – Albânia (59.ª), Chipre (80.ª) e Islândia (121.ª) – certamente ficarão com o papel de coadjuvantes.

Ao comemorar a “ajuda” dada por Ronaldo, Hitzfeld não pareceu menosprezar seus adversários e nem mesmo comemorar antecipadamente uma eventual classificação. Na opinião dele, o que a Suíça tem condições de fazer é brigar em pé de igualdade contra as duas principais favoritas do grupo e que, não à toa, estavam nos potes 1 e 2 do sorteio carioca.

O sucesso ou não da Nati em busca de mais uma Copa do Mundo dependerá muito do processo de renovação pelo qual a seleção vem passando (tema abordado pela coluna, leia aqui). O próprio treinador alemão vem dizendo isso sempre que pode e para o amistoso desta quarta contra Liechtenstein convocou três jogadores que nunca vestiram a camisa da seleção: os zagueiros Gaetano Berardi (do Brescia) e Beg Ferati (Freiburg) e o volante Fabian Lustenberger (Hertha Berlim). Berardi e Lustenberger têm 23 anos de idade cada, um a menos que Ferati.

Embora treinador e dirigentes não admitam publicamente, a reta final das eliminatórias da Eurocopa também deve servir como experiência para Hitzfeld montar o time que disputará o qualificatório para o Mundial do Brasil, já que as chances do time se classificar para o torneio continental são remotas.

O período também servirá para observar melhor os principais concorrentes nas eliminatórias da Copa, já que tanto Noruega quanto Eslovênia brigam pela classificação em seus grupos. Dois dois, apenas a Noruega foi adversária recente da Suíça: em 2009, derrota da Nati por 1 a 0 em amistoso. O último jogo contra os eslovenos ocorreu em 2004 – vitória suíça por 2 a 1, também em amistoso.

Áustria cheia de problemas

Apesar do presidente da Federação Austríaca, Leo Windtner, dizer que “poderia ser pior” e do técnico Didi Constantini partir para o clássico “nossa tarefa é possível”, é fato claro que o sorteio dos grupos das eliminatórias europeias não foi nada generoso para a Áustria. A seleção, que não disputa uma Copa do Mundo desde 1998, terá de encarar Alemanha, Suécia, Irlanda, Ilhas Faroe e Cazaquistão.

Dos cinco adversários, somente dois estão abaixo da Áustria (66.ª colocada) no ranking da Fifa: os fracos Ilhas Faroe 112.º) e Cazaquistão (126.º). A julgar por resultados recentes, nenhum deles deve dar trabalho. Nas eliminatórias para a Copa de 2010, a Áustria empatou uma e venceu outra contra a Ilhas Faroe e no classificatório para a Eurocopa do ano que vem um resultado positivo diante do Cazaquistão já foi conquistado – o jogo da volta será em outubro.

Favorita absoluta para ficar com a vaga direta do grupo para 2014, a Alemanha (3.ª do ranking mundial) também foge da analise. A título de informação, vale lembrar que os alemães venceram recentemente a Áustria em Viena por 2 a 1, num jogo emocionante pelas eliminatórias da Euro. As seleções têm novo encontro marcado para 2 de setembro.

Os problemas austríacos no torneio que dará vagas para jogar em solo brasileiro em 2014 atendem pelo nome de Suécia e Irlanda, os dois países que devem brigar pela segunda colocação na chave e uma chance de jogar a repescagem.

Os suecos, que ocupam o 19.º posto no ranking da Fifa, não sabem o que é perder para os austríacos desde 1997. No dia 6 de setembro daquele ano, a Áustria ganhou por 1 a 0, curiosamente pelas eliminatórias que lhe valeu sua última participação em Copa. De lá para cá, foram dois empates e uma vitória sueca.

Os irlandeses aparecem como a terceira força do grupo, em 33.º lugar no ranking. Não há histórico recente de confrontos entre as seleções. A última vez que se encontraram foi em 1995, pelo qualificatório da Euro, e a Áustria venceu por 3 a 1. Mas o fato da Irlanda liderar seu grupo na atual eliminatória do torneio continental é, evidentemente, um forte indício de favoritismo ante os austríacos.

Não bastasse a desvantagem técnica diante dos principais rivais, a seleção da Áustria sofre com um grande problema interno: a cada vez mais desgastada relação entre os dirigentes e o técnico Didi Costantini, tema que já foi abordado pela coluna (aqui).

Não há garantia alguma de que Constantini será o técnico nas eliminatórias da Copa. O presidente Windtner já deixou bem claro que o futuro do treinador será decidido em outubro, após o encerramento da fase de classificação para a Euro 2012 – em quarto lugar no seu grupo, é bem pouco provável que a Áustria obtenha vaga na repescagem, mas possíveis boas apresentações do time poderiam manter o treinador no cargo.

Apesar do discurso de que só resolverá a questão em outubro, Windtner não poupa críticas a Constantini. Na mais recente delas, declarou ao site sportnet que o treinador deveria parar de olhar somente para os jogadores que atuam no país e convocar mais atletas que atuam no exterior.

Windtner e Constantini aproveitaram a estada no Rio de Janeiro para o sorteio dos grupos e tiveram uma conversa franca na praia de Copacabana. O cartola cobrou o treinador, que por sua vez reclamou de ter sido repreendido em público, pela imprensa. Mas, coincidência ou não, o técnico convocou seis atletas que atuam no exterior para o amistoso da Áustria contra a Eslováquia, nesta quarta.

O fato é que Constantini parece estar mesmo com os dias contatos no comando do ÖFB-Team – entre os nomes cotados para substituí-lo aparece até o de Franz Beckenbauer. E toda essa indefinição e o mal-estar interno acabam dificultando ainda mais a já bastante improvável presença austríaca nos gramados brasileiros em 2014.

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Equipe Trivela

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