Sucesso na Europa, de verdade?

Após os play-offs das duas competições européias, a Liga dos Campeões e a nova Liga Europa, os quatro representantes da Áustria conseguiram chegar à fase de grupos da Liga Europa (o país com o maior número de times nesta fase, junto com Holanda e Romênia). Por sinal, Red Bull Salzburg, Sturm Graz, Austria Viena e Rapid Viena também foram os qualificados para os torneios continentais na temporada passada.
O Sturm Graz entrou na segunda qualificatória, e apesar do primeiro confronto apertado contra o Siroki Brijeg, da Bósnia, conseguiu passar com facilidade pelo Petrovac de Montenegro e nos playoffs despachar os ucranianos do Metalist Kharkiv. Mas o sorteio foi ingrato com os Schwarz-Weiss, que caíram num grupo com Panathinaikos, Galatasaray e Dínamo Bucareste.
O Rapid, outro oriundo da segunda fase, não teve dificuldades contra o Villaznia da Albânia, mas para chegar à fase de grupos precisou da prorrogação contra os cipriotas do APOP Kinyras, além de realizar nos playoffs o duelo mais complicado dos austríacos, o Aston Villa.
E aí brilhou a estrela de Nikica Jelavic. O atacante croata marcou não somente o gol da vitória por 1 a 0 no jogo de ida, em Viena, como o da classificação no Villa Park, após os ingleses abrirem dois gols de vantagem, com Milner e Carew.
Na fase de grupos, os Grün-Weissen encaram Hamburg, Celtic e Hapoel Tel-Aviv. Tarefa difícil sem o duo ofensivo Hoffer e Maierhoffer, vendidos na janela para o Napoli e o Wolverhampton, respectivamente.
O Austria Viena, apesar de não conquistar a Bundesliga desde a temporada 2005-06, chegou a sua terceira vez consecutiva na fase de grupos, passando pelo Vojvodina, da Sérvia e nos playoffs os ucranianos do Metalurh Donetsk. O time do atacante ex-Atlético Paranaense Schumacher terá a companhia de Werder Bremen, Athletic Bilbao e Nacional da Ilha da Madeira, certamente a melhor chance de classificação entre os times austríacos.
Porém, justamente o atual campeão foi aquele que mostrou as dúvidas que pairam sobre o momento da Áustria na Europa. O Red Bull mais uma vez falhou em chegar à fase de grupos da Champions League. Se na temporada 07-08 os touros perderam a vaga para o Shakhtar, com um gol de Brandão aos 42 minutos do segundo tempo, e isso após abrirem 2 a 0 no agregado, desta vez o adversário era bem mais modesto, o Maccabi Haifa de Israel.
O resultado também foi bem diferente. Após uma derrota em Salzburg por 2 a 1, o Red Bull foi presa fácil para os israelenses fora de casa, e o sonoro 3 a 0 pelo menos não impediu o time de disputar pela primeira vez uma fase final de uma competição européia desde a compra do Austria Salzburg pela empresa de energéticos de Dietrich Mateschitz.
Num grupo com Villarreal, Lazio e Levski Sofia, parece difícil que o time do artilheiro Marc Janko consiga repetir o feito de 1994, quando chegou a final da Copa Uefa, ainda com o violeta e branco do Austria Salzburg, contra a Internazionale.
Ao ver a campanha dos quatro austríacos, percebe-se outro efeito da política de Michel Platini em mudar a distribuição de vagas e o formato das qualificatórias nas competições continentais. O nível dos adversários ficou bem mais fraco do que antes para chegar às fases finais. Só que isso não garante um bom desempenho de forma a melhorar o ranking da Uefa, garantindo assim mais privilégios para a Áustria na Liga Europa e na LC.
Quem consegue parar o Young Boys?
Em oito rodadas, sete vitórias e um empate. Essa é a campanha do Young Boys, líder da Super League, com nove pontos de vantagem para o Luzern, segundo lugar e dez pontos para o atual campeão, o Zürich.
O time montado pelo sérvio Vladmir Petkovic tem alguns nomes conhecidos, como o marfinense Yapi Yapo no meio campo, os suíços David Degen e o Marco Wölfi, ambos com passagem pela Nati, e até mesmo o zagueiro argentino Emiliano Dudar, que teve uma rápida passagem pelo Vasco da Gama.
O zagueiro por sinal é um exemplo das contratações do time de Berna. Começou todas as partidas do campeonato suíço como titular, compondo a defesa junto com Affolter e o tunisiano Ghezal. Outro novo titular é o anglo-suíço Scott Sutter, que chegou do Grasshoppers para ocupar a faixa direita no meio campo, já que Christian Schwegler foi vendido para o Red Bull Salzburg.
Além disso, o time conta com o faro de artilheiro de Seydou Doumbia. O marfinense artilheiro da temporada passada com 20 gols já tem sete na tabela da artilharia. Um destes gols foi marcado na última rodada, quando o Young Boys foi a Basiléia encarar o Basel.
Contando com uma falha de Dudar, Scott Chipperfield conseguiu cruzar para Alexander Frei abrir o placar a favor dos donos da casa. O Basel ainda reclamou um pênalti em cima de Marco Streller, só que esteve longe de repetir o desempenho no segundo tempo. Também de cabeça, Doumbia empatou o jogo enquanto Christian Schneuwly decretou a virada aos 46 do segundo tempo.
Por sinal, os RotBlau não começaram bem a temporada, apesar de chegar na fase de grupos da Liga Europa, passando pelos inexpressivos KR, da Islândia e Baku, do Azerbaijão. São apenas duas vitórias e a sétima posição, incluindo uma derrota por 3 a 1 no clássico contra o Grasshoppers, que vem uma posição atrás, já somando cinco derrotas.
Falta uma rodada para o fim do primeiro quarto da Super League, mas o Young Boys parece contar com a ajuda dos seus principais concorrentes para o título nacional, despontando como único favorito no momento.
A Copa ficou mais perto para os suíços, já para os austríacos…
A Suíça teve dois jogos chave nesta última rodada pelas eliminatórias para a Copa de 2010. Ia receber a Grécia e depois viajar até Riga para encarar a emergente Letônia.
Conseguiu uma vitória por 2 a 0 em casa e um bom empate por 2 a 2 contra os ex-soviéticos. Mais do que isso, uma vantagem de três pontos para gregos e letões, que se enfrentam na penúltima rodada. Sem contar que enfrenta Luxemburgo no dia 10 de outubro, podendo garantir a vaga em caso de empate em Atenas, e termina a eliminatória jogando em casa contra Israel.
A Áustria também fez o seu papel, venceu a fraca Ilhas Faroe e conseguiu um importante empate fora de casa contra a Romênia, mas o empate heróico da França com um a menos durante a maior parte da partida contra a Sérvia em Belgrado acabou por tornam quase impossível o sonho de voltar à uma edição de Copa do Mundo (a última foi em 1998, na França).
Isso porque depende de um improvável tropeço dos Bleus contra a Ilhas Faroe jogando em Guingamp. Além disso, a seleção de Dietmar Constantini teria que vencer a Lituânia em casa e os próprios franceses em Saint Denis.



