Europa

Só na pressão

O resultado das investigações deveria ter sido divulgado na última terça-feira. Enquanto isso, nada de conclusivo é apontado sobre as manipulações de resultado no futebol turco. Até o momento, especialmente após receber a visita de representantes da Uefa, a federação local se contenta em realizar mudanças esportivas para a próxima temporada. Nada que puna efetivamente os possíveis culpados.

A entidade continental, porém, não demorou a aumentar a rigidez sobre os envolvidos nos casos. Depois da retirada do Olympiakos Volou na Liga Europa, uma medida exemplar, a Uefa resolveu agir na Turquia. O Painel de Emergência da Uefa, composto pelo presidente Michel Platini e por mais quatro membro do comitê executivo, aprovou a exclusão do Fenerbahçe da Liga dos Campeões. A atitude só foi tomada após decisão da federação turca (TFF), que, por sua vez, foi bastante pressionada por Platini a tomar uma iniciativa mais contundente.

Assim, o Trabzonspor ocupará a vaga do Fener na fase de grupos da Champions, enquanto o Athletic de Bilbao, adversário dos vice-campeões da Süper Lig na Liga Europa, obteve a classificação automática. As ressalvas para substituição, contudo, começam aí. Afinal, o Trabzonspor também está sendo fortemente investigado pelo envolvimento nos casos de manipulação. A não ser que a Uefa tenha obtido uma informação privilegiada de que o time fosse inocente, a opção é no mínimo contestável.

Já as conseqüências no Fenerbahçe são praticamente imediatas. Apesar do anúncio de que irá recorrer judicialmente da decisão, a sua estrutura interna começa a ruir. Nihat Ozdemir, vice-presidente dos Sari Kanaryalar e que estava ocupando o cargo máximo no clube após a prisão do presidente Aziz Yildrim, foi o primeiro a renunciar. Além disso, os acionistas já começaram a vender suas participações na equipe, temendo maiores consequências. Aykut Kocaman, técnico dos Sari Kanaryalar, é outro que teve a sua saída especulada. Segundo alguns sites de jornais da Turquia, o treinador teria entregado a sua carta de demissão à diretoria. Kocaman, no entanto, veio a público desmentir os boatos e disse que continuará as suas atividades normalmente.

Além disso, os dirigentes do Fener têm manifestado publicamente a sua insatisfação com a TFF. O próprio Ozdemir, antes de renunciar, desafiou rebaixarem o clube na Süper Lig. Em resposta, Mehmet Ali Aydinlar, o presidente da federação, dá desculpas esfarrapadas, dizendo que defendeu o Fenerbahçe o máximo que pode.

Ao mesmo tempo, a entidade realiza o sorteio da próxima temporada sem uma punição sequer. E pior ainda, promove uma mudança de regulamento sem nem mesmo consultar todos os clubes, tentando agradar aqueles que exigem ações mais firmes. Pois bem. A temporada 2011/12 na Turquia abandona o sistema de pontos corridos e recorre aos playoffs para salvar a própria credibilidade. Com o novo modelo, imaginam os cartolas, as chances de combinação de resultados são menores e o retorno financeiro, maior.

A fórmula será a seguinte: as trinta e quatro rodadas entre os 18 clubes participantes está mantida. Contudo, finalizada esta fase, os quatro primeiros disputarão um quadrangular decisivo que coloca em jogo não apenas o título, bem como três vagas na Liga dos Campeões. Já aqueles que ficarem da quinta à oitava posição também se enfrentam em um quadrangular, este para apontar um representante na Liga Europa. Uma mudança que exige mais seis datas no calendário e que, com os adiamentos do início do campeonato (marcado para 9 de setembro), deverá encurtar consideravelmente as próximas férias dos clubes.

O caminho encontrado pela TFF, todavia, não se mostra mais que paliativo. Afinal, ainda que os confrontos diretos no quadrangular final coíbam a combinação de resultados, ela poderá ser feita durante a temporada regular, a fim de beneficiar a classificação de uma determinada equipe. Além disso, mesmo que resolva em partes a ganância dos clubes em busca de vitórias, ela não resolve a questão em sua totalidade. A maioria dos apostadores irregulares está lá para ganhar dinheiro. Somente uma transformação no regulamento é insuficiente. Uma ação conjunta entre governo e federação é necessária para brecar o problema de maneira eficaz.

Mas, enquanto as investigações não chegam ao seu fim, a TFF vai maquiando a sujeira assim como pode. Alguns clubes já tentam impedir a mudança de regulamento. E o que parecia ruim durante o estouro do escândalo, tende a piorar. Uma temporada que demora a acontecer e cujos prolongamentos devem perdurar por mais tempo ainda.

Outra reviravolta na Grécia

Pela enésima vez antes do início da temporada, a Super League 2011/12 teve uma mudança entre seus participantes. Depois de a federação grega ser criticada após a punição leve contra Kavala e Olympiakos Volou por conta da manipulação de resultados, o Ministério dos Esportes resolveu penalizar os dois clubes de maneira séria.

A entidade, através de sua Comissão de Esportes Profissionais, não teve piedade alguma dos culpados. Kavala e Olympiakos Volou foram rebaixados para a Delta Ethniki, divisão semi-profissional que corresponde ao quarto nível do futebol no país. Além disso, o banimento dos presidentes dos dois times em qualquer atividade ligada ao esporte foi reiterado. Ainda é possível que os clubes recorram, mas as chances de uma nova mudança são pequenas.

Quatro dias antes do início do campeonato, a lista de clubes foi fechada com a participação de Levadiakos e Doxa Drama, segundo e terceiro colocados no quadrangular final da segunda divisão. Mas a própria Comissão de Esportes Profissionais vetou a decisão, já que ela não examinou os precedentes de qualquer equipe apta para preencher as vagas. Assim, dificilmente a Super League começará neste final de semana – e, se realmente não acontecer, a federação terá que pagar quatro milhões de euros por isso às redes detentoras dos direitos de transmissão.

Uma possibilidade estudada pela organização do Campeonato Grego é a realização do torneio com apenas 14 clubes. Segundo os jornais do país, um pedido já teria sido feito junto à Comissão, tentando evitar a salgada multa. Mais uma reviravolta pela frente…

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Equipe Trivela

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