Europa

Sete duelos do passado que se repetirão nas quartas de final da Champions e da Liga Europa

Os sorteios da Champions League e da Liga Europa ofereceram um prato cheio de histórias. Dos oito confrontos das quartas de final nas duas competições, apenas um será inédito – Manchester United x Granada, já que os espanhóis estreiam além das fronteiras na atual temporada. De resto, todos os duelos possuem seus antecedentes, incluindo três finais de Champions. Abaixo, aproveitamos para resgatar algumas dessas partidas – não necessariamente a mais importante, mas sempre com sua dose de nostalgia. Confira:

Liverpool x Real Madrid – Champions 2008/09

As finais de 1981 e 2018, obviamente, encabeçam qualquer lista de grandes jogos entre Liverpool e Real Madrid – com uma vitória para cada lado. A outra vez que as equipes se pegaram em mata-matas aconteceu na Champions 2008/09, pelas oitavas de final. Os merengues atravessavam uma entressafra antes da reconstrução galáctica, num tempo em que caíam repetidamente nas oitavas. Juande Ramos era o treinador da equipe que tinha Raúl e Iker Casillas como símbolos da velha guarda, mas também Fabio Cannavaro, Pepe, Arjen Robben, Wesley Sneijder, Rafael van der Vaart e Gonzalo Higuaín. Marcelo e Sergio Ramos são os remanescentes. Já o Liverpool seguia com Rafa Benítez, mas na reta final do trabalho. Steven Gerrard era a referência e Fernando Torres vivia sua fase iluminada, num time que ainda desfrutava de Jamie Carragher, Javier Mascherano, Xabi Alonso e Dirk Kuyt.

Aquela foi a quinta queda consecutiva do Real Madrid nas oitavas, em seis no total. O Liverpool ganhou já a ida dentro do Santiago Bernabéu, por 1 a 0. Xabi Alonso quase marcou do círculo central, dando trabalho a Casillas, mas o gol do triunfo foi anotado por Yossi Benayoun. Já em Anfield, rolou uma verdadeira destruição dos merengues, com a goleada por 4 a 0. Torres abriu a contagem no primeiro tempo e Gerrard ampliou de pênalti. Na volta do intervalo, Gerrard marcou mais um, enquanto Andrea Dossena fechou a conta. Pepe Reina fez boas defesas, mas não fosse Casillas o resultado seria bem pior. O Liverpool seria eliminado na fase seguinte, diante do Chelsea.

Bayern de Munique x Paris Saint-Germain – Champions 2000/01

A partida mais importante é a final de 2020, claro. Ainda há outros oito jogos, com direito a atuações míticas de George Weah e Élber. Dois encontros menos lembrados ocorreram em 2000/01, ano do quarto título continental do Bayern, pela fase de grupos. A equipe de Ottmar Hitzfeld estava em sua plenitude com Oliver Kahn, Hasan Salihamidzic, Mehmet Scholl e outras figuras importantes – o próprio Élber aparecia no banco, assim como Paulo Sérgio. Já o PSG era dirigido por Philippe Bergeroo e tinha um ataque composto por “Jesus” Christian e Nicolas Anelka, além de Laurent Robert, Jay-Jay Okocha e Sylvain Distin mais atrás.

O PSG carimbou a faixa dos futuros campeões com a vitória por 1 a 0 dentro do Parc des Princes. O resultado foi definido nos acréscimos do segundo tempo, por uma bela jogada de Laurent Leroy no meio da zaga. O troco no Estádio Olímpico de Munique viria com o triunfo do Bayern por 2 a 0. Num rebote, Salihamidzic abriu a contagem para os alemães logo de cara. O placar seria concluído por Paulo Sérgio, numa tabela com Élber. O PSG passou à segunda fase de grupos, na qual seria eliminado por Deportivo de La Coruña e Galatasaray. Já o Bayern levou o troféu na decisão contra o Valencia, vencida nos pênaltis.

Chelsea x Porto – Champions 2004/05

Parte do sucesso do Chelsea nos primeiros anos de Roman Abramovich foi construído através do Porto, campeão europeu em 2004. A chegada de José Mourinho e de nomes fundamentais daquele elenco portista impulsionou os Blues rumo ao bicampeonato da Premier League. Houve um reencontro sentimental em 2004/05, pela fase de grupos da Champions. Mourinho dirigia os Blues, que também contavam com Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira. Didier Drogba, Frank Lampard, Claude Makélélé, Petr Cech, Arjen Robben e John Terry participaram daqueles encontros. Já o Porto era dirigido por Victor Fernández. Contava com Ricardo Quaresma, Maniche, Costinha, José Bosingwa, Vítor Baía e uma legião nascida no Brasil – com Pepe, Derlei, Diego, Luis Fabiano e Carlos Alberto.

O Chelsea se deu melhor no primeiro encontro, vencendo dentro de Stamford Bridge por 3 a 1. Aleksey Smertin e Didier Drogba abriram vantagem. Benni McCarthy descontou, mas logo depois John Terry anotou o gol que definiu o triunfo. O Porto deu o troco no Estádio do Dragão, com a vitória por 2 a 1, de virada. Damien Duff marcou para os londrinos, contando com uma falha do goleiro Nuno Espírito Santo, mas Diego (num chutaço de fora da área) e Benni McCarthy foram os heróis portistas. Àquela altura, o Chelsea estava garantido na liderança, mas o triunfo valeu também a classificação do Porto. Os lusitanos foram eliminados pela Internazionale na fase seguinte, enquanto os ingleses só pararam diante do Liverpool nas semifinais.

Manchester City x Borussia Dortmund – Champions 2012/13

O duelo contra o Manchester City seria importante para demarcar o melhor momento do Borussia Dortmund pela Champions neste século. Afinal, foi numa fase de grupos cascuda, em chave que também contava com o Real Madrid e Ajax, que os aurinegros começaram a moldar seu caráter rumo à decisão. Jürgen Klopp estava no ápice de seu trabalho. Marco Reus, Lukas Piszczek e Mats Hummels são os remanescentes daquela equipe, enquanto Ilkay Gündogan também se fez presente pelos aurinegros. Ainda jogaram Roman Weidenfeller, Robert Lewandowski, Mario Götze, Jakub Blaszczykoswki e Sebastian Kehl. O City estava sob a direção de Roberto Mancini, com Vincent Kompany, Yaya Touré, David Silva, Edin Dzeko, Carlos Tevez e Joe Hart. Sergio Agüero é quem resta do timaço.

A primeira partida aconteceu no Estádio Etihad, e o City se aliviou com o empate por 1 a 1. Weidenfeller e Hart faziam grandes defesas, embora o Dortmund tenha acertado a trave duas vezes. Reus abriu o placar para os aurinegros e foi apenas aos 44 do segundo tempo que veio o empate, num pênalti convertido por Mario Balotelli. Já o reencontro no Signal Iduna Park  tinha o Dortmund garantido na liderança e o City eliminado. Pois os celestes sequer conseguiram a repescagem à Liga Europa, derrotados pelo mistão germânico por 1 a 0, gol do horrível Julian Schieber. O BVB, como citado, só pararia na decisão vencida pelo Bayern.

Ajax x Roma – Champions 2002/03

O Ajax fez uma de suas melhores campanhas recentes na Champions League em 2002/03, e os duelos contra a Roma foram essenciais a este sucesso. As duas equipes se pegaram na segunda fase de grupos, numa chave que ainda reunia Valencia e Arsenal. Treinados por Fabio Capello, os giallorossi eram mais badalados pelo Scudetto de dois anos antes, com destaque para Francesco Totti, Antonio Cassano, Gabriel Batistuta, Emerson, Cafu e Aldair. Já os Ajacieden estavam sob as ordens de Ronald Koeman. Zlatan Ibrahimovic era a referência de uma equipe que ainda contava com Rafael van der Vaart, Christian Chivu, Steven Pienaar, Jari Litmanen e Andy van der Meyde. Maarten Stekelenburg, que retornou aos Godenzonen recentemente, já era o goleiro.

No encontro em Amsterdã, válido pela segunda rodada, o Ajax conquistou três pontos importantes com a vitória por 2 a 1. Ibra e Litmanen balançaram as redes, com direito a um belo tento do finlandês. A Roma pressionou no fim, mas só descontou nos últimos minutos com Batistuta, depois de Stekelenburg segurar as pontas. Já a segunda partida, no Estádio Olímpico, valeu pela rodada final. Os Ajacieden dependiam apenas de si pela classificação e o empate por 1 a 1 bastou. Van der Meyde abriu o placar com um chutaço no primeiro minuto e Cassano igualou ainda na etapa inicial, mas ficou nisso. Só o Ajax avançou, caindo nas quartas de final diante do Milan.

Villarreal x Dinamo Zagreb – Liga Europa 2010/11

A temporada de 2010/11 seria importante ao Villarreal, com o time conquistando a vaga na Champions League através de La Liga. Paralelamente, disputou a Liga Europa e derrotou o Dinamo Zagreb, em plena hegemonia no Campeonato Croata, prestes a confirmar o hexa nacional. Dirigido por Vahid Halihodzic, o Dinamo tinha nomes como Sime Vrsaljko, Andrej Kramaric e Milan Badelj entre as figuras principais. Arijan Ademi, que segue como uma referência no Maksimir, era uma revelação na época. Já o Submarino Amarelo de Juan Carlos Garrido reunia vários nomes célebres – incluindo Giuseppe Rossi, Nilmar, Diego López, Carlos Marchena, Marcos Senna, Joan Capdevilla e Santi Cazorla. Os jogos aconteceram ainda pela fase de grupos.

Cada time venceu em seu mando. No Estádio de la Cerámica, Giuseppe Rossi comandou os 3 a 0 do Villarreal. O italiano abriu o placar cobrando pênalti, deu a assistência para Marco Ruben anotar o segundo e também guardou o terceiro – num passe de Nilmar. E a contagem só não foi maior porque, no fim, o goleiro Ivan Kelava pegou um pênalti de Marcos Senna. No Maksimir, o Dinamo deu o troco com o triunfo por 2 a 0. Sammir seria o principal destaque, com o passe para Ante Rukavina inaugurar o marcador e também com o tento que definiu o placar. Marcos Senna terminou aquele jogo expulso. Só o Villarreal avançou aos mata-matas, numa campanha em que caiu nas semifinais, diante do Porto.

Arsenal x Slavia Praga – Champions 2007/08

O Slavia Praga participou da fase de grupos da Champions pela primeira vez em 2007/08. Os tchecos conseguiram arrancar um empate do Arsenal, no início de seu declínio com Arsène Wenger, embora os Gunners também tenham aplicado uma goleada acachapante sobre os alvirrubros. Os londrinos contavam com Cesc Fàbregas, Tomas Rosicky, Emmanuel Adebayor, William Gallas e Theo Walcott entre suas principais figuras. Já o Slavia, dirigido por Karel Jarolim, tinha o veterano Vladimir Smicer como estrela da companhia – além de Marek Suchy, Daniel Pudil e Stanislav Vlcek.

O Estádio Emirates recebeu um vareio por 7 a 0. Fàbregas e Walcott foram os destaques, cada um com dois gols e uma assistência. Aleksandr Hleb balançou as redes uma vez e deu dois passes decisivos. Um gol contra de David Hubacek e outro a favor de Nicklas Bendtner completaram o placar. Em Praga, Wenger poupou alguns de seus principais jogadores e o empate por 0 a 0 garantiu um pouco de honra aos tchecos. O Slavia ainda terminou na terceira colocação e disputou os mata-matas da Copa da Uefa, eliminado pelo Tottenham nos 16-avos de final. O Arsenal parou nas quartas da Champions, contra o Liverpool.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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