Europa

Sem licença para crises

Panaitolikos e PAS Giannina já estavam confirmados há algum tempo. Os dois melhores clubes da Football League, a segunda divisão do futebol grego, conquistaram o acesso com ao menos duas rodadas de antecipação. A última rodada só serviu para decidir quem ficaria com a taça e, diante de um tropeço do Giannina, o Panaitolikos vestiu a faixa de campeão.

A reta decisiva da First League, contudo, vem envolvida por uma polêmica que derruba e ressuscita os times do país. É a chamada “Super League License”, uma pré-adequação da Federação Grega ao Fair Play Financeiro, que será aplicado pela Uefa a partir da temporada que vem.

A regra, na verdade, existe desde a criação da Super League, em 2006. Ao fim da temporada regular, todos os clubes da primeira e da segunda divisão precisam ter aprovados seus balanços financeiros. Entretanto, as exigências eram bastante frouxas até o ano passado e nenhum time havia sido afetado pelo cerco. Mas com a aproximação do Fair Play Financeiro, a federação local optou por seguir a regulamentação da entidade continental. Nos últimos meses, fragilizados pela crise econômica que o país enfrenta desde 2009, os primeiros clubes foram reprovados para a licença.

Os banimentos começaram com o fim da temporada regular da Super League. Panserraikos, Larissa e Asteras Tripolis tiveram o rebaixamento confirmado em campo, mas logo depois ganhariam novas companhias. Na primeira avaliação financeira feita pela liga, Iraklis e Panionios, que ficaram quatro pontos acima da zona perigosa, foram reprovados. Utilizando o direito de recorrerem uma vez, os clubes reapresentaram as contas de uma maneira ainda mais detalhada. Por fim, o Panionios conseguiu escapar, mas o Iraklis teve a licença cassada. No ano que vem, disputará a Football League.

Neste ponto, a primeira virada de mesa. Com o descenso do Iraklis, ficou a dúvida: quem será o seu substituto na próxima temporada? Segundo o regulamento da Super League, o direito seria dado a um quarto time da segundona, o que não deve acontecer. O Asteras Tripolis, antepenúltimo colocado na primeira divisão, entrou com recurso para escapar da degola. Por ora, o time fica na elite, mas muito pode rolar até a Super League do ano que vem.

Enquanto ninguém é confirmado, os outros punidos apareceram na própria Football League. Nada que afetasse campeão e vice, os supracitados Panaitolikos e PAS Giannina. No entanto, entre o terceiro e o sexto, que disputariam um quadrangular, nada menos que três equipes foram barradas. OFI Creta, Trikala e Diagoras acabaram reprovados pela federação local na primeira avaliação feita.

Os recursos não foram totalmente analisados e os três clubes continuam com o futuro incerto. Nem mesmo o quadrangular para definir o último classificado para a Super League começou, emperrado pelas decisões da federação. Levadiakos e Doxa Drama, quinto e sexto, são os únicos confirmados até aqui. Por enquanto, as vagas restantes estão com Panthrakikos, oitavo colocado, e Veria, o nono. Os números deste último, inclusive, se mostram bastante interessantes. O clube mais perdeu do que venceu, além de ter ficado com saldo de gols negativo. Mesmo assim, 25 pontos abaixo do OFI Creta, pode herdar a vaga no quadrangular e sonhar novamente com o acesso.

Com isso, dá para perceber que uma das consequências principais do aumento das exigências para a licença é uma queda no nível dos clubes. Desempenhos ruins de alguns acabam sendo premiados pela falta de competência administrativa de outros. Mas, infelizmente, essa é a melhor maneira para o futebol grego atenuar os problemas vindos com a crise econômica do país.

O investimento em novas contratações caiu em quase três vezes nas últimas três temporadas, mas o buraco se mostra mais profundo. Se não agisse assim, a federação iria contribuir ainda mais para o afundamento de seus clubes – um processo que, pelo andar da carruagem, poderia gerar falências em série pelos próximos anos. Além do que, uma adequação interna evita prejuízos em competições européias – em outras palavras, a reprovação no Fair Play da Uefa.

Enquanto o Olympiacos mantém-se no topo graças ao apadrinhamento de milionários, a grande parte dos concorrentes precisa se virar com orçamentos curtos e falta de patrocínio. Por mais que as equipes sofram consequências agora, terão muito o que agradecer depois. Somente a partir de um controle rígido de gastos é que o futebol grego poderá se reinventar e evitar um desprestígio ainda maior no futuro.

Assim como na primeira divisão

A Segundona turca esteve longe de ter tanta confusão como na Grécia. O que marcou a First Lig deste ano foi uma disputa bastante acirrada pelo primeiro lugar, assim como aconteceu na Süper Lig. Samsunspor e Mersin Idmanyurdu já haviam garantido o acesso com antecedência, mas resolveram apenas na última rodada quem seria o campeão. Melhor para o Mersin, que contou com dois tropeços dos rivais e ficou com o título.

A última vaga na Süper Lig foi decidida pelos clubes que ficaram entre a terceira e a sexta posição, com semifinais em dois jogos e decisão em partida única. Quem se deu melhor neste sistema foi o Orduspor, quinto colocado na temporada regular. Nas semis, goleada e empate contra o Rizespor, que garantiram a vaga na final. E contra o terceiro colocado, o Gaziantep B. B., vitória por 1 a 0 no campo neutro de Ancara. Festa pela volta à primeira divisão após 25 anos.

Sem esse papo maldição

Apesar das descrenças manifestadas na coluna de duas semanas atrás, o Panathinaikos conseguiu se recuperar a tempo e conquistou a classificação às preliminares da Champions 2011/12. As duas derrotas nas duas primeiras rodadas não foram suficientes para derrubar os Prasinoi, que venceram os seus últimos três jogos. No fim das contas, o clube ateniense ficou um ponto acima do PAOK no quadrangular – graças, é claro, aos três pontos com os quais tinha largado, por ter feito a segunda melhor campanha na temporada regular.

E o principal nome da classificação foi… Djibril Cissé, como sempre. Na penúltima rodada contra o PAOK, é verdade, o gol da vitória foi de Gilberto Silva. Mas contra um time que tinha a consciência de que um empate praticamente assegurava a classificação, o Panathinaikos mais uma vez ficou limitado aos lampejos de Cissé. No lance do gol, o volante brasileiro só marcou porque pegou o goleiro caído, após defender um chute do francês.

O último encontro era com o AEK, com mando de jogo dos rivais. As arquibancadas, porém, não tinha maioria de nenhuma das torcidas, já que o público foi proibido por conta dos últimos incidentes no clássico. No silêncio do Olímpico de Atenas, Cissé marcou outros dois, tirou as chances de PAOK e AEK e classificou o Panathinaikos. Mais que isso, pela primeira vez em quatro anos, fez com que o segundo colocado mantivesse o seu favoritismo e vencesse o quadrangular final.

O mistério fica agora para o início da próxima temporada. Djibril Cissé afirmou que não renovaria o seu contrato com o Trifylli. Se cumprir a promessa, deixará a equipe sem a única alternativa criativa vista nos últimos meses. De qualquer forma, independentemente da saída do atacante, o clube precisa de novos nomes no elenco. Sem dinheiro em caixa, contudo, a busca por reforços ainda é tímida.

A boa notícia fica por conta da permanência de Jesualdo Ferreira no comando. Uma continuidade, aliás, um pouco rara nos Prasinoi nos últimos anos. Desde 2000, Ferreira é apenas o quarto técnico a se manter no cargo entre uma temporada e outra. Depois de alguns meses de experiência em Atenas, o comandante terá um tempo hábil maior para reconstituir a equipe e ao menos tentar se equiparar ao Olympiacos na próxima Super League. Todavia, vale salientar que, sem grandes reforços, o português terá que praticamente reinventar o time.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo