Europa

Resumo da Bundesliga Austríaca

A bola parou de rolar na Áustria para a temporada 2008/09 e é hora de rever o desempenho das equipes. O campeonato teve brigas bem distintas pelo título e contra o rebaixamento, e ficou devendo um pouco na emoção após uma Eurocopa empolgante realizada no país, mas ao menos foi compensado com muitos gols. Provando a força do dinheiro e dos clubes-empresa, o prato retornou a Salzburg, enquanto um clube que apostou em brasileiros veteranos acabou rebaixado. Confira, nas linhas abaixo, um resumo da Bundesliga Austríaca 2008/09.

Red Bull Salzburg

Colocação final: Campeão, com 74 pontos (classificado para o 3º qualifying da Uefa Champions League)
Técnico: Co Adriaanse
Maior vitória: Red Bull Salzburg 6×0 Mattersburg (1ª rodada) e Red Bull Salzburg 6×0 Austria Kärnten (32ª)
Maior derrota: Red Bull Salzburg 2×5 Kapfenberg (19ª)
Principal jogador: Marc Janko (atacante)
Decepção: Johan Vonlanthen (atacante)
Artilheiro: Marc Janko (39 gols)
Copa nacional: Eliminado nas oitavas-de-final pelo Áustria Viena B
Competição continental: Copa da Uefa (eliminado na primeira rodada pelo Sevilla)
Nota da temporada: 8

Dá para ser campeão e terminar a temporada em baixa, de forma turbulenta? Dá. O Red Bull Salzburg voou o campeonato todo, não tomou conta dos adversários e liderou de ponta a ponta. Mesmo assim, não foi o suficiente. Os problemas de Co Adriaanse com o elenco, criticando alguns jogadores e cobrando a diretoria pela renovação de contrato, quase colocaram o título antes certo em dúvida nas últimas rodadas, especialmente depois da derrota por 3 a 0 para o Rapid.

Mas os 39 gols de Marc Janko falaram mais alto e o prato volta a Salzburg. O atacante por pouco não quebrou o recorde de gols em um campeonato e, se não tivesse tirado o pé na metade final, teria faturado também a chuteira de ouro da Europa. Outros jogadores de destaque foram os camaroneses Ngwat-Mahop e Somen Tchoyi, além do antilhano Robin Nelisse. Faltou uma participação mais destacada na Copa da Uefa, já que o grande sonho do clube, de longe o mais rico do país, é conquistar o reconhecimento internacional. Com dinheiro de sobra para gastar, não será surpresa que o campeão austríaco apareça na fase de grupos da próxima Champions League.

Rapid Viena

Colocação final: Vice-campeão, com 70 pontos (classificado para o 3º qualifying da Liga Europa)
Técnico: Peter Pacult
Maior vitória: Rapid Viena 8×1 SCR Altach (20ª rodada)
Maior derrota: SV Ried 3×0 Rapid Viena (34ª)
Principal jogador: Stefan Maierhofer (atacante)
Decepção: Steffen Hofmann (meia)
Artilheiro: Erwin Hoffer (27 gols)
Copa nacional: Eliminado nas oitavas-de-final pelo SV Ried
Competição continental: Uefa Champions League (eliminado no segundo qualifying pelo Anorthosis Famagusta)
Nota da temporada: 6

Após uma temporada de sonho, coroada com o 32º título nacional, o Rapid Viena voltou a encarar a realidade: a metade verde da capital não tem bala na agulha para competir com o milionário Red Bull Salzburg. Castigado pelas contusões, a equipe deus adeus à Uefa Champions League mais cedo do que poderia e, apesar da tristeza, pôde se concentrar apenas na liga. Mesmo assim, não conseguiu acompanhar o ritmo do adversário e acabou ficando com o vice, tendo curiosamente feito uma campanha melhor do que a do ano passado, quando foi campeã.

Difícil apontar algum defeito para uma campanha tão boa quanto poderia ser. Erwin Hoffer provou ser o artilheiro que todos esperavam, Stefan Maierhofer finalmente jogou tudo o que dele se esperava e até nomes menos badalados, como Pehlivan e Kavlak, foram muito bem. A diferença ficou mesmo nos confrontos diretos, em que o Rapid perdeu duas, empatou uma e ganhou outra do Salzburg. Se os pontos a menos na classificação podem ou não ser creditados à queda de produtividade de Seffen Hofmann, melhor jogador de 2007/08? Esta é uma pergunta que jamais será respondida.

Áustria Viena

Colocação final: 3º, com 62 pontos (classificado para o 2º qualifying da Liga Europa)
Técnico: Karl Daxbacher
Maior vitória: Áustria Viena 5×0 LASK Linz (13ª rodada)
Maior derrota: Red Bull Salzburg 5×1 Áustria Viena (16ª)
Principal jogador: Milenko Acimovic (meia)
Decepção: Mario Bazina (meia)
Artilheiro: Milenko Acimovic e Rubin Okotie (14 gols)
Copa nacional: Campeão sobre o Trenkwalder Admira (26º título)
Competição continental: Eliminado na primeira rodada pelo Lech Poznan (POL)
Nota da temporada: 7

Que o Áustria Viena é a terceira força do futebol austríaco no momento, não há dúvidas. Os violetas terminaram novamente em terceiro lugar, se readequando à nova realidade financeira após a saída do forte patrocinador, que assumiu o SC Wr. Neustadt este ano e já foi campeão da Segundona. Mesmo tendo plena consciência da desvantagem em relação a Red Bull e Rapid, não dá para dizer que não ficou um gostinho de decepção na temporada, apesar de mais um título na Copa da Áustria. A equipe saiu da Copa da Uefa logo de cara e, se comparada à Bundesliga passada, teve desempenho inferior, ficando mais longe da briga pelo título.

Karl Daxbacher trouxe uma nova mentalidade ao Horr Stadion, mas a performance abaixo do esperado de jogadores-chave, como o meia Mario Bazina, contratado para ser o dono do time, frustraram os planos de voltar ao topo. Faltou também poder de fogo nos confrontos diretos: dos oito jogos que fez contra a dupla de cima, o Áustria venceu apenas um em cada duelo. A diferença de pontos está exatamente aí.

Sturm Graz

Colocação final: 4º, com 60 pontos
Técnico: Franco Foda
Maior vitória: Sturm Graz 6×0 SCR Altach (14ª rodada)
Maior derrota: SV Ried 4×1 Sturm Graz (8ª)
Principal jogador: Andreas Hözl (meia)
Decepção: Samir Muratovic (meia)
Artilheiro: Mario Haas (15 gols)
Copa nacional: Eliminado nas quartas-de-final pelo Áustria Viena
Competição continental: Eliminado no 2º qualifying da Copa da Uefa pelo FC Zürich (SUI)
Nota da temporada: 4

O Sturm Graz ousou e pagou o preço. Com cinco titulares da temporada passada negociados, as contratações não foram à altura e o clube apostou em promessas das categorias de base e jovens jogadores de equipes menores. A falta de experiência do elenco mais jovem da Bundesliga (média de 24,3 anos) ficou evidente em momentos cruciais, como nos confrontos diretos com os adversários de ponta, na eliminação da Copa da Uefa nos pênaltis, em casa, ou ainda na reta final do campeonato, quando engatou três derrotas seguidas e viu a vaga na Liga Europa escorregar pelas mãos. O revés na última rodada sacramentou a ausência nas competições europeias e evidenciou a necessidade de reforços urgentes para reverter o quadro em 2009/10.

SV Ried

Colocação final: 5º, com 60 pontos
Técnico: Paul Gludovatz
Maior vitória: SV Ried 4×0 SV Mattersburg (33ª rodada)
Maior derrota: Sturm Graz 3×0 SV Ried (18ª)
Principal jogador: Thomas Gebauer (goleiro)
Decepção: Bozó Kovacevic (meia)
Artilheiro: Ignacio “Nacho” Rodriguez-Ortiz e Hamdi Salihi (14 gols)
Copa nacional: Eliminado nas quartas-de-final pelo FC Trenkwalder Admira
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 7

Um campeonato que tinha tudo para dar errado deu mais certo do que se poderia imaginar. Incógnitas como Thomas Burgstaller, Florian Mader e Martin Stocklasa chegaram em cima da hora para substituir titulares importantes e renderam acima do esperado. Paul Gludovatz, então técnico da seleção sub-20, teve que transformar um elenco heterogêneo em um time e, após quatro derrotas nas sete rodadas iniciais, o rumo parecia ser a segunda divisão. Mas após acertar a defesa, o Ried não parou de crescer.

Com três zagueiros e dois laterais plantados, Gludovatz transformou os Schwarz-Grün em um ferrolho quase intransponível, que garantiu de longe a defesa menos vazada da competição, graças também aos milagres operados por Gebauer, titular de ponta a ponta. Na base do contra-ataque, o time conseguiu vitórias importantes e por pouco não brigou pela vaga na Liga Europa. Se sonhar com um novo vice-campeonato, como em 2006/07, parece distante para a próxima temporada, ao menos não haverá tantas dúvidas no início da campanha como neste ano.

Áustria Kärnten

Colocação final: 6º, com 41 pontos
Técnico: Frenkie Schinkels
Maior vitória: Áustria Kärnten 6×0 SV Kapfenberg (9ª rodada)
Maior derrota: Red Bull Salzburg 6×0 Áustria Kärnten (32ª)
Principal jogador: Zlatko Junuzovic (meia)
Decepção: Wolfgang Mair (meia)
Artilheiro: Adi (10 gols)
Copa nacional: Eliminado no 16-avos de-final pelo SV Ried
Competição continental: Nenhuma
Nota da temporada: 5

Difícil saber quanto se depende de um jogador até perdê-lo. Na primeira metade da Bundesliga, o atacante Adi, desconhecido do público brasileiro, marcou dez gols e chegou a figurar entre os principais na tábua de artilheiros. Seu desempenho chamou a atenção do Energie Cottbus, para onde foi na janela de inverno (onde jogou apenas cinco minutos o restante da temporada). A partir daí, o Kärnten, que fazia boa campanha e brigava pela terceira colocação, não se encontrou mais. Sem um nome de referência na frente, Schinkels testou várias opções sem sucesso, até que encontrou em outro brasileiro, Thiago “Schumacher”, o homem-gol que faltava.

O problema é que aí era tarde demais, e a equipe não venceu uma partida sequer nas últimas quatorze rodadas – um turno e meio, para ser mais exato. Apesar disso, o resultado final até que foi razoável, após uma turbulenta mudança de cidade que o clube sofreu no ano passado. Com estrutura de primeira e jogadores ascendente no país, como Junuzovic, dá para sonhar mais alto.

LASK Linz

Colocação final: 7º, com 37 pontos
Técnico: Andrej Panadic (até a 14ª rodada), Klaus Lindenberger (da 15ª à 27ª) e Hans Krankl (a partir da 28ª)
Maior vitória: LASK Linz 4×0 Áustria Viena (35ªrodada)
Maior derrota: Áustria Viena 5×0 LASK Linz (13ª) e Rapid Viena 5×0 LASK Linz (18ª)
Principal jogador: Florian Klein (meia)
Decepção: Markus Weissenberger (atacante)
Artilheiro: Christian Mayrleb (10 gols)
Copa nacional: Eliminado no 16-avos de final pelo FC Wels
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 4

Campanha surpreendente na temporada passada, ano do centenário e muita expectativa em Linz. Ingredientes ótimos para uma boa decepção. Tal qual Sansão e seus cabelos, o LASK perdeu boa parte de sua força com a ida do técnico Karl Daxbacher para o Áustria Viena. Sob o comando do inexperiente Andrej Panadic, o time começou bem mas logo começou a dar sinais de que teria problemas, a ponto de ser eliminado da Copa da Áustria por um time da terceira divisão.

O principal problema foi o ataque: apostando todas as fichas nos veteraníssimos Vastic e Mayrleb, que foram bem no ano passado, o clube abriu mão de reforçar o setor ofensivo e pagou caro, com uma péssima média de 0,97 gols por jogo. No total, foram 17 rodadas sem balançar as redes, oito delas de forma consecutiva. Para piorar, o também experiente meia Weissenberger, principal reforço da temporada, se viu às voltas com contusões e pouco jogou – e quando o fez, foi muito mal. Sobre para Klaus Salmutter, eterna promessa do Sturm Graz, assumir a responsabilidade, e deu no que deu. Um ano que começou com festa, com direito a amistoso contra o Real Madrid, terminou de forma melancólica.

Kapfenberg SV

Colocação final: 8º, com 36 pontos
Técnico: Werner Gregoritsch
Maior vitória: Red Bull Salzburg 2×5 Kapfenberg SV (19ª rodada)
Maior derrota: Rapid Viena 6×0 Kapfenberg SV (26ª)
Principal jogador: Michael Liendl (meia)
Decepção: Eric Akoto (zagueiro)
Artilheiro: Bernd Bernsteiner e Patrik Siegl (6 gols)
Copa nacional: Eliminado nas quartas-de-final pelo FC Magna Wr. Neustadt
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 7

Para uma primeira temporada na Bundesliga após 41 anos, sendo que o clube só disputou a Segundona no ano passado porque o GAK foi punido e rebaixado para a Terceirona, o ano do Kapfenberg foi muito acima das expectativas. A primeira metade foi difícil, lutando rodada a rodada com o Altach para ficar fora da zona da degola, mas nos turnos finais Werner Gregoritsch encontrou a formação ideal e apenas cumpriu tabela, adquirindo rodagem para o campeonato que vem. Com boa parte do elenco que subiu, Gregoritsch não precisou mexer muito na equipe nem se preocupar com esquemas táticos, e pôde se concentrar na aclimatação dos jogadores, a maioria sem experiência na primeira divisão, à nova realidade.

Neste contexto, o papel do veterano zagueiro tcheco Milan Fukal, que disputou a Euro 2000 e com passagens pelo futebol alemão, foi fundamental. O jovem meia-atacante Michael Liendl, melhor jogador da Erste Liga passada, teve tranquilidade para desenvolver seu talento e foi protagonista da maior surpresa do campeonato: a goleada aplicada fora de casa sobre o todo-poderoso Red Bull, única derrota dos campeões em seu território. Sinal de que os falcões podem fazer muito mais num futuro próximo.

SV Mattersburg

Colocação final: 9º, com 33 pontos
Técnico: Franz Lederer
Maior vitória: SV Mattersburg 3×1 SCR Altach (5ª rodada), SV Mattersburg 3×1 SV Kapfenberg (31ª) e SV Mattersburg 3×1 LASK Linkz (36ª)
Maior derrota: Red Bull Salzburg 6×0 SV Mattersburg (1ª)
Principal jogador: Ilco Naumoski (atacante)
Decepção: Mattias Lindström (meia)
Artilheiro: Ilco Naumoski (13 gols)
Copa nacional: Eliminado nas oitavas-de-final pelo Rapid Viena B
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 4

O Mattersburg foi um exemplo claro de que nada que começa mal, acaba bem. Apesar de ser um clube emergente, teve o menor orçamento da Bundesliga e contratou pouco e mal para repor ausências importantes da boa campanha passada, como Dietmar Kühbauer e Christian Fuchs. O sueco Mattias Lindström, longe de seus melhores anos no Aalborg, não foi o armador que Franz Lederer esperava e a equipe sofreu com um ataque inoperante, que chegou a passar cinco rodadas sem marcar. Carten Jancker e Thomas Wagner, já veteranos, pouco puderam fazer e coube ao irregular Michael Mörz o papel de cérebro do setor ofensivo.

Curiosamente, a campanha da reta final foi até melhor que no início (10 derrotas em 14 rodadas), mas o fantasma do rebaixamento assombrou mesmo no último turno, quando os verdes chegaram a ficar na lanterna por duas rodadas. Se alguém é responsável pela manutenção do time na Bundesliga, este é certamente Ilco Naumoski. O atacante macedônio foi o artilheiro da equipe e andou fazendo seus golzinhos pelas Eliminatórias da Copa, chamando a atenção de clubes maiores.

SCR Altach

Colocação final: 10º, com 30 pontos (rebaixado para a Erste Liga)
Técnico: Heinz Fuchsbichler (até a 8ª rodada), Urs Schönenberger (da 9ª à 22ª) e Georg Zellhofer (a partir da 23ª)
Maior vitória: SCR Altach 5×1 SV Kapfenberg (35ª rodada)
Maior derrota: Rapid Viena 8×1 SCR Altach (20ª)
Principal jogador: Alexander Guem (volante)
Decepção: Zé Elias (meia)
Artilheiro: Thomas Jun (8 gols)
Copa nacional: Eliminado no 16-avos de final pelo Rapid Viena B
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 0

O favoritismo da pré-temporada se comprovou e o Altach acabou mesmo rebaixado para a Erste Liga. O principal problema da equipe durante toda a temporada foi a defesa, que sofreu 90 gols (média de 2,5 por jogo) e se tornou a mais vazada do campeonato desde 1995/96, quando o SK Vorwärts Steyr conseguiu a proeza de não vencer nenhuma de suas 36 partidas. Heinz Fuchsbichler não conseguiu dar jeito na zaga, Urs Schönenberger testou novas opções sem sucesso e Zellhofer até que arrumou a bagunça para brigar com o Mattersburg na reta final, mas a falta de experiência do elenco e o péssimo início (12 derrotas nas 14 primeiras rodadas) pesaram pelo rebaixamento.

Foram três goleiros e seis zagueiros diferentes como titulares durante a campanha, além de sete esquemas táticos distintos. Além disso, os veteranos contratados, como Zé Elias e Aílton Queixada, pouco acrescentaram ao elenco, que não parecia acreditar em suas próprias forças. Mas também, um time que perde 22 de 36 jogos – sendo nove de goleada – não merece sorte melhor.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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