Europa

Red Bull sem asas e sem perspectivas

Sem vencer há seis jogos pela Bundesliga, despencando na tabela e com poucas chances de classificação na Liga Europa. O cenário atual não é nada animador para o Red Bull Salzburg, um dos principais times do futebol austríaco nos últimos tempos.

Campeã de três das últimas cinco edições do Campeonato Austríaco, a equipe subsidiada pela importante multinacional fabricante de bebidas não vem fazendo jus à fama da empresa, que costuma obter bons resultados nas modalidades esportivas em que põe a mão, ou melhor, o dinheiro (a Fórmula 1 está aí para provar isso).

Quando a Bundesliga 2011/12 estava para começar, os touros vermelhos eram apontados como, de longe, um dos favoritos ao título. Motivos para isso não faltavam: o time havia sido vice-campeão na temporada anterior (apenas três pontos atrás do campeão Sturm Graz) e tinha em seu elenco a promissora presença do atacante brasileiro Alan, ex-Fluminense e reforços como o atacante Leonardo, ex-NAC Breda e o volante Rasmus Lindgren, campeão holandês pelo Ajax. Isso sem contar, claro, com a injeção financeira da Red Bull, suficiente para segurar praticamente todos os jogadores — apenas dois foram negociados para outros clubes.

No início, tudo correu normalmente e as previsões se confirmaram. Depois de passar três rodadas na vice-liderança da Bundesliga, a equipe assumiu o primeiro lugar no quarto giro e lá ficou por seis rodadas. Nesse tempo, acumulou cinco vitórias, três empates e somente uma derrota, marcando 14 gols e sofrendo 5. E ainda obteve a classificação para a fase de grupos da Liga Europa.

As coisas começaram a degringolar no dia 25 de setembro, quando o Red Bull perdeu para o surpreendente Admira por 2 a 1, mas ainda sem deixar a liderança. Na partida seguinte, porém, nova derrota – dessa vez por 3 a 2 para o Áustria Viena – fez com que o primeiro posto passasse para as mãos do Almirantado, que segue na ponta até agora.

De lá para cá, considerando apenas os jogos pela Bundesliga, não houve mais vitória: foram dois empates, três derrotas, cinco gols marcados e dez sofridos. Campanha terrível, que fez os touros vermelhos despencarem para a quinta colocação.

A situação só não é pior porque, como a coluna abordou na semana passada, o Campeonato Austríaco tem seu lado Brasileirão: a turma da parte de cima da tabela costuma perder pontos bobos, na maioria das vezes com todo mundo tropeçando na mesma rodada. Com o nivelamento por baixo, a competição acaba ficando equilibrada e os sete pontos que separam o Red Bull do líder Admira não são impossíveis de serem tirados, até porque ainda faltam 22 jogos.

Mas a crise é séria. O que era tido como um dos mais fortes elencos do país agora é motivo de questionamento. Alan sofreu uma lesão nos ligamentos do joelho direito em agosto e voltou ao Brasil para passar por uma cirurgia e longo tratamento. Leonardo marcou só um gol. E Rasmus Lindgren foi titular em apenas sete das 14 partidas do campeonato nacional, a última delas há um mês.

Na ponta disso e com a cabeça a prêmio está o técnico holandês Ricardo Moniz, que assumiu o cargo na reta final da temporada passada e é dono de um discurso otimista e maluco: quer campeão austríaco e da Liga dos Campeões da Europa (!). Na última semana, depois da derrota por 3 a 0 para o Matttersburg (a pior desde maio de 2009), boatos sobre sua demissão começaram a correr por Salzburgo. Há até o nome do eventual substitut: ninguém menos que o espanhol Rafa Benitez.

Moniz já admitiu publicamente sua parcela de culpa pelo fracasso até agora. “Este é o pior momento da minha temporada. Dói muito. Estou decepcionado, mas devemos continuar lutando e pensar no futuro”, afirmou. Por outro lado, ele diz estar tranquilo em relação à sua permanência no cargo, no que, ao menos por enquanto, tem a retaguarda da diretoria. Quando as especulações sobre sua saída começaram, o diretor esportivo Heinz Hochhauser enviou nota à imprensa, afirmando que o treinador tem “a plena confiança” do clube. O problema, para Moniz, é se isso for algo como o nosso conhecido “ele está prestigiado”.

Num primeiro momento, dizer que um time austríaco conseguiria contratar Rafa Benitez parece soar fora de propósito. Apesar de estar sem trabalho desde o ano passado, trata-se de alguém que já passou por clubes do porte de Valencia, Liverpool e Internazionale e ostenta no currículo títulos espanhóis, da Copa da Uefa, Copa da Inglaterra e Liga dos Campeões. Porém, não se pode esquecer que a Red Bull é capaz de investir pesado e já teve sentada em seu banco de reservas a dupla Giovanni Trapattoni e Lothar Matthäus.

O futuro de Moniz e do próprio time dependem muito do que ocorrerá no difícil duelo da próxima rodada. No domingo (20), os touros vermelhos vão até Viena encarar o Rapid, atual terceiro colocado e suposto adversário direto na briga pelo título. Um bom resultado pode dar sobrevida ao treinador e ânimo novo à equipe. Em caso de nova derrota, porém, certamente os cartolas da multinacional não vão hesitar em fazer o que cartolas do mundo todo fazem nesses momentos de crise: dizer que o técnico foi muito importante, que são gratos a ele, mas que será preciso começar uma nova fase. E, nesse caso, será mesmo.

CURTAS

ÁUSTRIA

– Com quatro pontos ganhos no grupo F (contra sete de Paris Saint-Germain e dez de Athletic Bilbao), as chances de classificação do Red Bull na Liga Europa ainda existem, mas são difíceis. O time precisa vencer o PSG no dia 1º de dezembro em casa e jogar a sorte na Eslováquia, onde enfrenta o lanterna Slovan Bratislava (um ponto) no dia 14.

– O sorteio das quartas de final da Copa da Áustria apontou um jogo inusitado: Red Bull Salzburg x Red Bull Salzburg categoria juniores. Apesar do estranhamento que o duelo causa, a Federação Austríaca assegura a realização da partida, mas já admite rever a participação de duas equipes de um mesmo clube na competição a partir da próxima temporada.

– As demais partidas das quartas de final serão: Sturm Graz x TSV Hartberg, Grödig x Ried e Austria Lustenau x Áustria Viena. Todos os jogos ocorrem dia 10 de abril de 2012.

– Adi Pinter, um senhor de 63 anos de idade, foi protagonista de uma das cenas mais bizarras do futebol mundial no final de semana. Treinador do Superfund Pasching, da terceira divisão austríaca, ele não se aguentou quando o time foi enfrentar o Grazer AK, em Graz. O GAK, como é conhecido o clube, foi a equipe defendida por Pinter em toda sua carreira de jogador e onde trabalhou como técnico no final da década de 1980.

– Antes do jogo começar, em frente a 3.654 torcedores de seu ex-clube, Pinter começou a despir a parte de cima do corpo. Em suas costas nuas, uma enorme pintura com o nome do time: GAK.

– Incrivelmente, ele ainda se vestiu com um sobretudo e foi ao banco de reservas dirigir o Pasching, que apanhou de 6 a 0. Pinter foi demitido após a partida.

– Começa nesta terça-feira (15), em amistoso na Ucrânia, a era Marcel Koller como técnico da seleção austríaca.

SUÍÇA

– O Basel repatriou o zagueiro Philipp Degen, ex-Borussia Dortmund e Liverpool. Aos 28 anos e com 32 jogos pela seleção suíça, ele retorna ao clube que o revelou.

– A Suíça comemorou o empate da seleção por 0 a 0 com a Holanda, em amistoso disputado semana passada em Amsterdam. Para o técnico Ottmar Hitzfeld, o termômetro de que os suíços jogaram bem foram as vaias recebidas pelos holandeses de sua própria torcida. O destaque da Nati foi o goleiro Benaglio, autor de importantes defesas.

– Nesta terça-feira (15), a Suíça faz novo amistoso, novamente fora de casa, desta vez contra Luxemburgo.

– Apenas um jogo movimentou a Challenge League no final de semana: Winterthur 0 x 0 Locarno. O St. Gallen lidera a competição, com 31 pontos, seguido do Bellinzona, que tem 24.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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