Presidente da Uefa fala em reformar sistema de transferências para combater o desequilíbrio
Eleito presidente da Uefa meses depois da mudança de regras da Champions League, Aleksander Ceferin, está preocupado com o desequilíbrio do futebol europeu. Falando em uma conferência em Lisboa, o esloveno deu exemplos de maneiras para combatê-lo: impostos, limite para os elencos e uma reforma no sistema de transferências. Ele não entrou em detalhes, mas prepara-se para a reunião anual da entidade europeia, no próximo mês, em Helsinki.
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“A distância da vez maior entre alguns de nós pode ser acelerada pela globalização e pelas mudanças tecnológicas. Não podemos permitir que a grandeza de alguns ofusque o resto. Se permitirmos que a distância torne-se grande demais, vamos estar negligenciado aqueles que têm poucas oportunidades. Estamos diante da ameaça de que o piso se torne instável porque o resto do mundo está concentrado no topo”, afirmou.
Uma grande preocupação manifestada por Ceferin é o armazenamento de jogadores. Clubes como Chelsea e Juventus que contratam jovens promessas de ligas secundárias da Europa e passam anos emprestando-as para outros clubes. Os ingleses de Londres têm mais de 30 atletas nessa situação. A Velha Senhora, mais de 50. “Precisamos avaliar se o (atual formato do) mercado de transferências é o melhor que podemos fazer”, disse. “Não podemos ter medo de mexer neles. Precisamos examinar novos mecanismos, como impostos e critérios esportivos, como limitação de elencos e regras de transferência justas, para evitar o armazenamento de jogadores e a excessiva concentração de talentos em poucos times”.
As propostas de Ceferin certamente vão incomodar os principais clubes da Europa, que já ameaçaram com a criação de uma Superliga Europeia. Por enquanto, parecem satisfeitos com as mudanças da Champions League, que garantem 16 vagas na fase de grupos para as quatro maiores ligas. “Você não pode ignorar o fato de que os cinco maiores países são responsáveis por 86% da receita e levam 60% das receitas, então você tem que ser diplomático, tem que ser inteligente”, afirmou. “A Uefa tem o dever de proteger todo o futebol, não apenas a elite”.
Os mesmos três clubes – Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique – foram campeões nas últimas quatro edições da principal competição europeia, com presença constante nas semifinais e elencos notadamente mais poderosos que os da concorrência. Colocando Juventus e Paris Saint-Germain no grupo, são equipes que estão dominando as suas ligas nacionais com folgas, com poucas exceções (o Atlético de Madrid, em 2014, e o Monaco nesta temporada, por exemplo).



