Perseguição declarada

A campanha no segundo semestre de 2010 foi realmente modesta. Eliminações consecutivas na Liga dos Campeões e na Liga Europa, oscilações na tabela do Campeonato Turco, derrotas para clubes de menor tradição, nenhuma vitória em clássicos. Mas, enfim, o Fenerbahçe está recuperado. O desempenho no returno da Süper Lig é a maior prova disso: foram cinco vitórias em cinco partidas. Os Sari Kanaryalar se mostram vivos novamente e prontos para barrar o até então inalcançável Trabzonspor na disputa pela ponta da tabela.
A diferença entre as duas equipes já foi pulverizada. No começo de janeiro, ambos estavam separados por nove pontos. Agora são somente dois. O Fener chegou até mesmo a assumir a liderança parcial nesta rodada, antes de o Trabzonspor realizar a sua partida diante do Manisaspor. E a clara queda de produção do clube treinado por Senol Günes endossa mais uma troca de posições em breve.
Os Bordo-Mavililer, que perderam somente nove de cinquenta e um pontos disputados no primeiro turno, não ostentam o mesmo desempenho. Foram dois empates e uma derrota desde o retorno da competição. Somente nas últimas duas rodadas é que o time de Trebizonda soube novamente o que era uma vitória. E, a bem da verdade, contra adversários que não passam da zona intermediária da tabela.
O Fenerbahçe, por sua vez, foi ajudado também pelos tropeços do Bursaspor, outro que aparecia forte na disputa pela taça. Os Yesil Timsah, antes quatro pontos acima do gigante de Istambul, perderam o fôlego e agora estão com uma vitória de desvantagem. Mesmo vencendo o Galatasaray nas últimas rodadas, o atual campeão turco perdeu alguns pontos em empates e, neste fim de semana, foi humilhado pelo Gaziantepspor. Em Bursa, a equipe permitiu ser goleada por 4 a 1.
Pouco se importando com a má fase dos concorrentes, o Fener emplacou grandes atuações desde o início de 2011. Ainda que a eliminação na Copa da Turquia tenha sido frustrante, os resultados da Süper Lig fizeram a torcida esquecer o fracasso rapidamente. Dos cinco jogos realizados, três deles foram realizados contra grandes forças. Além de Antalyaspor e Manisaspor, foram derrotados também o próprio Trabzonspor e o Kayserispor. No último domingo, a vítima foi o Besiktas.
A partida ante o rival de Istambul, aliás, vale bastante para caracterizar a grande fase dos Fenerbahçe. Mesmo jogando no Fiyapi Inönü, casa do adversário, e ficando em desvantagem no placar durante os primeiros minutos do segundo tempo, os Sari Kanaryalar apresentaram toda a sua força. Foram três gols em apenas dez minutos, garantindo a virada por 4 a 2. Todos eles marcados por Alex, que ainda havia participado da jogada do primeiro tento.
O brasileiro, inclusive, é o grande diferencial dos Sar?-Lacivertliler na busca pelo título. Por mais que os outros postulantes ao campeonato tenham bons jogadores, nenhum deles tem o poder de decisão de Alex. Dos doze gols marcados neste returno, o meia teve participação direta em oito deles. Ao todo, Alex balançou as redes 16 vezes, além de servir nove assistências. A cada dois gols do clube, um tem interferência direta do camisa 10.
Caso Alex não funcione sempre, o treinador Aykut Kocaman possui excelentes outras alternativas do meio para frente. Niang, Dia, Semih, Emre e Topuz também possuem os seus predicados. Mais atrás, mesmo que a equipe tenha patinado no primeiro turno, há qualidade comprovada. Poucos goleiros do país são tão confiáveis quanto Volkan Demirel e na proteção da defesa há Diego Lugano.
Pelas próximas três rodadas, o Fenerbahçe deve permanecer em alta, já que os confrontos contra rivais modestos não impõem medo. A prova de fogo acontecerá entre as rodadas 26 e 29, quando a equipe enfrenta, na sequência, Galatasaray, Bursaspor, Eskisehirspor e Gaziantepspor. Caso não encontre dificuldade nestes jogos, a ascensão definitiva pode acontecer nas últimas cinco rodadas, quando novamente não há grandes desafios pela frente. A arrancada rumo ao título está só começando.
Tudo resolvido?
Enquanto os líderes se embolam no Campeonato Turco, a Super League parece encaminhada para um resultado definitivo. O segundo turno grego passou da metade neste último final de semana. E, com dez pontos de vantagem, o Olympiacos já põe uma mão e quadro dedos na taça nacional. Ainda sem perder um único ponto desde a volta do torneio em janeiro, a Thrylos engatou uma sequência de 11 vitórias consecutivas na competição.
O que credenciou mais o Olympiacos rumo às cabeças, no entanto, foi o êxito obtido no final de semana. No encontro ante o grande rival na corrida pelo título, o Panathinaikos, a equipe de Pireu não deu margem alguma a seus rivais. Começou vencendo o clássico por 1 a 0, gol de Mirallas após bela cobrança de falta ensaiada. Os Kokkini até tiveram a chance de empatar durante a primeira etapa, mas não conseguiram furar a barreira do PAO.
Melhor na volta do intervalo, foi o Panathinaikos quem capitalizou as chances de gol até chegar ao empate com Leto, em outro lance de bola parada. Os Prasinoi pressionaram ainda mais depois do gol, chegando a ter mesmo um gol anulado de forma controversa. Contudo, o Olympiacos fez valer o mando de campo no último minuto de jogo. Após bola escorada na área, Djebbour, em posição duvidosa, deu números finais à partida.
Por fim, mais polêmico do que os lances com a bola rolando foi o clima de guerra criado após o apito final. Torcedores do Olympiacos invadiram o campo para agredir os jogadores adversários e, infelizmente, conseguiram o que queriam. O Panathinaikos promete processar o presidente da Thrylos, Vangelis Marinakis, a quem acusaram ser conivente com os ocorridos, não fazendo nada para proteger os rivais. Já são especuladas punições severas ao clube de Pireu e até mesmo o governo grego veio se manifestar sobre o caso. A intenção inicial é apertar o cerco contra os vândalos, através de uma série de restrições na entrada aos estádios do país.
Por enquanto, o que já é certo é a disparada dos Kokkini na ponta da tabela. Para as próximas rodadas, apenas três adversários um pouco mais duros: PAOK, AEK e Kavala. Considerando a atual fase da equipe treinada por Ernesto Valverde, dificilmente o título escapará, ainda que o Panathinaikos tenha confrontos mais fáceis. Ao que parece, o grito de campeão é só uma questão de tempo em Pireu.



