Europa

Paz forçada no dérbi

A história do dérbi de Viena nº 297, em que 200 torcedores do Rapid invadiram o campo e impediram a continuidade do jogo, já foi contada aqui. Mas os seus desdobramentos continuam desde então e vão perdurar durante um bom tempo nos gramados e bastidores da Bundesliga austríaca.

Os rivais voltaram a se encontrar neste domingo e o resultado foi o mesmo da partida que ganhou destaque no mundo todo em maio, por causa da ação dos hooligans neonazistas: Rapid Viena 0x3 Austria Viena. A diferença é que, agora, o placar foi construído dentro de campo, enquanto no final da temporada passada ele foi determinado pela justiça desportiva da Áustria.

Com a bola rolando, a superioridade dos violetas foi indiscutível e traduzida nos gols de Barazite (logo aos 15 minutos), Junuzovic (7’ do segundo tempo) e Roland Linz (21’ do segundo tempo). Triunfo suficiente para deixar o Áustria Viena na vice-liderança da Bundesliga (apenas um ponto atrás do líder Red Bull Salzburg) e o Rapid em quarto.

Foi a 109ª vitória violeta sobre seu maior adversário. Apesar da crise que atravessa há um bom tempo, porém, o Rapid ainda é melhor no retrospecto: ganhou o dérbi 124 vezes. Houve ainda 65 empates.

O que mais importou no clássico, desta vez, foi que com exceção do resultado em si (evidentemente muito desagradável para o lado verde), todos saíram ilesos. Literalmente falando. Não houve confrontos, ameaças ou qualquer tipo de incitação explícita à violência.

As medidas prometidas pela diretoria do Rapid depois dos vergonhosos fatos ocorridos em maio foram efetivamente tomadas. O time, por exemplo, abriu mão de jogar em sua casa, o Gerhard Hanappi-Stadion, para mandar o jogo no Ernst Happel Stadion, maior, mais confortável e seguro. Não à toa, o público registrado foi de 31.800 torcedores, nada mal para uma partida de risco, ainda mais levando-se em conta o calor de mais de 30 graus.

Cartazes, faixas e sinalizadores foram proibidos na torcida alviverde. Parte dela não gostou da medida e usou o silêncio como meio de protesto. Assim, apesar da maioria absoluta no estádio, poucos cânticos favoráveis ao Rapid foram ouvidos.

Já os adeptos do time visitante, que ficaram isolados num canto do Happel, abriram suas faixas normalmente. Nesse ponto, as medidas de combate à violência tomadas pela diretoria do Rapid Viena são curiosas, pois valem somente para sua própria torcida e não para todos que estão no estádio.

Quem entrou no lado verde e branco do Happel precisou passar, além da revista de praxe, por uma identificação – o Rapid começou a identificar seus torcedores logo depois da confusão de maio, na tentativa de diminuir a impunidade aos baderneiros.

Possíveis problemas com confrontos de torcedores rivais foram evitados pela ação da polícia vienense, que escoltou os fãs do Áustria Viena por um caminho de cerca de meia hora até o estádio.

Em resumo, o objetivo de dar paz ao principal jogo de Viena foi alcançado. Claro que isso traz consigo a necessidade de ações parecidas nos próximos dérbis. E serão mais três até o final do campeonato, entre eles o de número 300, que terá desejo especial de vitória de ambos os lados.

Mas como nem tudo é perfeito, um fato ocorrido no domingo merece atenção especial e muito cuidado por parte das autoridades e agentes de segurança. A torcida do Áustria Viena abriu rapidamente uma faixa em solidariedade aos rivais do Rapid, pedindo o fim da proibição de faixas, cartazes e sinalizadores. Pode parecer estranho, mas basta lembrar que os próprios violetas se desculparam publicamente com os alviverdes por, em maio, não terem também eles invadido o campo para um confronto direto. Ocorre que naquela época o Áustria Viena lutava pelo título e tal ação poderia prejudicar o time.

Parece claro, portanto, que a paz no futebol da capital austríaca foi obtida neste primeiro momento. Mas que muito ainda há de ser feito para que Rapid Viena x Áustria Viena volte a ser um dérbi eletrizante somente no campo esportivo.

Nas competições europeias

Nos jogos de ida dos play-offs da Liga dos Campeões da Europa, deu a lógica para os times de Áustria e Suíça. O Sturm Graz, apesar de não jogar bem, arrancou um empate por 1 a 1 na Bielorrússia contra o Bate Borisov e agora pode empatar sem gols em casa para chegar à fase de grupos. Em Graz, só não poderá jogar tão na retranca como fez fora de casa.

Já o Zürich, como era esperado, foi derrotado pelo Bayern, na Alemanha: 2 a 0. Só um milagre será capaz de classificar os suíços, mas a expectativa é de casa cheia no estádio Letzigrund por torcedores que querem ver de perto as estrelas da Bavária.

Nos play-offs da Liga Europa, destaque entre os austríacos para o Áustria Viena, que jogou em casa e fez 3 a 1 sobre o Gaz Metan. O Ried também jogou em seu campo e empatou por 0 a 0 com o PSV, enquanto o Red Bull vai ao Chipre e perdeu para o Omonia: 2 a 1.

Entre os times suíços, os dois que jogaram fora conseguiram bons 0 a 0, especialmente levando-se em conta a tradição dos adversários. O Sion obteve o resultado contra o Celtic e o Young Boys, contra o Braga. Já o Thun perdeu em casa para o Stoke por 1 a 0.

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Equipe Trivela

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