Europa

Opostos que não se atraem

Ao final da edição 2007/08 da Swiss Super League, duas campanhas chamaram a atenção – mais até do que a excelente performance do Young Boys, impulsionado pelas grandes atuações de Hakan Yakin: FC Aarau e FC Luzern, clubes bastante modestos, brigaram até as últimas rodadas por uma vaga nas copas européias e terminaram com números bem parecidos.

Pouco mais de três meses depois, a situação de ambos é bem diferente. Enquanto um perdeu vários jogadores graças à boa campanha, outro veio com um orçamento recorde para se consolidar entre as principais forças; enquanto um é vice-líder e único invicto passadas sete rodadas, outro amarga seis derrotas, um empate e o pior início de campeonato dos últimos vinte anos.

Agora responda: qual clube se encaixa em cada situação? O provável seria que aquele que investiu esteja na ponta, enquanto que o que perdeu peças importantes sofra as conseqüências. Mas, também na Suíça, onde normalmente reina o equilíbrio, o futebol prega das suas: ao mesmo tempo em que o Aarau, apesar das baixas, é a sensação do primeiro turno, o Luzern, que investiu pesado para os padrões do clube, pena na lanterna a cinco pontos do penúltimo colocado.

O de cima sobe…

Quinto colocado na temporada passada, o Aarau perdeu quatro titulares, justamente os que formavam a espinha dorsal da equipe: o goleiro Massimo Colomba, o zagueiro Sven Christ e os meias Mesbah e Sermeter. Para repor as ausências, Ryszard Komornicki subiu dois garotos do time sub-20 e trouxe peças apenas para compor elenco. O entrosamento dos que permaneceram em Brügglifeld, além da boa média de (25 anos) tem sido a principal arma.

No gol, Ivan Benito tem se mostrado muito seguro – é o menos vazado, com apenas seis gols. Outro nome importante é Mario Mutsch. Aos 23 anos, o lateral-direito de Luxemburgo é considerado o melhor defensor do campeonato até aqui, oferecendo segurança e proteção ao meio, além de apoiar com qualidade – já anotou duas assistências.

O destaque na armação é Sandro Burki, meia central que distribui e pensa o jogo alvinegro. Aos 22 anos, recebeu sua primeira convocação no amistoso em que a Suíça goleou o Chipre por 4 a 1. Por fim, o principal nome da equipe e do campeonato até aqui é o romeno Cristian Ianu. Artilheiro com seis e líder nas assistências com quatro, teve participação direta em dez dos doze gols marcados pelo time. Ao seu lado, o brasileiro Rogério forma uma das duplas mais entrosadas e perigosas da Super League.

Um time jovem, sem pressão e um técnico com respaldo da diretoria para experimentar e inovar. Com esses ingredientes, o Aarau chega ao final do primeiro turno deixando cada vez mais de ser surpresa para se tornar realidade no topo da tabela.

…e o de baixo desce

O Luzern, por sua vez, parece ter feito tudo errado em sua preparação. Apesar do maior orçamento da história do clube (seis milhões de euros) para contratações, elas parecem não ter sido muito bem feitas. Mauro Lustrinelli, o homem de área do 4231 montado por Ciriaco Sforza, ex-ídolo da seleção, foi para o Bellinzona e o time ficou sem referência. O italiano Jacopo Ravasi chegou credenciado por uma boa segunda divisão em 2007/08, mas nos primeiros seis jogos da temporada, a equipe marcou apenas três gols.

Para piorar, a defesa – que não era exatamente um prodígio, mas se garantia – manteve a mesma formação, mas parece ter desandado. Com quatorze gols sofridos, a média é de dois por jogo. Após as três derrotas iniciais, o time abriu 2 a 0 sobre o Bellinzona, mas cedeu o empate. Com o quarto insucesso em cinco rodadas, Sforza não agüentou a pressão e deixou o clube, após dois anos e meio. Curiosamente, o técnico acabou caindo justamente após a derrota para o Aarau.

Outra derrota, sob o comando do interino Jean-Daniel Gross, mostrou um time apático, sem criatividade e poder de reação. A diretoria correu para encontrar um novo nome, e após as recusas de Falko Goetz e Wolfgang Wolf, o ticino Roberto Morinini foi o escolhido. Durante a apresentação do novo técnico, o presidente dos leões, Walter Stierli, criticou Sforza por dar uma “mentalidade muito latina à equipe”, jogando muito aberto.

Morinini chega, portanto, com a missão de transformar os jogadores em uma equipe de fato, mais sólida na defesa e eficiente no ataque. O trabalho não será fácil: na estréia, alguns sinais de melhora e o FCL chegou a liderar o placar por duas vezes, mas acabou derrotado pelo Grasshoppers por 4 a 2. Sinal de que a temporada será longa – e a luz no fim do túnel, bem fraca.

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