Europa

O título veio fácil. Agora, o Celtic de Rodgers busca entrar para a história

Julho havia apenas começado, nove meses atrás, e o Celtic havia sido derrotado pelo Lincoln Red Imps, clube da minúscula Gibraltar. Quem iria imaginar que a temporada seria tão boa? Praticamente perfeita? Abril acabou de começar, e o Celtic já é campeão escocês, pela sexta vez seguida e a 48ª na história. O título era apenas uma questão de tempo e foi sacramentado na manhã deste domingo, com goleada por 5 a 0 sobre o Heart. Os homens de Brendan Rodgers abriram 25 pontos de vantagem para o segundo colocado, a oito rodadas do final.

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A conquista poderia ter saído na sexta-feira, caso o Aberdeen, segundo colocado, tivesse tropeçado contra o Dundee, o que passou longe de acontecer (goleada por 7 a 0, fora de casa). A campanha do Celtic é irrepreensível: 86 pontos em 90 possíveis, com 28 vitórias, dez por três ou mais gols de diferença, e dois empates; com 81 gols marcados, não passou nenhum jogo sem colocar uma bola na rede e fez pelo menos quatro tentos dez vezes; com apenas 18 gols sofridos, o goleiro terminou 17 partidas sem ser vazado.

O coletivo muito bem organizado por Brendan Rodgers ajudou vários jogadores a se destacarem. Scott Sinclair é um exemplo. O atacante de 28 anos, que não se firmou na Premier League, mesmo com chances em equipes como Chelsea, Swansea, Manchester City e Aston Villa, marcou nas seis primeiras rodadas e, com uma tripleta no jogo do título, chegou a 18 no Campeonato Escocês, do qual é o principal artilheiro. “Nos últimos anos, não estive jogando bem e não jogava toda semana. Agora, posso mostrar minhas qualidades”, disse, duas semanas atrás. “É estabilidade e estou tendo isso. Você pode ver no campo que estou feliz. Estou marcando gols e estamos ganhando jogos. O principal é gostar de jogar futebol e jogar toda semana, recuperar o amor pelo jogo, e estou conseguindo”.

 

Apenas Sinclair marcou mais que Moussa Dembélé (17) na liga escocesa. Mas, na temporada, o prodígio francês de 20 anos reina absoluto, com 32 gols em 46 partidas por todas as competições. Números impressionantes que chamaram a atenção dos ricos e poderosos da Europa, mas Rodgers acredita que Dembélé fique mais uma temporada na Escócia. Para dar uma ideia mais clara do domínio do Celtic, a dupla Dembélé e Sinclair marcou 35 vezes, mais do que sete das 11 equipes restantes. O Rangers, por exemplo, fez 43 gols. A forma dos dois fez com que Leight Griffiths, goleador da equipe na última temporada, perdesse espaço, mas o escocês ainda foi capaz de contribuir com oito tentos.

O meio-campo foi muito bem defendido pelo capitão Scott Brown, com Patrick Roberts, Stuart Armstrong e Tom Rogic brilhando na armação. Rogic, machucado, não atua desde novembro, mas conseguiu seis gols em 14 rodadas do Campeonato Escocês, mesmo jogando mais recuado que um atacante. Kolo Touré foi mais importante na experiência do que em campo. Aos 36 anos, foi titular nas quatro primeiras rodadas e depois jogou apenas mais três vezes. O marfinense, porém, pode conquistar o segundo título nacional invicto da sua carreira.

Esta tem que ser a ambição do Celtic no momento. Seria a maneira de realmente colocar esta equipe na história, porque, desde a primeira edição do Campeonato Escocês, houve apenas dois campeões invictos e faz tempo: o próprio Celtic, em 1897/98, com 15 vitórias e três empates; e o Rangers, na temporada seguinte, com 100% de aproveitamento. O feito, hoje em dia, seria um pouquinho mais impressionante por se tratar de um torneio com 38 rodadas, não apenas 18. E tem mais: o Celtic já venceu a Copa da Liga Escocesa e está nas semifinais da Copa da Escócia, contra um tal de Rangers, e também ambiciona a Tríplice Coroa nacional. Seria a quarta da sua história e a primeira desde 2001. O grande rival levou todos os troféus para casa sete vezes. A temporada ainda não acabou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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