Europa

O Red Bull Salzburg renova mais uma vez sua dinastia na Áustria, com o oitavo título seguido

Salzburg fez uma campanha dominante de ponta a ponta e estará na última fase preliminar da Champions

Uma das maiores hegemonias do futebol europeu se ampliou um pouco mais nesta quarta-feira. Pelo oitavo ano consecutivo, o Red Bull Salzburg se proclamou campeão na Áustria. Se na temporada passada até pareceu que o LASK Linz poderia romper a dinastia dos Touros Vermelhos, desta vez ninguém teve gás suficiente para acompanhá-los. O time de Jesse Marsch dominou a competição de ponta a ponta, dando uma despedida em grande estilo ao treinador, que irá dirigir o RB Leipzig na próxima temporada. Com a festa ensaiada há tempos, ela se consumou graças à vitória por 2 a 0 sobre o Rapid Viena na Red Bull Arena, com duas rodadas de antecedência. Com o título, o Salzburg entra na última fase preliminar da Champions League.

O Red Bull Salzburg chegou a emendar seis vitórias consecutivas no início do Campeonato Austríaco. Até atravessou um momento mais instável no final de 2020, com uma série de tropeços, mas a pronta recuperação em 2021 aliviou qualquer dificuldade. Foram mais seis triunfos em sequência que deram conforto na primeira colocação. Desde janeiro, os Touros Vermelhos ganharam 16 dos 19 compromissos disputados pela Bundesliga, com apenas duas derrotas. Assim, não teve quem atrapalhasse as chances da equipe de Jesse Marsch, nem mesmo no hexagonal final.

Vice-líder, o Rapid Viena chegou ao confronto direto desta quarta com nove pontos a menos e precisava da vitória de qualquer maneira para manter suas chances matemáticas. Não foi o que aconteceu. O Red Bull Salzburg garantiu o triunfo por 2 a 0, com dois gols de Patson Daka. O centroavante, aliás, foi o grande protagonista nesta campanha. O zambiano de 22 anos somou 26 gols em 26 partidas. Quem também arrebentou foi Sekou Koita, que fez 14 tentos em 16 jogos, mas não pôde ampliar a marca ao pegar uma suspensão de três meses por doping. Outra referência no setor ofensivo é Mergim Berisha, que ajudou com 11 gols e 10 assistências. A saída de Dominik Szoboszlai ao RB Leipzig nem faria muita falta.

A conquista também encerra de maneira vitoriosa o ciclo de Jesse Marsch. O americano vinha de um bom trabalho no New York Red Bulls e conseguiu elevar o patamar do Salzburg, mesmo com a dura missão de substituir Marco Rose. O treinador conquistou o bicampeonato nacional e também os dois títulos na Copa da Áustria. Mais importante, colocou os austríacos por duas vezes na fase de grupos da Champions League, algo inédito para o clube, diante da sina de cair nas preliminares. A maneira como lidou com a saída de jogadores de peso, como Erling Braut Haaland, foi outro ponto marcante nessa passagem. Sai como moral para substituir Julian Nagelsmann no Leipzig.

A conquista do Red Bull Salzburg confirma a hegemonia do clube desde a chegada da empresa de energéticos. Este é o 15° troféu da agremiação, os três primeiros conquistados nos anos 1990, como Casino Salzburg. A entrada da Red Bull aconteceu em abril de 2005 e, desde então, foram 12 taças e quatro vices em 16 temporadas da Bundesliga. Antes disso, o recorde de títulos consecutivos tinha sido do Austria Viena, com um tetra consumado em 1980/81. O atual octa reforça como o poderio da Red Bull tornou o Salzburg praticamente imbatível. O dinheiro de premiação da Champions aumenta ainda mais essa força. Somente as potências Rapid (32) e Austria Viena (24) possuem mais taças.

A saída de Jesse Marsch leva o Red Bull Salzburg a um breve momento de renovação. Seu substituto já foi definido: Matthias Jaissle, treinador do Liefering, a filial que disputa a segundona austríaca. Aos 33 anos, é mais um pupilo de Ralf Rangnick, já que jogou sob as ordens do treinador no Hoffenheim até encerrar a carreira precocemente por lesão. Há um ciclo que se alimenta, até pela capacidade da Red Bull em revelar técnicos em sua estrutura esportiva. Além do mais, o trabalho já mostrou diversas vezes como não depende apenas de nomes, com as conquistas se emendando mesmo com a saída de jogadores promissores. O investimento contínuo na observação de talentos e comandantes que pensem no sistema são a chave. Assim, o Salzburg criou sua dinastia na Áustria. E, enquanto o dinheiro da Red Bull pingar por lá, junto com suas ideias, tal reinado não vai se encerrar tão cedo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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