Europa

O gelado mercado de inverno

Enquanto o Fórum Social Mundial, em Belém, promove discussões acerca de diversos assuntos – entre eles, o aquecimento global –, o Fórum Econômico Mundial na gélida Suíça analisa a maior crise econômica desde o crash de 1929. Também nos Alpes, outro mercado tem sofrido mais o efeito do rigoroso inverno do que das altas temperaturas: as transferências nos campeonatos suíço e austríaco aconteceram até em maior número do que nos grandes centros da Europa, mas não devem motivar ninguém a deixar o conforto de casa para ir aos frios estádios quando os campeonatos voltarem.

É óbvio que não se poderia esperar muitas contratações de peso em ligas que correspondem apenas à 18ª (Suíça) e 23ª (Áustria) colocações no ranking de valor de mercado do continente. Ainda assim, mesmo as equipes que precisam correr atrás para sonhar com o título ou escapar do rebaixamento pouco fizeram. As mudanças, em sua maioria, são apenas dispensas e jogadores para compor elenco. A janela de transferências ainda não se fechou e os últimos dias costumam ser os mais movimentados, mas já da para se ter um panorama do que mudou para a seqüência da temporada.

Dia do fico?

O maior assunto do mercado de inverno na Áustria não é sobre o que aconteceu, mas sim o que não aconteceu – ao menos ainda. Considerada a maior barbada de janeiro, a transferência de Marc Janko não saiu do campo da suposição. O atacante líder da corrida pela chuteira de ouro da Europa recebeu mais de uma dezena de sondagens, mas o valor pedido pelo clube foi considerado muito alto – nove milhões de euros, o que há pouco tempo seria uma ninharia. O Blackburn foi quem mais insistiu em negociar, mas a oferta de 6,3 milhões foi sequer considerada. Pesou também a palavra do jogador, que afirmou não ter interesse em deixar a Áustria agora, mas é certo que se as propostas fossem mais generosas, sua convicção não seria tão forte.

Quem mais contratou até agora foi quem mais precisa – o lanterna Altach trouxe quatro jogadores, incluindo o volante Markus Kiesenebner, com várias passagens pela seleção austríaca e que não teve muito sucesso no Lillestrom, da Noruega. Aílton deixou o clube e volta ao Metalurg Donestk ao término do empréstimo. Queixada teve até uma boa passagem: foram sete gols e duas assistências em doze jogos. A barca também foi a maior: outros cinco jogadores deixaram o time de Zé Elias, entre eles o goleirão Mario Krassnitzer, que sofreu 29 gols em 11 jogos no início do campeonato – quase três por partida.

Dentre os grandes, o Salzburg comemorou a permanência de Janko e trouxe apenas o lateral-esquerdo Andreas Ulmer, destaque do SV Ried, e o goleiro sueco Eddie Gustafsson, já convocado algumas vezes. Os Touros emprestaram ainda jogadores pouco utilizados, como o experiente meia sérvio Sasa Ilic, que teve poucas chances e foi para o Larisa, da Grécia.

Para quem precisa tirar pontos de vantagem, os concorrentes pouco se mexeram: o Sturm Graz trouxe o irregular atacante Dominic Hassler e o goleiro bósnio Zdenko Baotic, titular da seleção sub-20 mas que não se firmou na principal. O Rapid promoveu o lateral-direito Tanju Kayhan, de 19 anos, e trouxe o desconhecido goleiro sérvio Nikola Kovacevic, em substituição a Georg Koch, cujo contrato não foi renovado. Já o Austria Viena, nem isso: sequer mexeu no elenco, apenas se esforçando para segurar o zagueiro titualr Frank Schiemer, que teve seu nome ligado a uma possível saída rumo ao Red Bull. Para os últimos dias de janela aberta, as atenções se voltam para uma possível saída de Stefan Maierhofer, vice-artilheiro do campeonato, do Rapid, e de Johan Vonlanthen, descontente com a reserva no Red Bull.

Mais para os que têm menos

Já na Suíça, a feira está muito mais interessante. No que pese o fato dos grandes pouco se mexerem, os pequenos – e que está indo pior do que imaginava – promovem mudanças substanciais nos elencos. Após o presidente Christian Constantin assumir a função de forma emergencial, o Sion finalmente foi às compras para trazer um técnico novo, mas não achou muita coisa. Umberto Barberis, treinador das bases, acabou efetivado e fará parceria com Christian Zermatten, técnico rodado das divisões inferiores que ganha sua primeira chance na Super League. Além disso, para aumentar o número de nacionalidades de uma verdadeira Torre de Babel, três africanos chegaram: o atacante angolano Guilherme Afonso, o volante congolês Enes Firmino e o zagueiro nigeriano Yusuf Mohammed.

O Sion só não contratou mais que o Vaduz, que já era quem tinha comprado mais jogadores na pré-temporada. Ameaçado pelo rebaixamento, o time de Liechtenstein trouxe o veterano atacante marfinense Eugène Dadi do Perth Glory, da Austrália. E para melhorar a defesa, dois nomes interessantes: o jovem goleiro alemão Thorsten Kirschbaum, segundo reserva no Hoffenheim, chega para ser titular com a saída de Sommer para o Basel. E do Colônia vem o zagueiro/lateral Tobias Nickenig, com passagem pelas seleções de base da Alemanha. O Bellinzona contratou quatro para tentar fugir do rebaixamento, entre eles o argentino Emiliano Dudar, ex-Vasco que estava no Olimpo da Argentina, 15º lugar no Clausura 2008. Certeza de grandes emoções.

A maior aquisição até agora foi mesmo do líder Zürich, que repatriou o selecionável Xavier Margairaz. O meia que participou da Copa de 2006 foi emprestado pelo Osasuña até o final da temporada, já que rompeou os ligamentos em fevereiro, voltou em outubro mas não teve chances nos Rojillos em 2008/09. A expectativa é que ele possa repetir seu desempenho em 2006/07, quando levou o Zuri ao título nacional e se destacou a ponto de despertar o interesse do clube espanhol.

Dentre os concorrentes, o Basel não contratou ninguém mais que a vinda já confirmada antes do goleiro Sommer. Grasshopper e Young Boys não compraram, mas venderam bem: os gafanhotos receberam 1,2 milhão de euros do Sochaux pelo bom lateral-esquerdo tunisiano Yassin Mikari, enquanto o YB lucrou 900 mil com a ida do defensor guineano Kamil Zayatte ao Hull City. O GCZ ao menos buscou dois jogadores por empréstimo: o jovem goleiro búlgaro Mario Kirev, de 19 anos, vem da Juventus para ganhar experiência e o meia-atacante Alain Schultz chega do FC Wohlen para uma nova chance na primeira divisão – falhou antes no FC Aarau.

Nomes de peso, como se vê, quase inexistem. As contratações para o início da temporada foram muito mais interessantes, o que é normal para ligas menores, com menos clubes e orçamentos mais modestos a serem ajustados. Se em Davos os economistas encontrarem uma solução para a crise, quem sabe na próxima abertura de janela de negociações soprem ventos menos gelados que os deste inverno.

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Equipe Trivela

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