Europa

O estádio do Besiktas lotou para ver a seleção turca de amputados se consagrar como campeã europeia

A Turquia sofreu uma enorme decepção na última sexta-feira. A torcida de Eskisehir encheu o Estádio Yeni Atatürk, mas presenciou uma atuação apática de sua seleção, atropelada pela Islândia por 3 a 0 – derrota esta que custou o sonho de ainda se classificar à Copa do Mundo. Até pela postura displicente de alguns jogadores, como o próprio capitão Arda Turan, as críticas sobre a equipe nacional foram pesadas. Mas não afetaram o patriotismo dos turcos, como bem se viu nesta segunda. A seleção turca para amputados entrou em campo contra a Inglaterra, disputando a decisão do Campeonato Europeu da categoria. Pois os torcedores lotaram a Vodafone Arena, casa do Besiktas, e proporcionaram uma atmosfera impressionante para empurrar seus compatriotas ao título, com a vitória por 2 a 1.

Até as semifinais, a Euro para amputados vinha sendo disputada em campos acanhados em Istambul. Durante as semifinais, entretanto, a comoção diante da ótima campanha do time aumentou. Os jogadores turcos sugeriram que a final fosse disputada na Vodafone Arena, para que contassem com o apoio da torcida local. E, com o sinal verde do Besiktas e da organização do torneio, milhares de torcedores encheram as arquibancadas para motivar os seus compatriotas. Além disso, a decisão foi transmitida ao vivo na televisão.

Diante de tamanho envolvimento, a seleção turca não decepcionou. Conquistou uma vitória emocionante, arrancada apenas nos acréscimos. Com um belíssimo chute cruzado de fora da área, o capitão Osman Çakmak determinou o triunfo por 2 a 1. Veterano do exército, ele perdera a perna em uma mina terrestre. Já na comemoração, os heróis turcos receberam uma enorme ovação do público. Receberam o reconhecimento por toda a dedicação ao país. Uma retribuição ao fanatismo dos torcedores, que, no entanto, não são correspondidos da mesma maneira pela seleção principal. Numa semana tão marcante ao futebol local, o exemplo é claro.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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