Europa

O campeão voltou

O vazio na sala de troféus durou muito pouco. Depois de apenas uma temporada, o título de campeão grego volta a Pireu. E de forma bastante merecida. Com quatro rodadas de antecedência, o Olympiacos pôde carimbar a faixa de campeão. Tamanha foi a dominância da Thrylos que, mesmo com a Super League seguindo o calendário do verão europeu (agosto a maio), por apenas um dia o torneio não foi ganho durante o inverno no hemisfério norte.

Ainda assim o Olympiacos perdeu certa folga durante as últimas rodadas da competição. Não fosse a derrota para o PAOK em Tessalônica, quando tomaram a virada por 2 a 1 apesar de começarem ganhando, os Kokkini poderiam ter comemorado já com cinco rodadas de antecipação. Águas passadas, a equipe treinada por Ernesto Valverde superou qualquer resquício de trauma e deu a volta por cima em um clássico. A goleada por 6 a 0 sobre o AEK veio para não deixar dúvidas quanto à superioridade do clube.

Afinal, foi assim praticamente desde o início do campeonato. Excetuando-se as três primeiras rodadas, ninguém superou o Olympiacos em número de pontos. No único momento em que outro time assumiu a ponta da tabela, esta foi feita pelo critério de desempate no confronto direto e não durou mais que duas rodadas. A partir da décima terceira rodada, a equipe conseguiu emplacar uma sequência de onze vitórias seguidas, além de treze jogos invictos, o que ajudou a consolidar a trajetória rumo ao topo do pódio.

Vale ressaltar que o único time com fôlego para incomodar, o Panathinaikos, complicou-se nas próprias incongruências. O elenco campeão em 2009/10 foi reforçado, mas não ganhou a consistência esperada. A vida dupla na Liga dos Campeões atrapalhou mais e, quando o PAO começou a ser massacrado na competição continental, a crise atrapalhou também o desempenho na Super League. Nikos Nioplias não aguentou a pressão e acabou se demitindo. Mesmo com Jesualdo Ferreira iniciando o seu trabalho na ponta da Super League, a fase foi apenas passageira e não demorou para que os Trifilis começassem a perder pontos contra adversários mais frágeis.

Independente da incompetência dos rivais, o Olympiacos fez a própria parte. E depois de levar um belo susto no início da temporada. Pode-se dizer que a eliminação nas preliminares da Liga Europa trouxe alguns benefícios ao clube. Afinal, a humilhação fez com que os Kokkini repensassem o planejamento para a temporada, trazendo de volta o outrora campeão Ernesto Valverde. Mais que isso, a dedicação exclusiva aos torneios domésticos facilitou a direcionar os objetivos para o restante do ano.

O elenco, que já era forte ao fechamento da janela de transferências do verão, ganhou reforços preciosos a partir do início de 2011. Giannis Maniatis foi útil na lateral direita, especialmente nas últimas rodadas. Já Rafik Djebbour honrou toda a polêmica por sua saída do AEK. O argelino foi autor de cinco gols nas sete partidas que esteve em campo com a camisa alvirrubra. Ironicamente, a sua melhor atuação foi exatamente contra o ex-clube, na partida que definiu o título. De seus pés saíram dois gols e o atacante ainda foi responsável por uma assistência durante a partida. A última goleada por seis gols aplicada sobre os Dikefalos aconteceu há 30 anos atrás.

Não se pode, no entanto, tirar o mérito do restante do grupo. Na própria partida contra o AEK, por exemplo, outros seis titulares além de Djebbour participaram dos gols, sinal claro da divisão de responsabilidades na equipe. Dentre os nomes que mais brilharam estão o da legião espanhola encabeçada por David Fuster e Albert Riera. Mas o maior destaque individual é Kevin Mirallas, artilheiro do time e autor de gols decisivos nas últimas quatro rodadas. Depois de preocupar por seu empréstimo se encerrar em junho, o belga permanecerá em Pireu. Sua transferência junto ao Saint-Étienne foi acertada por 2,5 milhões de euros, com vínculo firmado até 2013.

Para a próxima temporada, a primeira grande vantagem é a participação direta na fase de grupos da Liga dos Campeões. Além de evitarem qualquer risco de eliminação precoce nas fases preliminares, os Kokkini terão um pomposo acréscimo em sua conta bancária. Os milhões de euros decorrentes da participação no torneio continental vêm em boa hora, mesmo com o Olympiacos sendo um dos clubes gregos menos afetados pela crise vivida no país. É o momento de acertar as contas, reforçar a equipe e, sobretudo, aumentar ainda mais a supremacia regional.

Dos últimos quinze campeonatos nacionais, apenas dois deles não foram vencidos pela Thrylos. Com diversos rivais em franca decadência, o clube parece ter assegurado a predominância no futebol grego por mais algum tempo. E o Panathinaikos, único adversário que dá mostras de ser capaz de competir em pé de igualdade, não consegue manter um bom nível por mais de alguns meses. Dono de 38 títulos do campeonato nacional, o Olympiacos está cada vez mais próximo de fechar a quarta dezena e adicionar mais uma estrela em seu uniforme.

Turquia – Líderes emparelhados

Fenerbahçe e Trabzonspor continuam empatados na liderança da Süper Lig. Por enquanto, a pequena vantagem fica para o lado da equipe de Istambul, que é o atual primeiro colocado por conta do melhor saldo de gols. O Bursaspor, outro virtual candidato ao título, já parece não ter mais forças na briga. Foram três empates nas últimas três rodadas. Ao menos, com oito pontos sobre o quinto colocado, não tem ameaçada a vaga na Liga Europa.

Com a briga restrita, as três próximas rodadas serão de grande valia ao Fenerbahçe. Os Sari Kanaryalar enfrentam Bursaspor, Eskisehirspor e Gaziantepspor em sequência, todas as equipes colocadas acima da sexta posição. Depois disso, nas últimas cinco rodadas, os adversários não passam de colocações intermediárias na tabela, um incentivo a mais para que o time possa deslanchar na reta final da competição.

Já o Trabzonspor, apesar de encontrar facilidades ante o vice-lanterna Konyaspor na próxima partida, deverá se precaver até a rodada 31. Afinal, além dos mesmos Bursaspor, Eskisehirspor e Gaziantepspor que o Fener enfrentará, a Karadeniz Firtinasi ainda pega o Galatasaray que, mesmo muito mal colocado na tabela, merece respeito. Nos três jogos finais, pausa para tomar fôlego e somar pontos. Os adversários serão os intermediários Karabukspor e Istanbul BB, além do Bucaspor, que luta contra o rebaixamento.

Por enquanto, fica difícil cravar qualquer palpite. O Trabzonspor parece ter acordado após ter o título ameaçado e não perde há sete partidas – são cinco vitórias e dois empates. Em relação à motivação, contudo, ninguém supera o Fenerbahçe. São dez vitórias consecutivas, com a manutenção de um aproveitamento de 100% durante o segundo turno. Êxitos como o da última rodada, em que virou o placar para cima do rival Galatasaray nos últimos quinze minutos de jogo, dão mostrar de um time com garra de campeão.

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Equipe Trivela

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