EuropaLiga das Nações

Num jogo aberto, a Espanha negou a ligeira superioridade da Alemanha ao buscar o empate no finalzinho

Alemanha e Espanha prometiam um grande jogo para a volta do futebol de seleções, na primeira Data Fifa de 2020. As duas campeãs do mundo se encaravam em Stuttgart e abriam a nova edição da Liga das Nações. Dentro de campo, se não foi um confronto memorável, a noite reservou um bom número de chances e sua dose de emoção. A Mannschaft foi ligeiramente superior e mantinha a vitória parcial, mas cedeu o empate por 1 a 1 à Roja durante os acréscimos do segundo tempo. Valeu pelos muitos testes promovidos por Joachim Löw e pelo reempossado Luis Enrique.

Sem os principais jogadores do Bayern presentes na conquista da Champions League, a Alemanha ainda contou com nomes de peso em sua escalação. Toni Kroos e Ilkay Gündogan eram as referências no 3-4-1-2 escalado por Löw. Já na frente, Timo Werner e Leroy Sané formavam uma dupla de ataque com muita mobilidade. A Espanha, por sua vez, teve Thiago Alcântara. O meio-campista foi um dos destaques no 11 inicial, que também possuía com David de Gea, Sergio Ramos e Sergio Busquets. Já na frente, um trio com Jesús Navas, Rodrigo Moreno e Ferrán Torres.

Os primeiros minutos da partida foram mais abertos e com boas chances. Thilo Kehrer parou em grande defesa de De Gea, enquanto Rodrigo perdeu uma ótima oportunidade após passar por Kevin Trapp e dar tempo para o goleiro se recuperar. De Gea ainda faria outra intervenção importante diante de Julian Draxler e um milagre ainda maior quando Sané pegou em cheio, antes de Busquets carimbar Trapp em bola alçada na área. O ritmo, todavia, cairia na sequência da etapa inicial e os erros se acumulavam. Depois de 20 minutos mais interessantes, os bons lances se tornaram escassos, até Trapp parar outra vez Rodrigo pouco antes do intervalo.

A Espanha voltou ao segundo tempo com o estreante Ansu Fati – segundo mais jovem a entrar em campo na história da Roja, atrás apenas de Ángel Zubieta, que iniciou sua trajetória com a equipe nacional em 1936. Porém, mesmo com a novidade do outro lado, a Alemanha entrou em campo mais ligada e faria um belo gol aos cinco minutos. Gündogan inverteu com maestria e encontrou Robin Gosens, outro a estrear. Com espaço na esquerda, o ala passou para o meio e conectou Werner. O atacante fintou a marcação, antes de bater no contrapé de De Gea. Dava até para fazer o segundo, com boas chegadas na sequência e mais uma defesa importante de De Gea em bola desviada.

A Espanha tentaria responder com Rodrigo, mas a velocidade da Alemanha no ataque gerava bem mais perigo, especialmente com Werner. O atacante explorava os espaços, mas pecava na conclusão. Numa arrancada fulminante de Sané, chegou a acertar a parte externa da rede. Mas logo Löw optou por tirar Sané e mudar sua formação, com a entrada de Matthias Ginter, o que reduzia o potencial dos contragolpes. Apesar disso, De Gea permanecia como uma figura essencial aos espanhóis. Exceção feita a uma bola que Trapp abafou nos pés de Fabián Ruiz e a um perigoso chute de Thiago para fora, as melhores chegadas eram alemãs, e o arqueiro pararia Emre Can e Niklas Süle.

Somente nos minutos finais é que a Espanha insistiria um pouco mais no empate, buscando especialmente as jogadas pelo alto. Ansu Fati chegou a balançar as redes aos 46, mas o tento foi anulado por falta de Sergio Ramos fora da bola. Ainda assim, daria tempo para a Roja celebrar a igualdade. Num bom avanço de Ferrán Torres pela direita, Rodrigo ajeitou de cabeça e José Gayà estava completamente sozinho para escorar na pequena área. A combinação dos valencianistas (dois deles recém-vendidos) rendeu o alívio aos ibéricos.

Enquanto as seleções retomam os prumos pensando na Euro 2021, o empate se faz mais importante a alguns jogadores jovens que buscam espaço. Os espanhóis certamente gostaram da estreia de Ansu Fati, enquanto Thiago e De Gea foram importantes entre os mais rodados. Já a Alemanha, sem diversos titulares importantes, viu o protagonismo de Werner, além da estreia positiva de Gosens. Neste momento, as duas potências precisam correr atrás do prejuízo no Grupo A da Liga das Nações. A liderança é da Ucrânia, que derrotou a Suíça por 2 a 1 no outro embate da chave.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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