Europa

No fundo do poço

Um dos grandes da Dinamarca, o Brondby faz força para transformar o que parecia ser um período de vacas magras numa era nebulosa e sem data para acabar. Não bastasse a impotência perante o domínio que o rival Kobenhavn exerce sobre o futebol dinamarquês, o clube não consegue se sobressair sequer diante dos rivais menores e corre risco de rebaixamento.

O Brondby chegou ao primeiro nível do futebol dinamarquês apenas em 1982. Entretanto, rapidamente passou a dominar o futebol do país, levantando dez campeonatos nacionais – o último deles, em 2005. Revelou ainda grandes nomes, como o meia Michael Laudrup e goleiro Peter Schmeichel.

Os primeiros sinais da decadência começaram dois anos após a última conquista, com uma sexta posição no Campeonato Dinamarquês – a pior da equipe desde a estréia na divisão principal e a primeira abaixo do terceiro lugar desde 1984. A medíocre oitava colocação na temporada seguinte foi ofuscada pelo título na Copa da Dinamarca, mas o sinal amarelo já estava aceso. 

De lá para cá, o Brondby não se encontrou mais. Até conseguiu três terceiros lugares consecutivos nos últimos anos, mas em nenhum momento foi capaz de fazer frente ao Kobenhavn. Como se não bastasse, ainda passou por várias mudanças de treinador e deu sinais de desorganização administrativa. Em agosto de 2007, por exemplo, um grupo capitaneado pelo ídolo Schmeichel pretendia comprar a equipe e tornar o ex-goleiro diretor esportivo, investindo quase 35 milhões de euros. Após polêmica com a torcida e a demora da direção em aceitar ou declinar a oferta, os investidores retiraram a proposta e o negócio não foi adiante.

Para a presente temporada, as expectativas até que não eram das piores. O time repatriou o meia Rommedahl, da seleção, após catorze anos longe da Dinamarca. Manteve ainda o atacante Michael Krohn-Dehli, atual destaque do time. Os resultados esperados, porém, não vieram e a má fase custou o emprego de Henrik Jensen.

Despedido no fim de outubro, o treinador foi substituído por Auri Skarbalius. Ex-defensor do clube por uma década, Auri treinava o HB Koge quando acertou sua ida ao Brondby – mas como assistente. Pretendendo cumprir seu contrato com o HBK, só assumiria o novo posto em janeiro. Contudo, a queda de Jensen precipitou as coisas e a bomba caiu nas mãos do lituano.

Dentro do campo, nenhuma grande evolução. O clube segue na décima posição – vale lembrar que são apenas doze participantes e os dois últimos caem. Com o campeonato parado devido ao rigoroso inverno, a vantagem do Brondby para o Lyngby, primeiro integrante da zona do descenso, é de seis pontos. Os números da campanha não mentem: apenas quatro vitórias em dezoito jogos e um dos três ataques menos efetivos da competição. O destaque quase solitário vai para o meia Thygesen, reforço para a temporada que marcou seis dos vinte gols da equipe.

Apesar dos pesares, ainda é pouco provável que o Brondby caia. Mesmo assim, o simples risco já é motivo suficiente para preocupar a torcida. Skarbalius não deve continuar para a próxima temporada, possivelmente sendo movido ao posto para o qual foi contratado. A torcida quer o retorno de Michael Laudrup, vitorioso também durante sua passagem pelo banco de reservas. Enquanto ele não vem, a tormenta continua.

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Equipe Trivela

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