Europa

Não tão cedo, Admira

Por Rodrigo Gasparini

O encontro entre Admira e Áustria Viena, no último sábado, era importantíssimo para algumas definições de meia-temporada do Campeonato Austríaco. Se vencesse, o Admira poderia abrir até sete pontos de vantagem sobre o segundo colocado e praticamente se consolidar como o líder da Bundesliga na parada de inverno, mês que vem. Mas se a vitória estivesse do lado violeta, o time de Viena ficaria apenas um ponto distante da liderança, abrindo novamente a corrida pelo título.

Foi nesse clima de decisão que as equipes foram ao gramado da acanhada Trenkwalder Arena, em Mödling, casa do Admira. Estavam ocupados 8.050 dos 12 mil lugares disponíveis no estádio. A maioria por gente disposta a apoiar o time local, que chegou à primeira divisão nesta temporada e lidera o Austríaco há seis rodadas, tornando-se a grande sensação do campeonato.

Bastou a bola rolar, porém, para que a empolgação da torcida de Mödling se esvaísse. Logo aos oito minutos, Nacer Barazite, ex-Arsenal, abriu o placar para o Áustria Viena. Aos 43, o zagueiro Margreitter fez o segundo. E Barazite fechou a conta aos 20 do segundo tempo, com o gol que lhe deu a artilharia do campeonato (junto com seu companheiro Roland Linz, além de Patrick Bürger, do Mattersburg e Darko Bodul, do Sturm Graz, todos com sete gols).

Resultado incontestável até mesmo para o técnico do Admira, Dietmar Kühbauer, que reconheceu a superioridade do rival, a vitória do Áustria Viena pode ter sido um desses triunfos pelo qual o clube colhe bons frutos por um bom tempo. Primeiro, porque o time que poderia deixar o gramado sete pontos atrás do líder (em caso de derrota) agora está apenas um distante da ponta da tabela. Depois, porque o nível do futebol apresentado foi bom – embora Karl Daxbacher, o técnico violeta, tenha lembrado que apesar da vitória merecida tratava-se “apenas de um jogo”.

Fora isso, há também os efeitos psicológicos que uma jornada como a de sábado podem trazer. Um deles: o Áustria Viena foi a campo invicto há seis jogos. Eram, porém, cinco empates e apenas uma vitória sobre o fraco Reichenau, da quarta divisão, pela Copa da Áustria. Assim, antes do jogo, o time era taxado como aquela que não vencia há quatro partidas pelo campeonato nacional. Agora, pelo menos para os mais otimistas, pode ser classificado como aquele que está invicto há sete jogos, somando todas as competições que participa.

O outro ganho psicológico embutido na vitória do Áustria Viena tem a ver com o próprio adversário de sábado. Como ocorre com toda equipe pequena que assume a ponta de um campeonato por pontos corridos, há a dúvida sobre se o Admira poderia ser o cavalo paraguaio da Bundesliga (embora na Áustria essa expressão, evidentemente, não exista).

Uma vitória do Almirantado e seu consequente disparo na primeira colocação poderia praticamente pôr fim a esse tipo de comentário. Mas a derrota em casa, ainda mais da maneira como ocorreu, volta a colocar um ponto de interrogação a cada vez que se fala sobre o Admira. E isso pode abalar a confiança dos jogadores, que vinham de uma incrível série invicta de 13 partidas (a única derrota havia acontecido na estreia).

Além desses fatores, o Áustria Viena tem a seu favor uma tabela bem generosa antes da parada de inverno: recebe os medianos Wiener Neustadt e Mattersburg e sai para enfrentar Sturm Graz e Red Bull Salzburg, ambos envoltos em crises causadas por suas campanhas irregulares. Nesse meio-tempo, ainda tentará uma difícil classificação na Liga Europa.

Assim, não é de se surpreender que os violetas fechem o ano do seu centenário em primeiro lugar do Campeonato Austríaco. Futebol para isso, tem. Basta jogar, como fez no sábado.
 
CURTAS

ÁUSTRIA
– O final de semana foi mesmo de festa para o Áustria Viena. Além da importante vitória sobre o Admira, o clube promoveu (outra) comemoração para celebrar seu centenário. Dessa vez, numa noite de gala, foram homenageados antigos jogadores e treinadores.

– Com a derrota para o Rapid Viena, o Red Bull completou sete partidas sem vitória. Dessa vez, o técnico Ricardo Moniz reclamou da apatia dos jogadores e chamou toda a responsabilidade pelo fracasso para si próprio.

– Na Erste Liga, o Altach ganhou do First Vienna por 4 a 2 e roubou a liderança do St. Andrä, que perdeu para o St. Pölten por 3 a 2. A diferença entre eles é de dois pontos.

– Na estreia do técnico Marcel Koller, a seleção da Áustria perdeu para a Ucrânia por 2 a 1, em solo ucraniano. É o sexto ano seguido que o ÖFB Team fecha o ano com mais derrotas do que vitórias.

SUÍÇA
– O Basel não larga o osso da liderança da Super League. No sábado, com gol de Marco Streller, venceu o clássico diante do Young Boys por 1 a 0 e manteve-se na ponta, três pontos à frente do Luzern.

– Na Challenge League, o líder St. Gallen joga fora de casa nesta segunda-feira contra o Aarau. O time está quatro pontos à frente do Bellinzona, que no domingo recebeu o Vaduz e venceu por 2 a 1.

– A semana foi de troca de farpas entre Sylvio Bernasconi e Bulat Chagaev, respectivamente ex e atual dono do Neuchâtel Xamax. Chagaev declarou que herdou um clube com “milhões de dívidas”, ao que foi prontamente rebatido por Bernasconi, que garante ter vendido com as contas em dia.

– Enquanto isso, o Xamax, afundado em dívidas, corre até o risco de perder a licença para jogar o Campeonato Suíço.

– Se não conseguiu a vaga para a repescagem das eliminatórias da Eurocopa, pelo menos a seleção suíça terminou bem o ano: empate por 0 a 0 com a Holanda e vitória por 1 a 0 sobre Luxemburgo (gol de Granit Xhaka), em amistosos realizados fora de casa.

– Em 29 de fevereiro, o time de Ottmar Hitzfeld terá outro teste duro: recebe a Argentina.

– Só para variar um pouquinho, o Sion está às voltas com a Justiça Desportiva. Dessa vez, o clube do polêmico presidente Christian Constantin é acusado de ter utilizado seis jogadores irregularmente na Super League. Se condenada, a equipe pode perder até 16 pontos no campeonato.

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