Europa

Na Suíça, é hora de renovar

A seleção da Suíça passa por um momento de renovação. Com chances bem reduzidas de chegar à Euro 2012 (apesar do bom empate por 2 a 2 com a Inglaterra em Wembley) e a aposentadoria dos ídolos Frei e Streller, os suíços começam a efetivamente se preocupar com a necessidade de ter caras novas no selecionado nacional.

A equipe ocupa a terceira colocação do Grupo H das eliminatórias da Euro, com cinco pontos ganhos. Está a seis de distância dos líderes Inglaterra e Montenegro e só jogará mais três vezes (contra Bulgária e Montenegro em casa e País de Gales fora). Ou seja: como pode alcançar no máximo 14 pontos, precisa vencer as três partidas e torcer por uma ampla combinação de resultados para chegar pelo menos na repescagem.

O técnico alemão Ottmar Hitzfeld, no comando da seleção suíça desde 1998 e que em março renovou contrato até o final da Copa de 2014, sabe que obter a classificação para o Mundial que será realizado no Brasil é o próximo grande objetivo. E para isso inicia o processo de substituição de grandes nomes e ascensão de novos talentos.

Frei e Streller não deixaram o time em situação agradável. Eles tomaram a decisão juntos, em abril, em função das duras críticas que sofreram após o empate da seleção por 0 a 0 com a Bulgária, fora de casa, pelas eliminatórias da Euro. Na época, a Federação Suíça emitiu comunicado afirmando que as críticas haviam tomado um alcance “além do aceitável” e atingiram inclusive a vida pessoal dos jogadores.

Não foi uma despedida honrosa, principalmente ao lembrarmos que Frei, de 31 anos de idade, é simplesmente o maior artilheiro da história da seleção suíça, com 42 gols em 84 jogos, média exata de um gol a cada duas partidas. Ele esteve nas Euros de 2004 e 2008 e nas Copas de 2006 e 2010.

Vale lembrar que Frei já havia decidido encerrar a carreira na seleção, mas pretendia fazê-lo depois do jogo diante da Inglaterra.

Já Streller, seu companheiro de ataque no Basel, tem 29 anos de idade e marcou 12 vezes nas 37 partidas em que defendeu a Nati. Atuou na Copa de 2006 e na Euro de 2008.

Ao comentar a decisão dos atacantes (“eles pensaram bem antes de dar esse passo”) Hitzfeld deu a pista de como seria seu trabalho dali por diante. “Tenho de fazer planos diferentes”, disse.

Molecada em ação

E foi exatamente na partida diante dos ingleses, a primeira sem a dupla, que o treinador alemão escalou como titulares dois novos candidato a ídolo dos torcedores suíços: o meia-atacante Xherdan Shaqiri e o meia Granit Xhaka, ambos jogadores do Basel.

Apesar dos seus 19 anos apenas, Shaqiri já tem história no selecionado suíço. Esteve no grupo que disputou a Copa do Mundo da África do Sul – chegou a jogar alguns minutos no empate por 0 a 0 com Honduras – e fez gol de honra na derrota por 3 a 1 para a Inglaterra no primeiro turno das eliminatórias da Euro.

O técnico Hitzfeld vê o jogador como dono de “um talento extraordinário, poderoso e destemido”. Seu companheiro de clube, o agora aposentado da seleção Streller, diz que o garoto “é um autêntico fenômeno. Para a idade que tem, já alcançou muito mais que a maioria dos jogadores. É irreverente, arremata bem e tem um drible fantástico.”

Por sua vez, Xhaka, de 18 anos, fez sua estreia pela seleção principal no empate por 2 a 2 com os ingleses em Wembley e resumiu o fato como “um sonho”.

Ambos estão juntos, agora, no Campeonato Europeu sub-21, que acontece na Dinamarca. Logo na estreia, diante dos donos da casa, a Suíça venceu por 1 a 0, com gol de Shaqiri em bela jogada individual. A boa atuação do time empolgou torcedores e imprensa, que começam a lembrar do Mundial sub-17 conquistado pela Suíça em 2009.

E é justamente pela Euro sub-21 que passa a renovação do único time que bateu a campeã Espanha na Copa do ano passado. Para a competição da Dinamarca, o técnico Pierluigi Tami montou um grupo com nove jogadores que já atuaram pela seleção principal: os defensores François Affolter e Jonathan Rossini, os meio-campistas Moreno Costanzo, Shaqiri e Xhaka e os atacantes Nassim Ben Khalifa, Mario Gavranovi?, Innocent Emeghara e Admir Mehmedi.

O próprio Hitzfeld faz questão de acompanhar o campeonato de perto. Antes da estreia, ele até foi ao vestiário falar com os jogadores. Experiente como é, o alemão sabe que dessa nova safra depende o sucesso do futebol suíço nos próximos anos.

Áustria (ainda) esperançosa

Perder para a Alemanha com gol no último minuto doeu fundo nos austríacos que, ainda assim, alimentam esperanças de classificação para a Euro 2012. O time tem sete pontos e está em quarto lugar do Grupo A.

Restando quatro jogos (Alemanha, Azerbaijão e Cazaquistão fora e Turquia em casa), a briga pela segunda posição e uma vaga na repescagem está aberta com Bélgica (11 pontos e um jogo a mais) e Turquia (10 pontos)

Se o resultado em Viena diante dos alemães foi ruim, especialmente pelas circunstâncias em que aconteceu (o gol de Mario Gomez aos 45’ do segundo tempo), a atuação do time neste jogo – e na vitória sobre a Letônia três dias depois por 3 a 1, em amistoso – serviu para dar sobrevida ao técnico Didi Constantine, que há tempos vem tendo seu trabalho questionado.

O futuro dele, agora, depende muito de fazer o time repetir as boas apresentações na rodada dupla de setembro: novamente contra a Alemanha, no dia 2 e diante da Turquia, no dia 9. Eventuais bons resultados podem manter a Áustria na briga por uma vaga na Euro. Mas, se eles não vierem, é bem provável que o treinador ganhe o boné.

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Equipe Trivela

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