Mudança de rumos providencial
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Demorou, mas enfim saiu. Seis anos após a sua última conquista na Super League grega, a torcida do Panathinaikos pôde festejar mais um título de seu clube no campeonato nacional. O vigésimo troféu dos Trifilis veio com uma rodada de antecipação. Após vitória por 2 a 0 sobre o Iraklis, o clube de Atenas manteve a sua vantagem de seis pontos sobre o Olympiacos e não pode mais ser alcançado pelos Thrylos.
A vitória inconteste do Panathinaikos, inclusive, quebra a hegemonia de seus maiores rivais no Campeonato Grego. Desde a temporada 1996/97, o Olympiacos só perdera uma vez a Super League – justamente para o Panathinaikos, em 2003/04.
A vitória dos Trifilis, no entanto, não veio sem que o clube passasse por percalços ao longo da temporada. Primeiro ocorreu a eliminação a uma etapa da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa. Com o privilégio dado aos campeões nacionais, os gregos foram forçados a enfrentar o poderoso Atlético de Madrid e não resistiram. Depois, veio a demissão do técnico Henk Ten Cate, que mesmo com 80% de aproveitamento na Super League, foi sacado após a derrota e a perda da liderança para o Olympiacos. Não era de se estranhar, portanto, se o clube não passasse de uma temporada regular.
Entretanto, a chegada do jovem Nikos Nioplias ao comando da equipe mudou completamente o clima vivido pelo grupo. Treinador com experiência somente em seleções gregas de base, Nioplias chegava credenciado por um inédito vice-campeonato com a equipe sub-19 no torneio europeu da categoria. Além disso, o técnico já conhecia o clima vivido dentro do clube, fruto de sua passagem pelos Prasinoi quando ainda era jogador, durante a década de 1990.
Dentre as qualidades que contribuíram para a escolha de Nioplias ao cargo, estava o jeito aberto de lidar com os seus comandados. E não demorou muito para que os primeiros resultados positivos começassem a surgir. Apenas três rodadas após a mudança ocorrida na equipe, o Panathinaikos já reassumia a liderança da Super League, de onde não sairia até o fim do torneio. Mesmo em seu primeiro trabalho à frente de um clube, Nioplias deu ao time a estabilidade que não tinha com Ten Cate. O novo treinador soube encaixar as peças de um grupo já definido antes de sua chegada e, apesar de ter perdido o único derby que disputou, restaurou a confiança dos torcedores em seu time.
Os méritos da escolha de Nioplias, contudo, também devem ser creditados ao presidente do clube, Nikolas Pateras. O magnata do ramo de navegação foi o maior responsável por bancar a chegada de um técnico novato aos Trifilis. Sorte ou não, a decisão de Pateras culminou em título, além de afirmar a sua gestão a frente do Panathinaikos. Líder maior do clube ateniense há dois anos, o endinheirado presidente iniciou uma revolução dentro da equipe, promovendo a chegada de jogadores com prestígio internacional. Dentre os contratados no período, nomes como o do brasileiro Gilberto Silva e o do francês Djibril Cissé.
O atacante ex-Liverpool, por sinal, foi o principal homem ao longo da campanha dos Prasinoi na Super League. Contratado a peso de ouro junto ao Olympique de Marseille no começo da temporada, por 8 milhões de euros, Cissé correspondeu às expectativas. Foi o responsável por nada menos que 43% dos gols marcados por seu clube. Além disso, é o goleador isolado da competição com 23 tentos anotados, mais que o dobro do vice-artilheiro – que fez “apenas” 11. Decisivo, foi de vital importância no jogo do último final de semana, anotando ainda no primeiro minuto de jogo o primeiro gol ante o Iraklis.
Outro atleta que marcou a sua presença durante a partida da festa pelo título foi o meio-campista Sotiris Ninis. O garoto, considerado uma das maiores promessas do futebol grego há tempos, marcou o segundo gol na vitória. Mais que isso, Ninis se afirmou como uma realidade do futebol local. O jogador, que já havia trabalhado com Nikos Nioplias nas seleções inferiores, foi um dos principais condutores da equipe mesmo sem ser titular absoluto.
Além de Cissé e Ninis, outro destaque do clube ao longo da competição foi o meio-campo de qualidade montado para esta temporada. O setor, que já contava com Gilberto Silva, Georgios Karagounis e o próprio Ninis, ainda foi reforçado pelos bons Sebastián Leto e Konstantinos Katsouranis. Já a defesa, apesar de passar certa insegurança tanto com Ten Cate quanto com Nioplias, é a terceira menos vazada da competição, com média de 0,58 gols/jogo.
O título da Super League, porém, não encerra a sede de troféus do Panathinaikos nesta temporada. O clube empatou com o PAS Giannina e se classificou para a final da Copa da Grécia, em final ante o Aris. Caso vença esta competição, os Trifilis poderão repetir a nona dobradinha nacional ao longo de sua história centenária e confirmar o período de ascensão do time.
Turquia: Os grandes vêm aí
O Bursaspor ainda é o surpreendente primeiro colocado da Super Lig, mas perdeu um pouco da vantagem que mantinha na liderança da competição. Os Yesil Timsah conquistaram apenas um ponto na última rodada do campeonato nacional, proveniente do empate sem gols com o Gençlerbirli?i. Mais que isso, viram o Fenerbahce se tornar ameaça real, apenas um ponto atrás na classificação geral.
Forte candidato a quebrar a hegemonia do trio Besiktas-Fenerbahce-Galatasaray, duradoura há 26 anos no campeonato local, o Bursaspor precisa evitar os próprios erros para alcançar a conquista inédita. Um dos maiores temores dos atuais líderes é que, assim como aconteceu com o Sivasspor na última temporada, a equipe empolgue a todos, mas que, no fim das contas, acabe sendo superada na reta final por um dos três grandes clubes do país.
Líderes há seis rodadas consecutivas, os Yesil Timsah ainda têm uma sequência de adversários complicada em seus últimos cinco jogos no torneio. Além de pegarem Gaziantepspor e Kayserispor, ambos em posições intermediárias na tabela, enfrentarão dois de seus concorrentes ao título: Galatasaray e Besiktas. Ao menos a equipe treinada por Ertugrul Saglam possui três dos pontos disputados garantidos, já que ainda joga contra o Ankaraspor, rebaixado antecipadamente por problemas com a federação turca.
Dentre os principais concorrentes da equipe de Bursa em busca do título nacional, quem aparece com mais força na briga é mesmo o Fenerbahce. Apesar de não terem nenhuma baba como o Ankaraspor pela frente, os Canários Amarelos fazem três dos próximos jogos próximos de sua torcida. Além disso, o time vem embalado no torneio, com uma sequência de quatro vitórias consecutivas, e é a equipe que ficou mais tempo na ponta da tabela ao longo da competição – treze rodadas. Não bastassem todos esses fatores, o clássico contra o Besiktas no próximo final de semana pode motivar ainda mais o elenco de Christoph Daum.
Logo atrás dos dois primeiros colocados, Galatasaray e Besiktas, ambos com quatro pontos a menos do que o Fenerbahce. E, se a diferença na tabela não os deixam tão próximos do topo assim, em contrapartida, ao menos estão com as suas vagas nas competições européias garantidas para a próxima temporada. O quinto colocado, Trabzonspor, vem sete pontos atrás e dificilmente incomodará os dois clubes na zona de classificação da Europa League.