Europa

Mino Raiola é contra teto salarial: “Gianni Infantino quer que nos tornemos a Coreia do Norte”

Coreia do Norte ou a Rússia de 75 anos atrás. O super-empresário Mino Raiola não se limitou a apenas uma analogia para dizer que considera a ideia cada vez mais forte de um teto salarial para conter os gastos dos clubes coisa de comunista, embora curiosamente ele sempre tenha existido, por exemplo, nos esportes do excepcionalmente capitalista Estados Unidos.

A pandemia fez com que o mundo do futebol reavaliasse a maneira como funciona o seu ecossistema econômico e começasse a discutir maneiras de torná-lo mais sustentável. A que mais teve aceitação, do presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao da Uefa, Aleksander Ceferin, passando pelo influente dirigente do Bayern de Munique, Karl-Heinz Rummenigge, foi a de um teto salarial.

Não houve detalhes sobre como funcionaria, mas qualquer modelo atrapalharia os negócios de agentes como Raiola, que gostam bastante de receber comissões ao negociar grandes transferências ou renovações de contrato.

“Os executivos dos clubes são formados nas melhores universidades do mundo e você acha que eles não podem tomar decisões sozinhos ou por um jogador? A Fifa precisa colocar a atenção nos outros, para manter o poder. O teto aos nossos jogadores é uma razão para lutar conosco, mas, então, tudo tem que ser parametrizado: um teto nos patrocínios, nos salários dos treinadores e do presidente. Tudo isso é bobagem e é ilegal”, disse, na Cúpula Mundial do Futebol.

“Algumas empresas estão listadas na bolsa de valores, a Fifa não pode dizer como as coisas podem funcionar. É evidente que o sistema de transferências não é mais como a Fifa gostaria e que os jogadores tomam suas próprias decisões porque são os principais ativos do jogo, não Infantino”, completou.

Raiola reiterou que, se o salário dos jogadores será limitado, o mesmo deveria se aplicar a transferências, executivos e até ingressos. “Barcelona e Real Madrid faturam um bilhão de euros. Podemos perguntar por que o preço dos ingressos deles é tão alto? Precisamos de um teto salarial para atores, jornalistas, um limite aos preços de Banksy, Leonardo da Vinci, Rembrandt. Como é possível colocar um teto em talento?”, questionou.

“Somos um mundo capitalista, mas Infantino quer que viremos a Coreia do Norte. Eu não tenho problemas com a Coreia do Norte, mas ele que vá para lá. A Fifa não pode ditar a lei. Se há um teto para o preço do Iphone ou para a remuneração dos cantores, voltamos 75 anos à Rússia comunista, e não estamos mais em um negócio de bilhões de dólares. Mas daqui a dez anos a Fifa não existirá mais. Os tempos estão mudando”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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