Mandantes 0x9 Visitantes: a surra dos favoritos na LC foi maior do que qualquer um esperava

Metade dos jogos de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões já se foram. E a supremacia dos times que se classificaram na primeira colocação de seus grupos foi absurda. Tudo bem que o favoritismo nos mata-matas era mesmo deles. Mas quem imaginaria quatro vitórias dos visitantes logo de cara, com nove gols marcados e nenhum sofrido? Segundo o Blog do PVC, é a primeira vez que isso acontece, desde que as oitavas começaram a ser disputadas na competição, em 2003/04. Alguns desses triunfos podem até ter sido circunstanciais. O que não diminui a reflexão sobre o abismo que se criou.
O massacre mais óbvio foi o do Paris Saint-Germain sobre o Bayer Leverkusen. Por mais que os alemães venham de boas campanhas na Bundesliga, já tinham deixado a desejar na primeira fase desta LC, especialmente contra o Manchester United. As pernas tremeram outra vez e os Aspirinas nem viram a cor da bola contra os franceses, especialmente diante da excelente atuação de Ibrahimovic. O placar de 4 a 0 marca tanto o domínio quanto a eficiência dos comandados de Laurent Blanc.
Por outro lado, o Milan foi a vítima mais injusta da rodada. Os números do jogo contra o Atlético de Madrid podem até indicar um confronto equilibrado, com 52% a 48% para os rossoneri na posse de bola e 14 a 13 nos chutes a gol para os rojiblancos. O fato é que os italianos só não chegaram ao gol no San Siro porque Thibaut Courtois fez duas defesas excepcionais, espalmando a bola para a trave. E Diego Costa não perdoou a maior bobeira da defesa adversária.
Já a mensagem deixada por Manchester City e Arsenal é clara: não dá para jogar em desvantagem numérica contra dois dos times mais poderosos do continente. Durante o primeiro tempo, não seria uma aberração se qualquer um dos ingleses seguisse para o intervalo vencendo. Os Citizens estavam pressionando o Barcelona e tiveram as melhores oportunidades na primeira etapa, enquanto Özil perdeu aquele pênalti crucial para os Gunners. Depois que Demichelis e Szczesny foram expulsos, no entanto, a vaca foi para o brejo. O City até teve seus momentos de lucidez, raros diante da pressão dos blaugranas. O Arsenal, nem isso, sendo colocado na roda pelo Bayern de maneira categórica – para se ter uma ideia, sua posse de bola no segundo tempo foi de 12%, com o Bayern dando o sete vezes mais passes durante 45 minutos. É muita coisa.
De todos esses, o único com um mínimo de chances de reverter o placar é o Milan, pelo menos para as estatísticas. Em 90 confrontos, nunca um time reverteu uma derrota em casa por dois ou mais gols na Copa/Liga dos Campeões. Atlético, PSG, Barcelona e Bayern só não classificam em caso de vexame diante da própria torcida. E, pelas próximas duas semanas (e por mais um tempo, talvez), deixam uma interrogação no ar: será que a Champions não está ficando limitada a um grupo cada vez menor de times? Um bicampeão, que não aparece desde o Milan de 1989/90, poderá surgir em breve? Respostas que só o tempo trará, mas que pode ter dado um indício durante os últimos dias.



