Mais do mesmo

O ano de 2009 começou para as seleções alpinas de forma muito parecida com a que o de 2008 terminou: após um bom início sob o comando de Karel Bückner, com a vitória sobre a França por 3 a 1, a Áustria deu novos sinais de fraqueza e perdeu para a Suécia por 2 a 0, em Graz. Já a Suíça não perdeu, mas novamente não convenceu seus torcedores no empate em 1 a 1 com a Bulgária, em Genebra. Sinal de que, desde a última partida em novembro, as equipes pouco evoluíram.
Os mesmos erros…
As ótimas performances diante de Itália e França em agosto, na estreia de Brückner à frente da seleção austríaca, são agora um passado mais distante na cabeça dos torcedores que o célebre time de Hugo Meisl da década de 30, que goleou grandes equipes como Alemanha, Hungria e Itália na casa dos adversários. Por mais que o tcheco tenha aspirações ofensivas da mesma forma que o “Mozart do futebol”, a equipe não conseguiu mais uma vez produzir chances claras de gol e mostrou as mesmas falhas defensivas das últimas partidas.
Com o revés ante os suecos, a Áustria acumula agora três derrotas consecutivas e uma série de cinco jogos sem vencer – o último triunfo foi contra a França. Para piorar, em trinta confrontos com os escandinavos, esta foi a primeira derrota em casa em 88 anos, desde que a primeira partida foi realizada em 1921, em Viena (2 a 2). A última vez que as duas equipes se encontraram, aliás, foi na mesma UPC-Arena, em 2000: empate em 1 a 1.
A igualdade, entretanto, não seria justa nesta fria noite de fevereiro. Apesar de uma superioridade até empolgante na primeira etapa, o Team não converteu a maior posse de bola em oportunidades concretas. Janko, artilheiro da Europa na temporada com 30 gols, jogou isolado no 4-2-3-1 de Brückner e mal tocou na bola durante os 90 minutos. Ivanschitz, o cérebro do time, teve um início promissor com bons passes e muita movimentação, mas logo sentiu a falta de ritmo de jogo – pouco tem atuado pelo Panathinaikos. Saiu de campo vaiado no segundo tempo e foi ríspido nas entrevistas, dizendo que não pode ser culpado exclusivamente pelos maus resultados.
Sem Fuchs, que alegou contusão mas jogou pelo Bochum no final de semana e acabou cortado pela Federação, Brückner atendeu aos pedidos da torcida e imprensa e escalou o jovem Marko Arnautovic como meia-esquerda. O atacante do FC Twente brigou, correu e criou a melhor chance da partida para os anfitriões, cruzando de primeira para a cabeçada de Scharner, bem defendida por Isaksson. O zagueiro do Wigan substituiu o lesionado Letigeb no meio-campo, e para quem está acostumado a defender, ele até foi bem no ataque. Porém, como não marcou, acabou ficando no saldo negativo, já que abriu espaços para o ataque sueco.
Logo após o gol perdido, os visitantes abriram o placar com Rasmus Elm, que recebeu lançamento em profundidade e aproveitou a indecisão da defesa para abrir o placar. Cinco minutos depois, Ibertsberger, lateral titular mas que havia começado no banco, cometeu uma falta infantil que Källström cobrou com perfeição para decretar o placar final. Mesmo com as entradas de Okotie, Kienzl e Saurer, a derrota já estava selada. Ao passo que os dias de Brückner parecem contados, dada a pressão que deve aumentar muito após novo revés, é nestes nomes, além de outros como Hoffer e Prödl, que residem as esperanças de um futuro melhor, em breve, para a seleção austríaca.
…mesmo futebol insosso
Até o mais entusiasta torcedor suíço há de convir que o futebol de sua seleção não é, historicamente, nada além de burocrático. Foi assim mais uma vez no amistoso contra a Bulgária: um futebol sem criatividade, pouco convincente e sonolento. Tanto que, no segundo tempo, a televisão suíça aproveitou os dez minutos consecutivos de toque de bola em que nenhuma equipe chegou à área adversária para mostrar, por mais de uma vez, mãe e filha que cochilavam nas arquibancadas do Stade de Genève enquanto um homem (que se presume que seja o pai) acompanhava o jogo com uma clara expressão de tédio.
Apesar disso, o técnico Ottmar Hitlzfeld se disse contente ao final da partida – e não porque ela tinha acabado. “Foi um ótimo jogo, com um ritmo forte e uma marcação incansável por parte dos búlgaros. Serviu como um ótimo teste para as Eliminatórias”, afirmou na saída para os vestiários. Talvez o alemão não teria achado o resultado tão satisfatório estivesse a equipe sem tantos desfalques: da defesa titular, apenas o zagueiro Stephane Grichting começou jogando, já que o goleiro Benaglio e os laterais Lichtsteiner e Spycher estão lesionados. Behrami, do West Ham, voltando de contusão, só fez número no banco.
Ao menos o cenário serviu para o retorno de Ludovic Magnin e Philippe Senderos à Nati – os dois não disputavam um jogo pela vermelhinha desde a Euro. O promissor meia-atacante Almen Abdi, do Zürich, finalmente teve mais tempo de mostrar serviço e atuou o segundo tempo inteiro no lugar de Barnetta, mas a forte marcação búlgara e a falta de criatividade do restante do meio-campo podaram seu brilho.
Se servir de consolo, o primeiro tempo teve um pouco mais de emoção. Após duas chances para cada lado, os visitantes abriram o placar aos 34 minutos, com Ivelin Popov, do Litex Lovech. Após a cobrança de escanteio, a defesa suíça tirou a bola duas vezes, mas foi pega na saída por uma bonita tabela com Stanislav Manolev que o atacante concluiu rasteiro, na saída de Wölfi. O empate veio ainda no primeiro tempo, já nos acréscimos: numa inversão de papéis, Frei buscou a bola na intermediária e passou milimetricamente na área para Benjamin Hüggel marcar seu primeiro gol com a camisa da seleção em 30 partidas.
No segundo tempo, apenas a entrada de Hakan Yakin mudou o panorama do jogo. Ovacionado pela torcida, o ex-atacante do Young Boys mostrou muita vontade e deixou Dzemaili na cara do gol para a virada, mas o destino era mesmo que o duelo entre búlgaros e suíços terminasse empatado pela terceira sexta vez nos dezesseis confrontos até hoje. Como ponto positivo, fica a boa estréia de Marco Padalino, esterno da Sampdoria que foi muito bem pelo lado direito, aparecendo várias vezes no ataque e iniciando a jogada com Frei que resultou no gol suíço.
Para as duas próximas partidas das Eliminatórias, ambas com a Moldávia, está de bom tamanho. Resta saber se o pouco inspirado futebol que tem sido apresentado será suficiente para bater Grécia e Israel na briga por uma vaga na Copa de 2010.
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