Liga Europa

Zaragoza, Athletic, Espanyol, Mallorca, Alavés: as finais continentais dos espanhóis além dos figurões

Aproveitando a final da Liga Europa com o Villarreal, relembramos outros cinco clubes espanhóis que alcançaram decisões

O Real Madrid é uma força histórica nas competições europeias, cujo passado na Champions League fala por si. O Barcelona também coleciona títulos, mesmo que sua primeira Champions tenha demorado a vir. O Atlético de Madrid ainda persegue o maior prêmio, mas faturou quatro vezes os torneios secundários, enquanto o Sevilla é o rei da Liga Europa. Mesmo o Valencia, longe das finais há algum tempo, levou quatro taças continentais e por duas vezes acabou como vice na Liga dos Campeões. A história de sucesso dos clubes espanhóis nas copas continentais é ampla. E também é compartilhada por equipes que não experimentaram tantas glórias assim.

Os cinco citados acima podem ser considerados historicamente os cinco maiores representantes da Espanha nos torneios da Uefa. Outros cinco chegaram a finais, mesmo que não tenham atingido o topo. O Zaragoza foi campeão da Recopa e da Taça das Cidades com Feiras, mas não é necessariamente o mais lembrado quando se fala sobre os ibéricos além das fronteiras. Athletic Bilbao e Espanyol tiveram duas chances em decisões, deixando a taça escapar em ambas. Já as empreitadas de Alavés e Mallorca são as mais próximas de um conto de fadas, independentemente das derrotas contra adversários mais tarimbados.

Nesta quarta, o Villarreal se junta ao grupo. O Submarino Amarelo será o 11° clube espanhol a jogar uma decisão continental. Mesmo se surpreender o Manchester United, ainda estará distante de igualar os principais figurões do país nas copas europeias. De qualquer forma, guarda uma boa história. Aproveitamos a epopeia da equipe de Unai Emery para relembrar, além dos clubes mais acostumados ao sucesso, como foram “as outras finais” europeias do futebol espanhol. Confira:

Zaragoza

O Zaragoza encara um período de ostracismo no Campeonato Espanhol, longe da primeira divisão desde 2013. No entanto, os Blanquillos possuem uma história internacional bastante rica. Começou ainda na década de 1960, quando o clube atravessava uma fase copeira. Conquistou dois títulos da Copa do Rei no período e ainda disputou duas finais da Taça das Cidades com Feiras – a competição que se tornou precursora da atual Liga Europa. Eram tempos relevantes para os aragoneses, que permaneceram anos a fio terminando entre os cinco primeiros de La Liga – mesmo sem conseguir o troféu.

A primeira final aconteceu em 1963/64, numa edição em que o Zaragoza eliminou a Juventus nas quartas de final. Ex-jogador do clube, Luis Belló era o treinador, embora os destaques aparecessem em campo. O craque era o atacante Marcelino, uma das maiores figuras da história dos Blanquillos e herói da Espanha na Eurocopa de 1964. Carlos Lapetra e Severino Reija eram outros nomes que compuseram a Fúria naquele título continental. Além disso, o time desfrutava do talento brasileiro com o meia Duca (ex-Flamengo) e com o ponta Canário (ex-America, famoso por seus tempos no Real Madrid). Numa decisão doméstica contra o Valencia, que tinha o artilheiro Waldo, os aragoneses se deram melhor no Camp Nou.

O Zaragoza foi campeão com a vitória por 2 a 1. Aos 40 do primeiro tempo, Juan Manuel Villa abriu o placar para os Blanquillos, mas José Antonio Urtiaga logo empatou para o Valencia. Somente aos 38 do segundo tempo veio o gol do título. E ele reforçaria a estrela de Marcelino. A final da Euro 1964 havia ocorrido apenas três dias antes, com o histórico gol do atacante contra a União Soviética. Pois ele repetiu a dose e deu a Taça das Cidades com Feiras para os Blanquillos. O time ainda confirmaria dias depois a conquista na Copa do Rei, em decisão contra o Atlético de Madrid. Por seu estilo de jogo envolvente, o ataque do Zaragoza naqueles tempos ganhou o apelido de ‘Os Cinco Magníficos’.

Em 1965/66, o Zaragoza até repetiu a decisão no torneio. Eliminou um ascendente Leeds na semifinal, pegando na decisão o Barcelona – que convivia com sua seca em La Liga na época. Mesmo com Marcelino, Canário, Lapetra e outros remanescentes de dois anos antes, dirigidos pelo experiente Ferdinand Daucik, os aragoneses perderam. O Zaragoza venceu a ida por 1 a 0 no Camp Nou, mas perdeu a volta por 3 a 2 em La Romareda. A definição, então, foi para a prorrogação. E a taça escapou dos Blanquillos no último minuto do segundo tempo extra, quando Lluís Pujol balançou as redes para os catalães.

Seriam 29 anos até o Zaragoza voltar a uma final europeia, na Recopa de 1994/95. Os aragoneses tinham sido campeões da Copa do Rei na temporada anterior, com um triunfo nos pênaltis sobre o Celta de Vigo. A campanha continental começou com classificações diante de oponentes menos expressivos, até os Blanquillos despacharem o Feyenoord e o Chelsea em duelos apertados. Já a final aconteceu contra o Arsenal, que havia conquistado o torneio na temporada anterior, mas vivia uma temporada turbulenta em que o técnico George Graham tinha sido demitido por ter recebido comissões na compra de jogadores e a equipe figurava na parte inferior da tabela na Premier League.

Na época, o Zaragoza era dirigido por Victor Fernández, treinador que marcou época no clube durante os anos 1990. Já em campo algumas figuras fizeram fama no clube, a exemplo do goleiro Andoni Cedrún, do lateral Alberto Belsué, do zagueiro Xavi Aguardo, do meia Francisco Higuera e do atacante Miguel Pardeza. Também havia uma legião estrangeira com Fernando Cáceres, Gus Poyet e Juan Esnáider. Já o protagonista daquela final foi o meio-campista Nayim, ex-Tottenham. O camisa 5 deu o título da Recopa ao Zaragoza, definindo o triunfo por 2 a 1. Esnáider abriu o placar num chutaço de fora da área e John Hartson empatou. O duelo seguiu à prorrogação e, no último minuto, Nayim mandou um fantástico chute por cobertura da intermediária, que encobriu David Seaman e proclamou o novo campeão. Reza a lenda que aquele lance inspirou Cafu, ex-jogador do Zaragoza, a pedir para Ronaldinho encobrir o goleiro inglês nas quartas de final da Copa do Mundo de 2002. Verídico ou não, o golaço do espanhol ficou para a história ao menos na competição europeia.

Athletic Bilbao

As copas europeias foram criadas num momento em que o Athletic Bilbao começava a perder forças como uma potência do Campeonato Espanhol. Assim, seus sucessos continentais são relativamente contidos, em comparação à enormidade de troféus nacionais em seu museu. Os Leones chegaram a figurar na Champions e na Recopa, mas as melhores campanhas ocorreram na Copa da Uefa. Foram duas finais em momentos distintos do clube, em 1977 e 2012.

O Athletic Bilbao atravessou um período de recuperação em La Liga no fim dos anos 1970, voltando ao pódio do campeonato. A Copa da Uefa de 1976/77 reflete exatamente esse momento. O feito mais impressionante da campanha ocorreu nas oitavas, quando os Leones golearam o Milan por 4 a 1 e avançaram mesmo com os 3 a 1 no San Siro. A equipe ainda tirou o Barcelona (de Rinus Michels, Johan Cruyff e Johan Neeskens) nas quartas de final, graças ao triunfo por 2 a 1 em San Mamés, antes do empate por 2 a 2 no Camp Nou. Já na decisão ocorreu o encontro com a Juventus, que vivia a transição entre duas gerações fortes, mas que reunia nomes como Dino Zoff, Gaetano Scirea, Claudio Gentile, Marco Tardelli e Roberto Boninsegna, treinados por Giovanni Trapattoni. Campeões italianos naquele ano, os juventinos cumpriram o favoritismo.

O treinador do Athletic na época era Koldo Aguirre, com sua história como jogador do clube. Já entre os destaques apareciam o idolatrado goleiro José Ángel Iribar e o icônico ponta Txetxu Rojo, referências a uma geração mais nova com Dani e Andoni Goikoetxea, que depois seriam símbolos do time bicampeão espanhol nos anos 1980. O futuro técnico Javier Irureta e o futuro dirigente Ángel María Villar eram outros notáveis no meio-campo daquela equipe. A força dos bascos, porém, não bastou. Na ida, Marco Tardelli garantiu o triunfo juventino por 1 a 0 em Turim. Já em San Mamés, Roberto Bettega abriu o placar cedo. Por conta dos gols fora, o Athletic precisava de três tentos, mas parou na virada por 2 a 1. Irureta e Carlos Ruiz marcaram no amargo vice.

A nova chance ocorreu 35 anos depois, na Liga Europa de 2011/12. Eram tempos de Marcelo Bielsa em San Mamés, com uma equipe ofensiva e contagiante. O Athletic passou na liderança de seu grupo, eliminando de quebra o Paris Saint-Germain. Já nos mata-matas, eliminou uma série de adversários tradicionais – como Manchester United, Schalke 04 e Sporting. As duas vitórias sobre os Red Devils, adversários nos primórdios da Champions, foram particularmente especiais. E a final seria doméstica, diante do Atlético de Madrid, embalado pelos muitos gols de Radamel Falcao García e pelos primeiros meses de trabalho de Diego Simeone.

No papel, o Athletic contava com uma equipe fortíssima. Javi Martínez, Ander Herrera e Fernando Llorente estavam entre os destaques que depois se transferiram a clubes mais endinheirados. Ainda seguiam ali bandeiras do clube, a exemplo de Gorka Iraizoz e Andoni Iraola, além do então prodígio Iker Muniain. O time de Bielsa, todavia, acabou amassado em Bucareste. Falcao vivia uma noite inspiradíssima e marcou dois gols no primeiro tempo, enquanto Diego Ribas fechou a conta em 3 a 0 já no final. A ocasião, ainda assim, guardou uma das maiores demonstrações do orgulho basco ao redor dos Leones nos últimos anos.

Espanyol

O Espanyol possui mais tradição que títulos em si no futebol espanhol. Os Pericos somam quatro troféus da Copa do Rei, além de cinco vices, mas nunca foram além da terceira colocação em La Liga. Ainda assim, possuem suas aventuras nas copas europeias para recontar. De maneira parecida ao Athletic Bilbao, o clube catalão conseguiu alcançar duas finais da Copa da Uefa. Porém, experimentou o mesmo insucesso, com dois vices. Deixaria a taça escapar em 1988 e teria a mesma decepção quase 20 anos depois, na decisão doméstica de 2007.

A primeira campanha finalista do Espanyol vem na esteira de um bom desempenho no Campeonato Espanhol, com o time acabando na terceira colocação em 1986/87. Assim, garantiu vaga na Copa da Uefa. A campanha continental deixou para trás pesos pesados de outros países desde as fases iniciais, como Borussia Mönchengladbach e um Milan se transformando como potência, já sob as ordens de Arrigo Sacchi. Nas oitavas os Pericos despacharam também a Internazionale de Giovanni Trapattoni e teriam um desafio considerável na semifinal, diante de um embalado Club Brugge. Já na decisão, o Bayer Leverkusen se estabelecia na Bundesliga durante aquela década e tinha sua primeira grande chance de provar a grandeza de seu projeto. Antigo assistente da seleção, Erich Ribbeck treinava a equipe que tinha o brasileiro Tita e o sul-coreano Cha Bum-kun como estrelas internacionais.

O Espanyol reunia uma equipe de respeito. Curiosamente, os catalães contaram bastante com a força do futebol basco para montar aquele grupo. A começar por Javier Clemente, técnico bicampeão nacional à frente do Athletic Bilbao. Santiago Urkiaga tinha sido uma de suas figuras em San Mamés, enquanto Ernesto Valverde teria história posterior nos Leones. Em campo também estavam jogadores de seleção, a exemplo de Pichi Alonso e Miquel Soler. Já no gol aparecia a figura imponente de Thomas N’Kono, estrela de Camarões. Tal força permitiu que o Espanyol vencesse a ida da final por 3 a 0 no Estádio do Sarrià, com dois gols de Sebastián Losada e outro de Soler. Contudo, o título não viria. O Leverkusen deu o troco com os 3 a 0 na Alemanha Ocidental e faturou o troféu nos pênaltis, ganhando por 3 a 2.

O Espanyol voltou a fazer campanhas de destaque no início dos anos 2000, com direito a dois títulos da Copa do Rei. Um desses, em 2005/06, credenciou os Pericos rumo à Copa da Uefa. Ernesto Valverde era justamente o treinador, servindo como elo com o time vice em 1988. Já em campo, muitos talentos locais. Raúl Tamudo era o grande ídolo dos catalães na época, enquanto Dani Jarque liderava a zaga dois anos antes de sua repentina morte. Iván de la Peña e Francisco Rufete apareciam como medalhões na equipe, que ainda tinha Albert Riera no meio. Entre os estrangeiros, somente Pablo Zabaleta seria titular na final, mas também estavam à disposição Walter Pandiani e o brasileiro Jônatas. Uma equipe forte, que faria seu barulho.

O Espanyol começou na fase de grupos com 100% de aproveitamento, liderando uma chave que tinha o Ajax. Já nos mata-matas, depois de superar Livorno e Maccabi Haifa, as principais vitórias aconteceram diante de Benfica e de Werder Bremen. Já a decisão ocorreria contra o Sevilla de Juande Ramos, campeão da Copa da Uefa no ano anterior e com uma equipe talentosíssima, de muitos destaques internacionais – como Dani Alves, Frédéric Kanouté e Luis Fabiano. Os 90 minutos terminaram empatados, com gols de Riera e Adriano. Já na prorrogação, com um a menos após a expulsão de Moisés Hurtado, o Espanyol foi valente ao buscar o empate por 2 a 2. Kanouté marcou para os andaluzes e Jônatas igualou a cinco minutos do fim. Nos pênaltis, porém, brilhou Andrés Palop. O goleiro rojiblanco foi o herói no triunfo por 3 a 1 na marca da cal.

Mallorca

Durante grande parte de sua história, o Mallorca foi um time de segunda divisão no Campeonato Espanhol. Teve aparições na elite sobretudo nas décadas de 1960 e 1980, mas apenas na virada do século que se estabeleceu como uma força representativa em La Liga. E a ascensão abriu as portas para uma surpreendente campanha continental em 1998/99. Os bermellones foram vice-campeões da Copa do Rei na temporada anterior, quando também voltavam à primeira divisão após cinco anos. Perderam a final para o Barcelona, que iria à Champions League por fazer a dobradinha em La Liga. Assim, a vaga na Recopa cairia no colo dos baleares, que marcaram a história logo na primeira jornada além das fronteiras.

Um sinal de força veio na Supercopa da Espanha, quando o Mallorca derrotou o Barcelona no reencontro com os campeões nacionais. E os bermellones representaram muito bem a Espanha na Recopa Europeia, em sua última edição. Os baleares eliminaram Hearts e Genk nas fases iniciais. Nas quartas de final, despacharam os croatas do Varteks. Já o feito mais notável ocorreu nas semifinais, diante do Chelsea, que havia levado o título continental na temporada anterior e contava com vários astros internacionais no elenco dirigido por Gianluca Vialli. Depois do empate por 1 a 1 no Stamford Bridge, o Mallorca se classificou graças à vitória por 1 a 0 no Estádio Lluís Sitjar.

A decisão seria bem mais pesada, contra uma Lazio estrelada, sob as ordens de Sven-Göran Eriksson. Em campo os biancocelesti tinham uma constelação que incluía Alessandro Nesta, Sinisa Mihajlovic, Dejan Stankovic, Matías Almeyda, Pavel Nedved, Roberto Mancini, Christian Vieri e Marcelo Salas. O Mallorca estava sob as ordens de Héctor Cúper, treinador que revolucionou o clube. Contava com uma defesa muito firme, que incluía o goleiro Carlos Roa, além do experiente lateral Miquel Soler – vice da Copa da Uefa com o Espanyol. No meio, Lauren e Vicente Engonga se destacavam, enquanto Ariel Ibagaza vestia a camisa 10. Já no ataque, Leonardo Biagini e Dani García formavam uma boa dupla.

Aquele time do Mallorca foi capaz de alcançar a terceira colocação do Campeonato Espanhol em 1998/99. Na final da Recopa, porém, os bermellones perderam no Villa Park por 2 a 1. Vieri abriu o placar logo cedo no primeiro tempo e Dani até empatou na sequência. O Mallorca chegou a ter fases de claro domínio e ensaiou a virada, mas cedeu o resultado no fim. Aos 36 do segundo tempo, Nedved superou Roa num lindo chute e decretou o placar final em Birmingham. A derrota era dura, mas havia uma sensação de dever cumprido entre os baleares, considerando como um time de pouca expressão chegou tão longe.

Alavés

Assim como o Mallorca, o Alavés possuía uma história limitada no Campeonato Espanhol até os anos 1990. Teve curtos períodos na elite durante as décadas de 1930 e 1950, chegando a passar o final dos anos 1980 na quarta divisão. Uma grande ascensão ocorreu até a reestreia em La Liga em 1998/99, após 42 anos de hiato. E a trajetória meteórica renderia mais no País Basco, a uma equipe bem gerida e com seus destaques. Os babazorros ficaram na sexta colocação do campeonato em 1999/00, o que rendeu a inédita vaga nas copas europeias. Fizeram estrago além das fronteiras, rumo à final da Copa da Uefa – quando, numa final palpitante, quase surpreenderam o Liverpool na luta pelo troféu.

Em tempos nos quais a Copa da Uefa tinha apenas mata-matas, o Alavés atravessou uma longa jornada. Começou superando Gaziantepspor e Lillestrom, até despachar um Rosenborg acostumado às copas continentais. Nas oitavas, a vítima foi a Internazionale de Christian Vieri e Álvaro Recoba. Depois do emocionante 3 a 3 em Mendizorrotza, o Alavés conseguiu meter 2 a 0 no San Siro. Depois, os bascos superaram o igualmente surpreendente Rayo Vallecano de Juande Ramos, até a semifinal contra um Kaiserslautern que vinha de título recente na Bundesliga. Apesar de nomes como Miroslav Klose, Mario Basler e Youri Djorkaeff do outro lado, o Alavés goleou as duas. Fez 5 a 1 em Vitoria-Gasteiz e ainda enfiou 4 a 1 no Estádio Fritz Walter.

A decisão ocorreria então contra o Liverpool de Gérard Houllier, em busca do primeiro título continental em 17 anos. Garotos como Michael Owen e Steven Gerrard empolgavam, numa equipe liderada por Sami Hyypiä e Gary McAllister. O Alavés era treinado na época por Mané, treinador que impulsionou os bascos naquela virada de século. O zagueiro Dan Eggen frequentava a seleção norueguesa, em miolo de zaga que contava com o ídolo Óscar Téllez, que chegou à seleção espanhola. Nas laterais, apareciam o romeno Cosmin Contra e o rodado Delfi Geli. O meio contava com o volante Ivan Tomic e com o armador Jordi Cruyff – que, se esteve longe de chegar ao nível do pai, teve seu auge no País Basco. Já na frente, Javi Moreno garantia os gols. O brasileiro Magno, revelado pelo Flamengo, ainda figurava no banco.

O Liverpool vinha dos títulos da Copa da Inglaterra e da Copa da Liga, mas não venceria fácil aquele jogo. Pelo contrário, o triunfo dos Reds por 5 a 4 no Westfalenstadion está entre as maiores finais das copas europeias. Markus Babbel abriu o placar e Steven Gerrard ampliou, até Iván Alonso (que havia acabado de sair do banco, no lugar de Eggen) descontar para o Alavés. Antes do intervalo, porém, os ingleses fariam 3 a 1 com McAllister. A reação dos bascos foi imediata na volta ao segundo tempo, com dois gols de Javi Moreno e o empate antes dos cinco minutos. Fowler retomou a dianteira para os Reds, até Jordi Cruyff forçar a prorrogação com o 4 a 4, aos 43 do segundo tempo.

Naquela época, ainda vigorava a regra do gol de ouro. O Alavés teve um gol anulado por impedimento logo de cara na prorrogação e, pior, viu Magno ser expulso pouco depois. Antes do fim do primeiro tempo extra, Fowler também veria a bandeira subir para anular um tento seu. De qualquer maneira, a vantagem numérica faria diferença e o Liverpool botou pressão na reta final. O tento decisivo aos 5 a 4 aconteceu num infeliz desvio de Geli contra as próprias redes, a quatro minutos do fim. O apito derradeiro soaria ali mesmo, decretando a comemoração dos Reds. O Alavés, apesar do desfecho desfavorável, entrava na história pelo espírito de luta.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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