Liga Europa

Unai Emery recupera o prestígio no Villarreal ao fazer o que mais sabe: alcançando a final da Liga Europa

Pela quinta vez nos últimos oito anos, um nome em comum se repetirá na final da Liga Europa: Unai Emery. O treinador estabeleceu um longo reinado no torneio com o Sevilla tricampeão, superando os próprios feitos do clube uma década antes. Não emplacou no Paris Saint-Germain e também não conseguiu construir um grande projeto no Arsenal, mas pôde levar os Gunners à decisão continental. E, nesta quinta, Emery teve sua revanche particular. Eliminou os londrinos para conseguir talvez o feito mais difícil nesta longa lista de sucessos na competição. O Villarreal, afinal, representa uma cidade de 50 mil habitantes e, embora seja um clube bem gerido como poucos na Europa, disputará sua primeira final da Uefa após quatro quedas em semifinais.

O Villarreal significa um recomeço para Emery, um nível abaixo da badalação que ele construiu nos tempos de Sevilla – e graças à própria Liga Europa. Não conseguiu gerir os anseios no PSG e também acabaria perdendo fôlego no Arsenal, mesmo chegando respaldado ao clube. Nesta temporada, no Estádio de La Cerámica, o comandante parecia encontrar condições ideias para retomar os rumos de sua carreira. Pegava uma equipe arrumada, que tinha feito uma boa campanha em La Liga e que trazia bons valores em todos os setores. Que teria, inclusive, a Liga Europa na lista de missões durante o ano.

Emery já tinha uma história respeitável na Comunidade Valenciana. Antes de dirigir o Sevilla, passou quatro anos no Valencia. Mesmo em momentos difíceis nos bastidores do clube, revelou talentos e obteve bons resultados. O Villarreal pode não carregar a tradição dos vizinhos, mas é um dos clubes mais relevantes da Espanha há quase duas décadas. Garante estabilidade, mantém bons jogadores no elenco e quase sempre disputa as competições europeias. Se o ambiente parecia favorecer Emery, depois das vaidades de Paris e da decadência de Londres, o Submarino Amarelo também ganhava com seu novo comandante. Embora Manuel Pellegrini tenha sido responsável pela transformação no Estádio de La Cerámica, Emery pode ser considerado o técnico com mais bagagem já contratado pela diretoria. Dava para esperar um bom trabalho.

O Villarreal, afinal, possui um elenco competitivo para o nível do Campeonato Espanhol. O grupo reúne jogadores experientes como Raúl Albiol e Sergio Asenjo, mesclados com valores em ascensão – a exemplo de Pau Torres, Samuel Chukwueze e Gerard Moreno. A diretoria já tinha gastado alto na temporada passada para garantir a contratação de Paco Alcácer. Para melhorar, o Submarino Amarelo viu cair em seu colo Dani Parejo e Francis Coquelin, dois jogadores tarimbados que o Valencia abriu mão por besteira. Tudo parecia favorecer Emery neste recomeço.

Durante parte do primeiro turno do Campeonato Espanhol, o Villarreal indicava ter forças para sonhar com o G-4. Chegou a ocupar a zona de classificação à Champions, até que o excesso de empates freasse suas pretensões. Apesar das oscilações, o Submarino Amarelo permanece na briga por uma vaga nas copas europeias secundárias e tem tudo para se garantir ao menos na nova Conference League. Enquanto isso, na Liga Europa, os espanhóis não caíram de nível em nenhum momento. A campanha é praticamente impecável, desde a fase de grupos. E justo quando a queda em La Liga acontecia, os valencianos pegaram mais embalo nos mata-matas do torneio continental.

O Villarreal já tinha somado 16 pontos em seu grupo, mas a chave não intimidava tanto, com Sivasspor, Qarabag e Maccabi Tel Aviv. O cartão de visitas na Liga Europa aconteceu nos 16-avos de final, com duas vitórias sobre o Red Bull Salzburg, de bons momentos recentes na Champions. O Submarino Amarelo também ganhou as duas contra o Dynamo Kiev e contra o Dinamo Zagreb – algoz do Tottenham, vale lembrar. Já diante do Arsenal, o adversário mais badalado, muita segurança. A vitória por 2 a 1 no Estádio de la Cerámica poderia ser mais ampla, não fossem as oportunidades desperdiçadas. Já no Emirates, o Villarreal estava muito mais tranquilo durante o empate por 0 a 0. Não se segurou apenas na defesa, embora tenha dado poucas brechas aos Gunners. Além disso, Bernd Leno até evitou o que poderia ter sido outro triunfo dos espanhóis, com duas boas intervenções.

Na decisão contra o Manchester United, de novo o Villarreal carregará menos holofotes. Mas não é de se duvidar que o Submarino Amarelo possa fazer jogo duro na Polônia. A equipe reúne bons talentos e uma dose de experiência. Além do mais, tem qualidades suficientes para conter as armas dos Red Devils e manter a segurança defensiva contra um adversário de maiores destaques individuais. Não dá para duvidar do Villarreal, sobretudo, por Unai Emery. O treinador parece confortável o suficiente com seu grupo e pode armá-lo para surpreender em 90 minutos. A Liga Europa, afinal, é um terreno que ele conhece tão bem. Tantas vezes não era favorito com o Sevilla e copou um tricampeonato. As condições também tornam o sonho possível ao Submarino Amarelo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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