Liga Europa

Sparta Praga luta, supera Betis e embola tudo no grupo C da Liga Europa

Vitória miníma do Sparta Praga deixa tudo aberto no grupo, que tem Betis x Rangers para rodada final

Atuando no Estádio Letná lotado, o Sparta Praga buscou uma vitória mínima em cima do Real Betis, por 1 x 0, nesta quinta-feira (30), com gol de Lukás Haraslín. Válido pela quinta rodada da Liga Europa, o jogo embolou tudo no grupo C, liderado pelos espanhóis com nove pontos, um a mais que o Rangers e dois do clube tcheco. O Aris é o lanterna com uma vitória e já está eliminado.

Com o empate Aris e Rangers, as vagas no mata-mata para Liga Europa e a “queda” para Conference League estão abertas para rodada final, que terá Betis contra os escoceses na Espanha, enquanto o Sparta visitará o pior time do grupo e já eliminado.

Primeiro tempo até começa bem, mas perde ritmo e muitas faltas minam continuidade

Como a equipe superior tecnicamente, o Betis iniciou a partida com o domínio da posse da bola e saia pelo chão de forma limpa desde o goleiro (convivendo com a pressão do Sparta). O time se portava em um 4-2-3-1 quando saia da defesa, mas, postado do grande círculo para frente, dava liberdade para subidas dos laterais. O brasileiro Abner (ex-Athletico-PR), esquerdo, segurava mais, só que o direito, Aitor Ruibal, às vezes parecia um ponta.

O clube da capital tcheca utilizava um 3-4-3 e não apenas se defendia. Tentava sair pelo chão, e, quando não dava certo, lançava ao ataque para dar velocidade. Extremamente vertical, os jogadores do Sparta não poderiam ver um espaço que já davam um passe em profundidade para tentar atacar as costas da defesa da equipe espanhola.

Os Verdiblancos de Sevilha tiveram as únicas finalizações dos primeiros minutos do jogo. Porém, todas as tentativas foram no centro do gol de Peter Vindahl Jensen, que encaixou os chutes de Assane Diao e Abde Ezzalzouli, além de afastar uma com o pé quando Nabil Fekir tentou.

A equipe da casa só foi finalizar pela primeira vez com 19 minutos. A exemplo dos rivais, o atacante Lukás Haraslín chutou no centro da meta de Rui Silva. O goleiro do Betis só foi incomodado de verdade logo depois, em escanteio no qual o capitão do Sparta, Ladislav Krejcí, dividiu com ele na pequena área e mandou de cabeça por cima do gol.

Enquanto a partida tinha pouca emoção, os ultras tchecos davam um show nas arquibancadas do Letná, apoiando, cantando, gritando ou vaiando em todos os lances.

Mesmo com o grito dos torcedores, o clube espanhol não se intimidou e quase abriu o placar aos 26. Borja Iglesias limpou um marcado e ficou de cara com o goleiro adversário, mas, na hora de finalizar, Vindahl Jensen cresceu para cima do atacante e impediu o gol. A resposta do Praga foi quase mortal: grande trama de passes por dentro e novamente Haraslín teve em seus pés uma boa chance de chutar na entrada da área, só que de novo mandou nas mãos de Silva.

A partida passou a ficar mais quente do que deveria. Seguintes carrinhos fortes do Sparta irritaram os jogadores do Betis, mas apenas Veljko Birmancevic foi punido com cartão amarelo. Em todo primeiro tempo foram 10 infrações e Ruibal também terminou amarelado por falta pesada. De pouca emoção que tiveram os minutos finais, o árbitro não deu nem acréscimos.

Haraslín enfim marca no início e Sparta segura Betis

Como Fekir fez o primeiro jogo como titular na temporada, retornando de uma grave lesão sofrido no início do ano, saiu logo no intervalo para entrada do meia Isco. Pouco acionado na etapa inicial, o ala direito equatoriano Ángelo Preciado começou a entrar na partida e participar mais. Na primeira subida, cruzou e ninguém apareceu para completar. Depois, sofreu perigosa falta lateral, próximo à linha de fundo – não aproveitada pelo ataque. O Sparta voltou muito mais ligado, enquanto o Betis não parecia muito à vontade no jogo.

Aos oito, a superioridade tcheca foi recompensada e Haraslín abriu o placar. Lateral cobrado rápido por Preciado, Jan Kuchta recebeu no meio, carregou para esquerda e o atacante eslovaco, que havia desperdiçado duas boas chances no primeiro tempo, agora superou o goleiro Rui Silva com uma finalização colocada.

Após o gol, o Betis enfim acordou para o segundo tempo. Pressionando no ataque, aproveitou erro do adversário, acelerou o jogo pela direita, Diao cruzou rasteiro na marca do pênalti e Isco bateu cruzado. A bola ia tomando rumo do gol, Iglesias tentou desviar, mas quem fez um corte essencial foi o zagueiro Filip Panák. Depois, foi a vez de Guido Rodríguez mandar uma bomba de fora da área e o goleirão Peter Vindahl Jensen fez uma importante defesa.

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Betis tentou, mas não conseguiu empatar com o Sparta (Foto: Betis)

O clube de Sevilha passava cada vez mais tempo com a bola, mas encontrou uma fortaleza do Sparta Praga, fechando todos os espaços, mas não de forma 100% recuada. Os marcados iam atrás dos jogadores do Betis para encurtar o espaço e evitar que os mais técnicos, como Isco, tivessem tempo para pensar e fazer algo diferente. Para dar mais fôlego, Ayoze Pérez substituiu Abde na ponta esquerda. No lado tcheco, a primeira mudança veio depois dos 15 minutos, quando entrou o ponta Jakub Pesek e o autor do gol Haraslín saiu.

Com 25, o brasileiro Luiz Henrique, cria da base do Fluminense, substituiu Diao pela direita do ataque. Logo depois, o Betis conseguiu infiltrar a defesa adversária, em uma rara jogada de linha de fundo de Abner. O lateral cruzou na entrada da pequena área, Borja Iglesias antecipou a marcação e cabeceou forte, para fora. As bolas alçadas na área pareciam uma forma do Betis igualar o jogo. Em uma tentativa da direita, a zaga do Sparta afastou e quase mandou contra o próprio gol. Após esse lance, uma tentativa de cruzamento à meia altura de Isco quase tomou os rumos das redes.

Encurralado em certo momento, o Sparta fez mudanças no ataque que deram um novo ar ao time. Foram empilhadas chances de contra-ataque. A melhor delas, vinda de bola parada, Qazim Laci invadiu a área pela direita e cruzou rasteiro. Só um toque daria o segundo gol aos donos da casa, mas ninguém alcançou a bola.

Nos quatro minutos finais de acréscimos, o Betis cruzou algumas vezes de forma aleatória e não conseguiu igualar o placar.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de esports no The Clutch. Como assessor de imprensa, atuou no setor público e privado.
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