Liga Europa

Seis duelos do passado que se repetirão nas oitavas de final da Liga Europa

A Liga Europa realizou seu sorteio das oitavas de final nesta sexta-feira e terá vários duelos interessantes. As atenções se voltam, é claro, para o Milan x Manchester United. Mesmo assim, outros cinco confrontos possuem seus antecedentes nas copas europeias. Aproveitando a deixa, relembramos um encontro do passado em cada um desses embates. Ficam faltando apenas Granada x Molde e Rangers x Slavia Praga, os únicos jogos inéditos. Confira:

Milan x Manchester United, semifinal da Champions 1968/69

Milan e Manchester United alimentaram um clássico continental no início deste século, sempre pela Champions. Os rossoneri se deram melhor em 2005 e 2007, mas os Red Devils conseguiram sua revanche em 2010. Antes disso, os dois gigantes já tinham feito outras duas semifinais europeias. Em 1958, o United ainda guardava luto pelo Desastre de Munique quando foi eliminado pelo Milan. Já em 1969, os milanistas tiraram a coroa dos mancunianos, para conquistarem seu segundo título continental.

Dirigido por Nereo Rocco, o Milan era estrelado por Gianni Rivera. Tinha entre seus astros também Karl-Heinz Schnellinger, Giovanni Trapattoni, Kurt Hamrin e Pierino Prati. Já o United mantinha grande parte da base campeã em 1968, sob as ordens de Sir Matt Busby. George Best, Bobby Charlton e Denis Law formavam a santíssima trindade no time que ainda alinhava lendas do porte de Brian Kidd e Nobby Stiles. O Milan começou a encaminhar sua classificação no San Siro, ao vencer por 2 a 0, com gols de Angelo Sormani e Kurt Hamrin. Já em Old Trafford, o gol de Bobby Charlton na vitória por 1 a 0 não foi suficiente à reviravolta. O duelo ainda gerou polêmica, especialmente por Law. O atacante ainda hoje reclama de um gol legal que não foi validado, mas também escapou da expulsão quando deu um soco em Roberto Rosato e arrancou dois dentes do zagueiro. Na decisão, o Milan goleou o Ajax e recuperou a Orelhuda após seis anos.

Ajax x Young Boys, quartas de final da Recopa 1987/88

O Ajax vivia tempos gloriosos e havia conquistado a própria Recopa Europeia na temporada anterior. Depois do título, o time vendeu Marco van Basten para o Milan e Johan Cruyff também deixou o comando técnico no início de 1988, mas os Godenzonen seguiam com um elenco qualificado. Já o Young Boys vivia seus últimos momentos relevantes antes da longa seca que durou três décadas. Apesar da boa fase dos aurinegros, o favoritismo era dos Ajacieden. E se cumpriu, com duas vitórias nos embates pelas quartas de final.

A ida aconteceu em Berna. Treinado por Spitz Kohn, o Ajax tinha entre seus destaques nomes como Danny Blind, Aron Winter, Stanley Menzo e Jan Wouters. Já no Young Boys, surgia o garoto Alain Sutter, enquanto outros mais rodados na seleção local também apareciam, a exemplo de Martin Weber e Erni Maissen. A vitória por 1 a 0 em Wankdorf seria definida no primeiro tempo, com gol de John Bosman, completando um escanteio. Já em Amsterdã, os Ajacieden repetiram a dose, desta vez com Peter Larsson assinando bela jogada e definindo o triunfo por 1 a 0. Os Godenzonen alcançariam a final, derrotados pelo Mechelen / Malines.

Roma x Shakhtar Donetsk, fase de grupos da Champions 2006/07

Roma e Shakhtar Donetsk são velhos conhecidos da Champions. Por duas vezes, os clubes se enfrentaram nos mata-matas. Os ucranianos levaram a melhor nas oitavas de 2010/11, mas os italianos deram o troco nas oitavas de 2017/18. Antes disso, as duas equipes ainda se pegaram na fase de grupos de 2006/07. Os romanistas contavam com uma das melhores versões de Francesco Totti, vencedor da Chuteira de Ouro naquela temporada. Enquanto isso, o Shakhtar iniciava sua dinastia na Ucrânia e ganhava relevância além das fronteiras, com sua segunda aparição na fase de grupos da Champions.

A Roma de Luciano Spalletti tinha Totti como grande figura. Daniele De Rossi, Simone Perrotta, Vincenzo Montella e Christian Chivu eram outros notáveis. Os giallorossi ainda contavam com Doni, Taddei e Mancini. Já o Shakhtar de Mircea Lucescu alinhava Brandão, Elano, Jadson, Fernandinho e Matuzalém, além de Darijo Srna e Anatoliy Tymoshchuk. No Estádio Olímpico, goleada romanista por 4 a 0, com gols de Taddei, Totti (uma pintura), De Rossi e David Pizarro. O Shakhtar deu o troco no 1 a 0 de Donetsk, tento de Ciprian Marica. A Roma passou na chave, em campanha que se encerraria nos dolorosos 7 a 1 do Manchester United nas quartas.

Tottenham x Dinamo Zagreb, fase de grupos da Copa da Uefa 2008/09

O Tottenham voltava a se colocar nas primeiras posições da Premier League no final da década, mas naquela oportunidade conquistou a vaga na Copa da Uefa após erguer o troféu da Copa da Liga – seu título mais recente desde então. Já o Dinamo estava no meio de sua série de 11 troféus consecutivos no Campeonato Croata, aproveitando suas prolíficas categorias de base para apresentar novos talentos. Mas pela fase de grupos da Copa da Uefa, deu Spurs, com tranquilidade.

Harry Redknapp era o treinador da equipe que já tinha à disposição Luka Modric, em reencontro com o antigo clube. Darren Bent, Aaron Lennon, Jonathan Woodgate e um novato Gareth Bale eram outras figuras naquele duelo. Gomes era titular no gol, enquanto Gilberto servia de opção no banco. O Dinamo tinha Dejan Lovren e Mario Mandzukic, além do veterano Bosko Balaban. O brasileiro Sammir era outra referência. Porém, em Londres, os Spurs golearam por 4 a 0. Bent anotou três e Tom Huddlestone completou a contagem. Apenas os Spurs avançaram aos mata-matas, mas foram derrotados nos 16-avos de final pelo Shakhtar.

Arsenal x Olympiacos, fase de grupos da Champions 2009/10

Arsenal e Olympiacos se cruzaram com frequência nas copas europeias durante a última década. O único embate pela Liga Europa aconteceu na temporada passada, quando os gregos despacharam os ingleses nos 16-avos de final. Além disso, foram quatro edições da Champions em que os dois times estiveram no mesmo grupo, a primeira delas em 2009/10. O Olympiacos perderia a liga nacional para o Panathinaikos naquela temporada, enquanto o Arsenal vivia o meio de sua seca, mas ainda impondo respeito na Europa por seu peso na Premier League.

O time de Arsène Wenger seguia pautado no talento de Cesc Fàbregas e Robin van Persie. Andrey Arshavin e Tomas Rosicky eram outros destaques, em tempos de muitos garotos, como Carlos Vela, Aaron Ramsey e Theo Walcott. O Olympiacos, por sua vez, tinha em seu banco ninguém menos que Zico. Diogo e Dudu Cearense ampliavam a presença brasileira, numa equipe que ainda contava com Antonios Nikopolidis, Olof Mellberg, Enzo Maresca e Vasilis Torosidis. O Arsenal venceu no Emirates por 2 a 0, gols de Van Persie e Arshavin (de letra), numa noite em que Nikopolidis fechou o gol. Os Gunners optaram por escalar um mistão em Pireu e o Olympiacos deu o troco, 1 a 0, tento do também brasileiro Leonardo Jesus.  Os dois times passaram aos mata-matas, com o Olympiacos superado nas oitavas pelo Bordeaux e o Arsenal perdendo nas quartas para o Barcelona.

https://www.youtube.com/watch?v=u-DDXD8WIy8

Villarreal x Dynamo Kiev, 16-avos de final da Copa da Uefa 2004/05

O Villarreal começava a construir sua fama internacional naquele período, numa temporada em que também encerrou La Liga na terceira colocação. Já o Dynamo Kiev encontrava concorrência no Campeonato Ucraniano com a ascensão do Shakhtar Donetsk e perdia um pouco o terreno. No início dos mata-matas da Copa da Uefa, o Submarino Amarelo conquistaria a classificação, depois de já ter alcançado as semifinais do próprio torneio em 2003/04.

O Villarreal estava sob as ordens de Manuel Pellegrini na época. Já tinha várias figurinhas carimbadas, incluindo Juan Román Riquelme, Santi Cazorla, Marcos Senna, Juan Pablo Sorín e Pepe Reina. Do outro lado, József Szabo tinha uma pequena colônia brasileira no Dynamo – com o zagueiro Rodolfo, o volante Diogo Rincón e o atacante Kléber Gladiador. Oleksandr Shovkovskiy e Jerko Leko eram outros destaques. Na ida, prevaleceu o 0 a 0 em Kiev. O Villarreal assegurou a classificação em casa, por 2 a 0, com gols de Luciano Figueroa e Santi Cazorla. Os espanhóis alcançaram as quartas de final, quando foram superados pelo AZ.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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