Liga Europa

Retrancada e medrosa, Roma joga mal e sofre dura derrota para Slavia Praga, que vira líder no grupo na Liga Europa

Slavia garante liderança da chave ao superar Roma no saldo de gols

A Roma se retrancou por todo primeiro tempo e comecinho do segundo contra o Slavia Praga e foi punida na quarta rodada da Liga Europa. Jogando na Fortuna Arena, os tchecos venceram com méritos por 2 x 0 com dois gols na etapa final, marcados por Václav Jurečka e Lukáš Masopust. O triunfo do clube de Praga garantiu a liderança do grupo G da competição europeia, com os mesmos nove pontos dos italianos, mas com vantagem no saldo de gols (oito contra cinco).

Ambos estão quase classificados pela eliminação do Sheriff, mas o Servette ainda busca o mata-mata com quatro de pontuação.

Slavia domina e peca na pontaria, enquanto Roma só se defende

José Mourinho (hoje, com o auxiliar Salvatore Fioti na beira do campo pela suspensão do técnico português), mesmo com algumas alterações na equipe, manteve a Roma na escalação de três zagueiros, com Evan Ndicka, Diego Llorente e o capitão Gianluca Mancini, improvisando o atacante El Shaarawy como ala pela esquerda, enquanto Zeki Çelik cumpria este papel pela direita. Mile Svilar, o goleiro das copas, manteve sua posição como titular frente a Rui Patricio, o dono do gol na Série A Italiana. Edoardo Bove, Leandro Paredes e Houssem Aouar eram os meio-campistas, atrás dos atacantes Romelu Lukaku e Andrea Belotti.

Dominando as ações ofensivas no início da partida, o Slavia apostava em muitos jogadores no campo de ataque. Teoricamente, a escalação era um 3-4-3, mas o zagueiro pela direita, Lukáš Masopust, subia tanto que parecia um meio-campista. A pressão incessante dos tchecos incomodava o adversário, que não conseguiam sair jogando limpo pelo chão. Em mais de 20 minutos, os romanos praticamente não jogaram e se defenderam dos ataques do clube de Praga.

No relógio já marcava mais de metade do primeiro tempo, e a Roma nem havia finalizado a meta de Aleš Mandous. Por alguns poucos minutos, os italianos até tentaram controlar, mas rapidamente foram anulados pelos adversários. Com quase meia hora, o Slavia criou a melhor chance: jogada pela direita (lado de melhores associações da equipe), o camisa 10 Christos Zafeiris cruzou um pouco atrás de Mojmir Chytil, que dominou e na hora de finalizar na pequena área mandou por cima do gol.

O roteiro do jogo seguiu igual até os minutos finais da etapa inicial. Melhor, presente no campo de ataque e dominando a bola, o Slavia sofria pela ausência de qualidade técnica para poder furar o bloqueio romano com um passe diferenciado ou uma boa finalização. Apesar dos nove chutes, Svilar só trabalhou uma vez, em fraca conclusão no meio do gol.

Em 46 minutos no primeiro tempo, a Roma de Mourinho, assistindo ao jogo das tribunas da Fortuna Arena, mostrou escasso repertório ofensivo e não criou nada. Mandous não fez uma defesa sequer de um ataque que conta com Lukaku, um dos melhores centroavantes dos últimos anos no futebol europeu, e Belotti, jogador útil e de muitos gols no Torino nas temporadas anteriores.

No intervalo, o técnico português decidiu trocar a ala, com a saída de El Shaarawy e a entrada do destro Rick Karsdorp – com isso, quem ficou na esquerda foi Çelik. Ainda o meio-campista Bryan Cristante substituiu Aouar.

Time de Praga consegue furar bloqueio e consegue vitória para liderar grupo G da Liga Europa

A etapa final voltou da mesma forma e, enfim, com quatro minutos, o Slavia conseguiu transformar sua superioridade em gol. Forçando um erro da Roma na saída de bola, o time tcheco recuperou a bola, fez boa trama de passes pela esquerda e Lukáš Provod cruzou na medida para cabeceio de Masopust, que exigiu a primeira grande defesa de Svilar. Na sobra, Chytil cruzou rasteiro e Václav Jurečka mandou para o gol, quase impedido por Ndicka, mas a bola passou toda a linha.

Finalmente, após sofrer o gol, a Roma deu um chute. Boa enfiada de Ndicka, Belotti recebeu sozinho na área e bateu forte, cruzado, para boa defesa de Mandous. A equipe de Mourinho começou a dominar a posse, também pelo Slavia baixar as linhas e se postar para o contra-ataque com a vantagem no placar.

Ainda que um pouco melhor, os romanos sofriam nos contragolpes adversários. Em um deles, Provod chegou em velocidade na área e bateu cruzado, para outra grande defesa de Svilar.

Para dar maior qualidade na criação, Paolo Dybala entrou no jogo para saída de Belotti. Com poucos segundos em campo, o atacante argentino já teve boa chance. Jogada de Bove, cruzamento para trás para Cristante, que deixou de cabeça para o camisa 21 bater e a bola passar por cima da meta do Slavia Praga.

Roma x Slavia
Roma sofre por postura defensiva, e Slavia Praga faz dois no segundo tempo (Foto: Icon Sport)

Com 28 minutos, o mandante, ainda mais incisivo que os adversários, ampliou. O zagueiro Masopust recebeu de Oscar Dorley e bateu cruzado, com a bola quicando na pequena da área, sem chances para Svilar.

Em resposta ao gol, foi desfeita a linha de três zagueiros com a saída de Llorente e a entrada do meia Renato Sanches. Ao mesmo tempo, o técnico Jindřich Trpišovský fez as duas primeiras trocas no jogo, sem mudar a estrutura tática: Masopust por Tomás Vlcek e Christos Zafeiris por Petr Sevcík.

A postura dos times seguia a mesma do que aconteceu após o primeiro gol do Slavia. Mesmo com jogadores mais técnicos, os Giallorossi tinham dificuldades de encontrar os espaços na defesa dos tchecos. Por esse problema ofensivo, o jovem atacante luso-brasileiro João Costa entrou e o volante Paredes saiu. Para gastar tempo, o clube de Praga colocou Conrad Wallem e Mick van Buren (amarelado antes mesmo de entrar por demorar a concluir a substituição, considerada cera pelo árbitro).

Em mais sete de acréscimos, o Slavia soube segurar a bola quando tinha essa possibilidade e até arriscava us ataques perigosos, quase fazendo o terceiro principalmente com Van Buren, que deu uma cavadinha em Svilar, superou o goleiro e errou o gol. Mas, de toda form, garantiu tranquilo o triunfo por dois gols de diferença sem ter a defesa vazada.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
Botão Voltar ao topo