Liga Europa

O Villarreal segura o empate contra o Arsenal e faz história na Liga Europa, rumo à sua primeira final continental

Submarino Amarelo se valeu da vitória construída na ida e acabou mantendo o placar zerado em Londres, com o Arsenal devendo um melhor futebol

O Villarreal experimenta o momento mais importante de sua história e, pela primeira vez, disputará uma final continental, classificado à decisão da Liga Europa. O Submarino Amarelo disputava sua quinta semifinal na Uefa e, pela frente, tinha o Arsenal – algoz do momento mais amargo do clube, na Champions de 2005/06. Apesar da vitória por 2 a 1 na ida, dentro da Espanha, ficou a impressão de chance desperdiçada pelos anfitriões, por um saldo que poderia ser maior. No entanto, o Villarreal administrou bem a vantagem do empate e segurou os Gunners no Estádio Emirates. Numa noite em que acertaram a trave duas vezes, ainda assim os londrinos não tiveram a contundência esperada. O Submarino Amarelo até deu trabalho a Leno e, no fim, batalhou arduamente para garantir o 0 a 0. O resultado também guarda uma vingança particular para Unai Emery, que vai à quinta final de Liga Europa em sua carreira, agora para desafiar o Manchester United em Gdanski.

O Arsenal entrou em campo com uma formação ofensiva. Thomas Partey era o único volante. Pierre-Emerick Aubameyang retornava ao comando do ataque. Além disso, havia muito talento no quarteto de meias formado por Bukayo Saka, Martin Odegaard, Emile Smith Rowe e Nicolas Pépé. Outra novidade era Kieran Tierney, que não estava 100%, mas precisou entrar na lateral após a lesão de Granit Xhaka durante o aquecimento. O Villarreal, enquanto isso, repetia seu 4-4-2. Unai Emery seguia confiando em Gerard Moreno e Paco Alcácer no ataque. E com a ausência do suspenso Étienne Capoue, Francis Coquelin compôs a dupla de volantes ao lado de Dani Parejo.

Apesar das necessidades do Arsenal, o Villarreal começou mais ligado e poderia ter marcado o primeiro. Aos cinco minutos, Samuel Chukwueze arriscou de fora da área e Bernd Leno precisou se esticar para espalmar. Os Gunners levaram um tempo até se acertarem no jogo e rondarem um pouco mais a defesa adversária. O Submarino Amarelo, ainda assim, se protegia bem e assustou numa cobrança de falta com Dani Parejo. Não era o ritmo que se esperava dos londrinos.

A resposta do Arsenal não demorou e o time teve seu melhor lance no primeiro tempo aos 26. Num escanteio que pipocou na área, Aubameyang mandou um chute venenoso e acertou a trave de Gerónimo Rulli. O jogo, contudo, logo pararia. Melhor do Villarreal na ida, Chukwueze se lesionou sozinho e precisou deixar o campo de maca. O embate caiu de ritmo e, quando os Gunners ameaçaram de novo, só foi por um erro de Rulli, que deixou a bola escapar e quase tomou um frango. De qualquer maneira, até pela formação escolhida por Mikel Arteta, os 45 minutos iniciais dos londrinos foram mornos.

O segundo tempo começou com o Arsenal imprimindo mais intensidade. Aos dois minutos, numa ótima jogada de Tierney, Pépé bateu para fora. Logo depois, Smith Rowe não conseguiu aproveitar uma saída errada de Rulli. Mas, se os Gunners apertavam de um lado, sobravam mais espaços aos ataques rápidos do Villarreal do outro, com o Submarino Amarelo também subindo suas linhas. Leno era restado e precisou fazer uma defesa difícil, num chute cruzado do garoto Yéremi Pino, o substituto de Chukwueze. O duelo ficava mais animado e parecia se abrir ao primeiro gol.

Aos 21, Gabriel Martinelli dava mais agressividade ao Arsenal, no lugar do apagado Odegaard. O Arsenal retomou a iniciativa e Rob Holding teve duas cabeçadas perigosas para fora. Aos poucos, o volume da equipe ia aumentando e as oportunidades apareciam. Os Gunners ainda pareciam um pouco afobados para definir, mas quase o gol saiu aos 34. Num cruzamento de Héctor Bellerín, Aubameyang cabeceou e carimbou a trave de novo. O gabonês logo sairia, com a entrada de Alexandre Lacazette preparada nos minutos anteriores, enquanto Willian também veio na vaga de Tierney, com Saka recuado à lateral. Recuperando-se de malária, Auba ficaria com cara de poucos amigos no banco de reservas.

Lacazette reclamaria de um pênalti em sua primeira participação, mas a arbitragem não marcou nada. As alterações pareceram esfriar um pouco o Arsenal, até a blitz ser retomada. A defesa do Villarreal, entretanto, se fechava ao redor da área e conseguia afastar os perigos a cada bola alçada. Os cinco minutos de acréscimos davam uma sobrevida aos londrinos, por mais que a equipe não criasse nada de concreto, enquanto Unai Emery aumentava suas opções defensivas. Já Arteta daria uma última cartada com Eddie Nketiah no lugar de Bellerín. No fim das contas, os nervos à flor da pele fizeram a partida ficar muito picada na reta final e os ingleses sequer teriam uma última oportunidade. Com méritos evidentes, o Submarino Amarelo avançou.

O Villarreal será o azarão na decisão em Gdanski. O Manchester United possui melhores opções que o Arsenal, apresenta uma equipe mais bem montada e também vive melhor fase. Mas não é isso que diminui a ambição do Submarino Amarelo, pronto a viver um momento inédito. A equipe de Unai Emery tem seus recursos e provou isso a cada fase da Liga Europa, invicta até o momento e com 12 vitórias em 14 partidas. Além disso, há um especialista da competição na casamata. O Arsenal, por sua vez, encerra sua temporada precocemente. Pela primeira vez desde 1995/96, os Gunners estarão fora das competições europeias em 2021/22. Ainda que a campanha na Liga Europa tenha sido razoável, ela reflete meses ruins e inconsistentes no norte de Londres. Arteta não conseguiu a evolução que se prometia, em muitos momentos foi salvo pelos garotos e sua continuidade parece em xeque – com razão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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