Liga Europa

O Villarreal sai em vantagem na semifinal, mas o Arsenal se contenta com um resultado que poderia ter sido pior

A campanha do Villarreal na Liga Europa impressiona. O Submarino Amarelo desfruta dos conhecimentos de Unai Emery em sua competição preferida e mantém os 100% de aproveitamento nos mata-matas. Nesta quinta, os espanhóis saíram em vantagem nas ida das semifinais, ao derrotarem o Arsenal por 2 a 1 no Estádio de la Cerámica. Ainda assim, dá para dizer que o resultado não foi tão ruim aos visitantes. Os Gunners fizeram um primeiro tempo fraco, quando tomaram os dois gols. Como se não bastasse, tiveram uma expulsão no início do segundo tempo. Porém, quando o sufoco para evitar uma goleada era evidente, os londrinos conseguiram descontar e também viram os adversários ficarem com dez. O saldo poderia ter sido muito maior ao Villarreal e o gol fora talvez ajude o Arsenal no Emirates.

O Villarreal pôde contar com força máxima para encontrar o Arsenal, mesmo que algumas opções importantes ficassem no banco. Protagonistas estavam confirmados, como Pau Torres e Dani Parejo. Já as maiores atenções se voltavam à dupla de ataque formada por Gerard Moreno e Paco Alcácer, responsáveis em grande parte pelo sucesso na Liga Europa. O Arsenal contava com a volta de Pierre-Emerick Aubameyang e David Luiz, embora ambos tenham começado no banco. Os Gunners vinham com Granit Xhaka novamente na lateral esquerda, ante a ausência de Kieran Tierney. Mais à frente, Mikel Arteta apostava em vários jovens, com Thomas Partey e Dani Ceballos na cabeça de área, além da trinca Bukayo Saka, Martin Odegaard e Nicolas Pépé na ligação. Emile Smith Rowe era o falso 9, com a lesão de Alexandre Lacazette.

O Villarreal nem deu tempo para o Arsenal sentir o jogo. Logo aos cinco minutos, o placar estava aberto no Estádio de la Cerámica. Samuel Chukwueze rabiscou pela direita e a bola ia escapando. Foi a oportunidade para Manu Trigueros emendar o chute de primeira e mandar um míssil rasteiro que Bernd Leno não alcançou. Era um golpe e tanto ao Arsenal, que sentiu o gol. Nos minutos seguintes, o Submarino Amarelo continuou melhor, mesmo sem criar novas chances.

Somente depois dos 15 minutos é que o Arsenal passou a trabalhar melhor a bola e ocupou mais o campo de ataque. O time tentou forçar a defesa do Villarreal, mas falhava na conclusão das jogadas. Faltava mais presença de área, com os Gunners limitados a especularem, mesmo com boas trocas de passes. E, quando o Villarreal teve outra brecha, guardou o segundo gol aos 29. Numa cobrança de escanteio, Dani Parejo mandou para o meio da área e Gerard Moreno deu uma casquinha. Raul Albiol pintou livre no segundo pau e não teve trabalho para completar às redes vazias. Moreno ainda deu mais um susto na sequência, ao bater para fora.

O Arsenal almejou uma reação aos 34, quando a arbitragem marcou um pênalti sobre Pépé. Mas, na revisão, um toque de mão do marfinense foi flagrado e anulou a penalidade. Os minutos finais viram os Gunners mais ativos, embora sem qualquer contundência. Tiveram algumas bolas alçadas na área, como numa falta de Odegaard que o capitão Rob Holding completou para fora. Era pouquíssimo dos londrinos, que só finalizaram três vezes nos 45 minutos iniciais, todas para fora. E se alguém esperava alguma mudança, Arteta não trocou ninguém na volta do intervalo. O Villarreal, pelo contrário, reforçou sua marcação com Francis Coquelin no lugar de Alcácer.

O segundo tempo, pelo menos, indicava uma postura diferente do Arsenal. Os visitantes recomeçaram o jogo com uma atitude mais agressiva, tentando pressionar a defesa do Villarreal. A qualidade dos lances melhorou, ainda que faltasse chutar mais. Contudo, o drama dos Gunners aumentou aos 12 minutos. Dani Ceballos vinha acumulando faltas duras e recebeu o segundo amarelo, deixando os londrinos com um homem a menos. A reação de Arteta veio com Gabriel Martinelli no lugar de Odegaard, dando mais velocidade à equipe, com Smith Rowe recuado ao meio-campo.

O Villarreal, que até então se mostrava satisfeito com o placar, se animou. Chukwueze voltou a se criar para cima de Xhaka e forçou uma boa defesa de Leno. Já aos 21, seria a vez do artilheiro Moreno receber o passe do Coquelin e encher o pé, parado por outra defesaça do goleiro. Quando o terceiro gol do Submarino Amarelo parecia se desenhar, porém, o Arsenal respirou graças a um pênalti aos 28. Saka foi calçado na área e, na cobrança, Pépé cravou o chute no meio para superar o goleiro Gerónimo Rulli. Quatro minutos depois, a sorte sorriria um pouco mais aos Gunners. Étienne Capoue deu uma entrada dura em Saka e recebeu também o segundo amarelo – o francês, além do mais, deixou o campo de maca.

O Villarreal, que já tinha perdido o lesionado Juan Foyth, realizou mais duas alterações com as entradas de Alberto Moreno e Moi Gómez. O jogo parecia suficientemente aberto para a reta final e Arteta deu sua cartada com a entrada de Aubameyang – embora tenha tirado Saka, o melhor do time na noite. O Submarino Amarelo quase sempre apostava nas jogadas pela direita, com Chukwueze, e até houve um pedido de pênalti por toque no braço que a arbitragem não marcou. Ainda assim, os Gunners estiveram mais próximos do empate nos acréscimos. Aos 49, Auba invadiu a área pela direita e bateu firme, mas Rulli salvou. Os londrinos, de qualquer maneira, estavam mais interessados em gastar o tempo e evitar os riscos.

Na saída de campo, o semblante dos jogadores do Villarreal não era o mais animado. Ficou claro como o time poderia ter construído uma vantagem mais confortável. O gol fora do Arsenal, além do mais, pode representar um incômodo em Londres. Pela consistência do time de Unai Emery, arrancar o empate parece ao alcance e há uma ponta de favoritismo ao Submarino Amarelo. Mas, depois de uma noite ruim que terminou “menos pior”, os Gunners seguem vivos no confronto.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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