Liga Europa

O Teatro dos Sonhos foi palco de mais um pesadelo para a Roma: United 6 x 2

Não dá para dizer que a Roma não tem motivos para ter trauma de Old Trafford

O 7 x 1 contra a Roma, em Old Trafford, nas quartas de final da Champions League de 2006/07, foi uma das atuações marcantes da segunda metade do trabalho de Alex Ferguson. Valeu a primeira semifinal em cinco anos e, em breve, aquele time chegaria a três finais europeias em quatro anos, com um título. Discípulo de Ferguson, Ole Gunnar Solskjaer espera que esta quinta-feira seja lembrada da mesma maneira no futuro. O Teatro dos Sonhos foi palco de uma atuação fabulosa dos Red Devils, que aplicaram 6 x 2 sobre a Roma e estão praticamente classificados à final da Liga Europa.

A ocasião não é tão importante quanto a da goleada de 2007. O United está fazendo de tudo para não precisar mais disputar a Liga Europa e retornar à Champions League (tirando aquela parte em que rachou com a Uefa e fundou uma liga paralela), o que fará na próxima temporada, mas teve aquele tipo de desempenho que deixa muito claro qual das duas competições esse time merece disputar. Entre altos e baixos, erros e acertos, o United está crescendo com Solskjaer e, quando jogadores como Cavani, Fernandes e Pogba conseguem se encontrar em campo, é lindo de se ver.

Foi um primeiro tempo certamente movimentado. E um pouco estranho. A começar porque a Roma precisou queimar três substituições – e os três intervalos que tem para trocas com a bola rolando – por causa de lesões. Aos cinco minutos, Gonzalo Villar entrou no lugar de Jordan Veretout. Na marca de meia hora, o goleiro Paul López caiu de mau jeito ao defender bomba de Pogba e, com o ombro aparentemente machucado, foi substituído por Antonio Mirante. Leandro Spinazzola, muito bem novamente como uma válvula de escapa na esquerda, foi trocado por Bruno Peres.

E para piorar, o Manchester United abriu o placar logo aos nove minutos, com uma linda jogada coletiva. Pogba saiu ziguezagueando entre marcadores pela esquerda e deixou para Cavani. Com um toque de primeira, o atacante uruguaio deixou Bruno Fernandes na cara do gol. Bastou um toquinho por cobertura para superar Pau López e fazer 1 a 0.

O gol tão cedo e principalmente a maneira como ele foi construído eram sinais ruins para a Roma em um duelo no qual já havia entrado em uma posição desfavorável tecnicamente. Mas, quase imediatamente, o empate veio em um pênalti cobrado por Lorenzo Pellegrini, após toque de braço de Pogba dentro da área. E logo depois da saída de López, Mkhitaryan descolou um belíssimo passe para Pellegrini cruzar à boca do gol. Dzeko se enrolou um pouco com a bola, mas conseguiu a virada.

No fim do primeiro tempo, Ibañez cometeu um erro crasso na saída de bola, cruzando a entrada da área com um passe rasteiro. Cavani interceptou, mas parou em Mirante. Ainda ficou com o rebote, muito bem bloqueado por Smalling. Não é do feitio de Cavani perder chances tão claras e tanto isso é verdade que a próxima seria convertida com muita classe.

Paulo Fonseca não fez as duas substituições que ainda tinha na manga no intervalo, último momento em que elas seriam permitidas. Uma decisão da qual ele talvez se arrependa. Logo nos primeiros minutos depois do intervalo, Pogba quebrou as linhas de defesa da Roma para encontrar Cavani na entrada da área. Ele deixou com Bruno Fernandes e se projetou à área. Recebeu o passe e bateu de primeira, no ângulo de Mirante, para empatar. Dessa vez, o mau agouro se confirmou. Os italianos desmoronaram, sem que Paulo Fonseca pudesse fazer qualquer coisa para estancar a sangria, e não souberam como lidar com atuações fantásticas de Bruno Fernandes, Pogba, Luke Shaw e Cavani.

Aos oito minutos, outra grande chance para Cavani. Luke Shaw recebeu de Pogba pela esquerda, ganhou na velocidade, entrou na área e tocou para trás. Cavani chegou batendo de canhota, mas pegou embaixo da bola e isolou. Outra chegada pela esquerda, agora com Fred acionando Pogba, que soltou com McTominay. O cruzamento rasteiro buscava a segunda trave, onde Cavani estava livre. Ibañez conseguiu o corte.

Mas era uma questão de tempo. Aos 19 minutos, Shaw deixou com Pogba, que emendou para Fernandes. Wan-Bissaka recebeu pela direita e bateu. Mirante fez a defesa, mas com rebote. Cavani conferiu. Logo na sequência, Shaw disparou novamente pela esquerda e passou para Rashford, lá no outro lado. Cavani tentou completar o cruzamento de letra e… furou. No entanto, na dividida com Smalling, caiu. O árbitro marcou um pênalti discutível, confirmado pela checagem do assistente de vídeo. Fernandes mandou no alto: 4 a 2.

E foi daí para baixo para a Roma. Aos 30 minutos, Fernandes recebeu a cobrança de escanteio pela direita da entrada da área e cruzou de primeira para Pogba completar de cabeça. Com um lindo passe de Cavani, Greenwood recebeu pela direita, entrou na área e bateu cruzado. Mirante ainda fez contato com a bola, mas não evitou o sexto gol do Manchester United.

A sensação é até que foi pouco, pela superioridade imensa do Manchester United no segundo tempo. O primeiro não havia terminado dessa maneira, a Roma estava até em vantagem, mas não defendeu bem. Nem um pouco bem. Também foi forçada a três substituições por lesão antes do intervalo e encarou uma noite especialmente inspirada dos jogadores de ataque do United. Eles são excelentes e, quando conseguem combinar entre si, é uma parada dura para qualquer time.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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