Liga Europa

O Sevilla precisou de um ano de paciência com De Jong para descobri-lo como herói nos jogos mais importantes

Até uma semana atrás, a temporada de Luuk de Jong com o Sevilla poderia ser classificada como uma decepção. O centroavante até fez o gol da vitória num clássico contra o Betis, mas isso parecia insuficiente para cair nas graças da torcida. Foram míseros sete tentos em 42 partidas até o reinício da Liga Europa. Não conseguiu balançar as redes nem contra “potências” como o Dudelange e o Mirandés. Um gol, contudo, pode mudar toda uma história. E no caso do holandês, foram três, dos mais importantes à conquista continental dos rojiblancos. O matador estava no lugar certo e na hora certa para garantir o hexacampeonato dos andaluzes na Liga Europa, incluindo dois tentos nos 3 a 2 contra a Internazionale na final.

Por mais que tenha se mantido competitivo ao longo da temporada, o Sevilla de Julen Lopetegui não conseguiu escolher um homem de referência confiável. Chicharito Hernández e Munas Dabbur sequer ficaram no Ramón Sánchez-Pizjuán, negociados na janela de inverno. Youssef En-Nesyri chegou do Leganés para tentar resolver o problema. Enquanto isso, De Jong ganhava mais um semestre de crédito para ver se melhorava seus números. O holandês desembarcou respaldado pelo seu ótimo trabalho no PSV e não havia mostrado a que veio.

A própria carreira de Luuk de Jong é feita de altos e baixos. Viveu momentos muito bons com o Twente, mas não agradou no Borussia Mönchengladbach ou no Newcastle. Voltou à Eredivisie para virar ídolo do PSV, até que o Sevilla resolvesse dar uma nova chance ao centroavante em uma grande liga. Mas não parecia este o seu nível. Teve dificuldades para se impor em La Liga, perdeu gols feitos, gastou a paciência da torcida. Durante todo o primeiro turno do Espanhol, fez dois gols. Foi um pouco melhor no returno, incluindo mais quatro tentos e uma assistência no outro clássico contra o Betis – o que sempre conta. Mas seu esforço não parecia suficiente para justificar seu lugar na equipe e ele encerrou a campanha no banco.

Seguiria escanteado na Liga Europa. En-Nesyri foi o escolhido por Julen Lopetegui no início da reta decisiva e De Jong acabou limitado a parcos minutos durante as vitórias contra Roma e Wolverhampton. Mas não que o novo titular fosse tão efetivo. Contra o Manchester United, Lopetegui deu um pouco mais de tempo a De Jong e ele correspondeu. Anotou o gol da classificação aos 33 da segunda etapa e garantiu os andaluzes em mais uma final. Assim, o treinador optou por aproveitar o moral elevado do holandês para o embate contra a Internazionale e o recolocou no 11 inicial. Não se arrependeria.

A partida de Luuk de Jong em Colônia não foi das mais participativas. Seu objetivo era brigar pela bola no ataque, sobretudo pelo alto. Mas, quando deram uma brecha, o centroavante mostrou como sabe balançar as redes. Suas únicas duas finalizações terminaram em gol. Estava livre para completar o cruzamento cirúrgico de Jesús Navas, que concedeu o empate ao Sevilla e evitou a pressão após o gol rápido de Romelu Lukaku. Mais importante, garantiu a virada com uma finalização fantástica. Não é nada fácil acertar uma cabeçada como a de De Jong no segundo tento. Após o passe de Banega, o holandês desviou a bola com veneno, tirando do alcance de Samir Handanovic e a fazendo morrer no outro canto da meta. Uma pintura de cabeça, que abriria caminho antes da bicicleta de Diego Carlos.

Até por sua idade, aos 29 anos, Luuk de Jong não foi um reforço tão caro assim ao Sevilla. Custou €12,5 milhões e os mais de 100 gols pelo PSV tornavam totalmente justificável a contratação. Seus primeiros meses não agradaram e os torcedores precisaram aguardar o momento. Porém, quando realmente os sevillistas necessitaram do centroavante, viram surgir um herói. A paciência se tornará muito maior a partir de agora. E esperam que estes três gols iniciem uma história de amor realmente duradoura no Nervión.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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