Liga Europa

O colapso do Arsenal no segundo tempo deu a dimensão do trabalho que Emery tem pela frente

Unai Emery comentou, em entrevista ao Telegraph antes da final da Arsenal mais competitivo. Segundo ele, para ser campeão na Inglaterra, um time precisa de competitividade, imposição física e jogadores de qualidade, e os Gunners tinham apenas o último requisito na reta final da passagem de Arsène Wenger. O espanhol comemorava que estava conseguindo tornar o Arsenal mais competitivo, “pouco a pouco”, mas a derrota por 4 a 1 para o Chelsea foi um grande retrocesso nesse sentido.

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Houve melhoras em pontos isolados da temporada, mas a maneira como o Arsenal caiu de rendimento na reta final da Premier League foi o primeiro sinal de alerta. Eram necessários apenas dois pontos a mais contra Crystal Palace, Wolverhampton e Leicester, três pesadas derrotas, e Brighton, um empate em casa, para terminar entre os quatro primeiros e voltar à Champions League.

Além de ser um título importante, rara glória europeia ao Arsenal, o título da Liga Europa seria também a segunda via para conseguir a vaga. Depois de um primeiro tempo equilibrado, o Arsenal simplesmente entrou em colapso depois do primeiro gol, de Giroud, antecipando-se a Koscielny para cabecear o cruzamento de média altura de Emerson.

Onze minutos depois, Aitland-Niles perdeu a posse na saída de bola e voltou trotando. Torreira, jovem que se destacou nesta temporada e saiu de campo chorando ao ser substituído, também apenas olhou. Foi fácil para o Chelsea tramar pela esquerda até achar Hazard sozinho. E foi fácil para Hazard achar Pedro livre na entrada da área para o chute.

Pênalti convertido por Hazard praticamente matou a partida. O Arsenal chegou a esboçar alguma recuperação com o golaço de Iwobi, mas, logo em seguida, uma linda tabela entre o belga e Giroud, depois de bobeada de Aubameyang na saída de bola, deu números finais a um placar que poderia ter sido mais amplo não fossem algumas boas defesas de Cech.

Não é nova a crítica de que o Arsenal precisa de jogadores com mais caráter, e a atuação em Baku dá razão ao diagnóstico. Aubameyang e Lacazette, dupla de ataque infernal ao longo da temporada, foi engolida pela defesa do Chelsea; a atuação de Özil foi a chave de latão de uma temporada terrível em que nem foi relacionado a alguns jogos e que terminou com ele sendo substituído pelo jovem Joseph Willock, de 19 anos.

A defesa é uma nota à parte. Emery tem alternado entre linha de quatro e três zagueiros porque não consegue encontrar uma formação que passe segurança. Nos piores momentos do segundo tempo, bastou uma rápida troca de passes do Chelsea para a balbúrdia se instaurar na retaguarda do Arsenal. Parece impossível ter um bom sistema defensivo com os jogadores que Emery tem em mãos.

O mercado tem que ser agitado para o Arsenal, seja para reforçar a defesa ou para trazer jogadores que gostem de ser protagonistas nos grandes momentos, mesmo que não sejam grandes estrelas. E a Champions League ajuda essa reconstrução em duas frentes: traz mais dinheiro e ajuda no recrutamento. É um círculo vicioso. Quanto mais tempo você fica fora da Champions, mais difícil é retornar a ela porque a maioria dos principais jogadores do mundo faz questão de disputá-la todos anos.

Agora, como convencê-los a jogar no Arsenal? Com salários maiores ou mostrando um projeto em evolução. Mas quem olhar apenas para a final da Liga Europa, verá, justa ou injustamente, o contrário. O colapso do Arsenal no segundo tempo deu a dimensão do tamanho do trabalho que Unai Emery tem pela frente.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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