Liga Europa

O Ajax ressuscitou para um milagre sem tamanho na Liga Europa e estará nas semifinais

O Ajax parecia liquidado. Acuado pelo Schalke 04, com um jogador a menos, na prorrogação, atuando diante da inflamada torcida azul em Gelsenkirchen. E, sobretudo, precisando de um gol salvador. O que realmente constrói a lenda dos grandes clubes, no entanto, são as suas vitórias épicas. Os milagres, como o que aconteceu nesta quinta na Veltins Arena, pela Liga Europa. Os holandeses, cujos torcedores já lamentavam a sina recente nas competições continentais, conseguiram buscar a classificação inacreditável. O gol aos seis minutos do segundo tempo da prorrogação concretizava o inesperado. Mas, para não deixar margem às dúvidas, os alvirrubros anotaram mais um tento. Não havia maior alegria do que a derrota por 3 a 2. Afinal, após os 2 a 0 dos alemães no tempo normal, a virada no tempo extra (após os anfitriões anotarem o terceiro) garantia a classificação às semifinais do torneio.

Logo nos primeiros instantes de jogo, o Schalke 04 assustou com uma bola na trave. Entretanto, mesmo depois de vencer a ida por 2 a 0, o Ajax não se acuou. O time cheio de garotos buscou o contra-ataque e criou chances de marcar. Contudo, aos oito minutos do segundo tempo, o contragolpe perfeito dos Azuis Reais foi o banho de água fria nas pretensões dos holandeses. Em excelente fase, Leon Goretzka tabelou com Guido Burgstaller e bateu rasteiro, vencendo o goleiro André Onana. O início do pesadelo dos Godenzonen.

Diante do baque, o Schalke não demorou a ampliar a margem. Três minutos depois, Sead Kolasinac avançou pela esquerda e cruzou. Benedikt Höwedes deixou a bola passar, para Burgstaller fuzilar. Naquele momento, os alemães tinham o resultado necessário para forçar a prorrogação. E o Ajax murchou em campo. Sofria com o domínio dos anfitriões, sem encontrar brechas. Ficaria pior aos 35, quando Joël Veltman recebeu o segundo cartão amarelo. Bertrand Traoré deixou o ataque para Kenny Tete recompor a defesa. Já parecia bastante aos holandeses segurar a diferença até o fim do tempo normal. A prorrogação, de qualquer forma, prometia ser mais sufocante.

O que os torcedores do Ajax temiam, mas esperavam, aconteceu logo no quinto minuto do primeiro tempo extra: Kolasinac deu outro ótimo cruzamento e Daniel Caligiuri se antecipou à marcação para desviar de cabeça. Não havia qualquer indício de reação dos alvirrubros, por mais que precisassem de apenas um gol. Todavia, os milagres se tornam mais bonitos quanto mais imprevisíveis. Em um lance fortuito, a bola sobrou para Nick Viergever fuzilar. Já era suficiente, com a regra dos gols fora de casa valendo também na prorrogação para as competições da Uefa. De qualquer maneira, quem sofreu o apagão desta vez foi o Schalke. E, evitando qualquer questionamento sobre a justiça do resultado, Amin Younes matou o jogo com um belo gol, batendo no canto. A semifinal era do Ajax, sem qualquer sombra de dúvidas.

O que o Ajax vem fazendo nesta metade final da temporada é incrível. Recuperou-se no Campeonato Holandês, a ponto de ameaçar o título do Feyenoord, que parecia certo. Já na Liga Europa, recupera um pouco de sua mística nas competições continentais, por mais que tenha jogado mal durante boa parte do tempo em Gelsenkirchen. Será a primeira participação em uma semifinal europeia desde 1996/97, quando foram eliminados pela Juventus na Champions. Outros tempos, de talentos abundantes na Amsterdam Arena. Ainda assim, não dá para cravar o que o futuro guarda para uma geração tão jovem e que vem se provando a cada etapa na competição. O que aconteceu nesta quinta já vale muito. Mais do que um lugar entre os quatro melhores da competição, é a esperança de momentos gloriosos que domina a mente e o coração dos alvirrubros.

 

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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