Liga Europa

Num jogo trepidante, o Betis saiu da Rússia com uma valiosíssima vitória sobre o Zenit

O Betis buscou o ataque num primeiro tempo emocionante e, na segunda etapa, se segurou bem na defesa

Zenit e Betis prometiam um grande jogo na abertura dos mata-matas da Liga Europa. O que se viu em São Petersburgo, ainda assim, superou bastante as expectativas. As duas equipes proporcionaram um jogaço, sobretudo no primeiro tempo, e os beticos saíram da Rússia com uma valiosa vitória por 3 a 2. A equipe de Manuel Pellegrini tinha desfalques e poupou algumas peças, mas apresentou um futebol condizente à sua ótima temporada, que rendeu os dois primeiros gols logo cedo. Os celestes reagiram e, com ajuda do talento brasileiro, buscaram o empate. Porém, antes do intervalo, os verdiblancos concluíram seu triunfo e se seguraram na defesa durante a segunda etapa para comemorar o resultado. É uma vantagem valiosa em busca das oitavas de final, antes do reencontro no Estádio Benito Villamarín.

O Betis começou o jogo a mil por hora, marcando forte e buscando o ataque. O primeiro gol saiu logo aos sete minutos, a partir de uma cobrança de falta. Joaquín mandou um cruzamento perfeito e Guido Rodríguez definiu de cabeça. Os beticos não reduziram a marcha e, ainda mais contundentes no ataque, ampliaram aos 18. Numa bola recuperada no campo defensivo, Willian José arrancou pela intermediária e, de fora da área, mandou o chute no cantinho, que ainda beliscou a trave. A postura dos verdiblancos era avassaladora.

O Betis ainda tentou o terceiro, mas o Zenit precisava de uma resposta e despertou a partir dos 20. A reação seria imediata, com o primeiro gol aos 24. Vyacheslav Karavaev cruzou e Artem Dzyuba prevaleceu no meio de dois para cabecear para as redes. Três minutos depois, veio o empate. Numa triangulação entre os quatro brasileiros pela esquerda, após toques de Douglas Santos e Claudinho, Wendel enfiou e Malcom escapou livre na área. Finalizou rasteiro, cruzado, para vencer Rui Silva. A partida ficava indefinida, com os russos ainda em cima, mas boas saídas em velocidade dos espanhóis. Aos 35, em mais uma cabeçada de Dzyuba, Rui Silva evitou a virada.

Durante a reta final do primeiro tempo, porém, o Betis voltou a sair mais para o jogo. Parecia disposto a retomar a vantagem antes do intervalo. O terceiro gol aconteceu aos 42, depois de uma bobeira do goleiro Mikhail Kherzakov na saída de bola, mas também méritos da pressão verdiblanca. Depois da roubada de Aitor Ruibal, Andrés Guardado ficou com o caminho aberto para marcar.

O segundo tempo mudaria de figura. O Zenit tomou as rédeas do jogo para si e conseguiu impor uma grande pressão. A defesa do Betis precisava trabalhar bastante e, quando Dzyuba perdeu grande chance diante de Rui Silva, parado pelo goleiro, estava impedido. Os russos faziam os espanhóis atuarem no limite, para desarmes e cortes providenciais. Enquanto William Carvalho e Cristian Tello entraram nos verdiblancos, os celestes ganharam mais presença de área com o estreante Yuri Alberto na vaga de Claudinho.

A grande chance de empate do Zenit aconteceu nesta sequência, aos 20 minutos. Numa boa trama coletiva, Daler Kuzyaev recebeu a enfiada de Malcom e ficou de frente para o gol. Mandou uma pancada no travessão, quando tinha ainda Yuri Alberto sozinho no meio da área. Uma rara resposta do Betis seria dada por Aitor Ruibal, para fora, aos 23. A sequência do segundo tempo seguiu disputada no campo ofensivo dos russos, que tinham boa participação de Malcom para coordenar as jogadas. A defesa dos espanhóis se manteve muito inteira para os cortes e evitava os riscos. No fim, Tello ainda perderia um contragolpe, mas a firmeza dos beticos atrás é o que significou a manutenção do resultado até o final.

O resultado enche o Betis com um pouco mais de confiança para a sequência da temporada, vivo na Copa do Rei e forte candidato ao G-4 de La Liga. Pela atuação em São Petersburgo, fica claro como o time pode sonhar também com o troféu continental. Já o Zenit sabe que ficou devendo e pagou pelos momentos em que não esteve atento na primeira etapa. Ainda assim, poderia ter muito bem arrancado o empate.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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