Liga Europa

Num jogo repleto de confusões, o Spartak Moscou conseguiu derrotar o Napoli na visita à Itália

O Napoli chegou a balançar as redes com 11 segundos, mas o jogo seria bem mais insano que isso, com a vitória do Spartak

Napoli e Spartak Moscou fizeram um jogo com cara de Libertadores pela Liga Europa. O duelo no Estádio Diego Armando Maradona seria dos mais intensos possíveis, nos mais diferentes sentidos: teve gol aos 11 segundos, duas expulsões, confusões, decisões revertidas e uma boa dose de lances nos quais os dois times se estranharam. Mas, no fim das contas, os russos saíram da Itália com uma excelente vitória de virada. Mesmo com o tento-relâmpago dos napolitanos, o Spartak se aproveitou da vantagem numérica durante a maior parte do tempo e venceu por 3 a 2. É um resultado fundamental, num grupo bastante parelho do torneio continental, que de quebra ainda rompe a invencibilidade dos celestes sob as ordens de Luciano Spalletti.

O Napoli esboçou uma vitória fácil na Itália. Com apenas 11 segundos, os celestes marcaram o primeiro gol. Numa saída de jogo rápida, o goleiro Aleksandr Maksimenko soltou o cruzamento e Eljif Elmas apareceu para emendar o rebote às redes. O primeiro tempo seguiu nas mãos dos napolitanos. Mesmo sem tantas chances, o domínio dos italianos era claro. Isso até que Mário Rui desse um carrinho com a sola alta aos 28 minutos. O português não acertou em cheio, mas a arbitragem avaliou que o lance era passível a cartão vermelho após a revisão do VAR. A decisão gerou muita reclamação dos anfitriões, que precisavam se virar com dez homens.

Apaziguada a confusão, o Spartak cresceu na sequência do jogo. Piotr Zielinski até criou uma chance para o segundo gol, mas os russos passaram a dominar as ações e Spalletti preferiu recompor a defesa. O treinador, porém, decidiu sacar Lorenzo Insigne para a entrada de Kevin Malcuit. O capitão nem reclamou da escolha, mas saiu soltando os cachorros contra o árbitro pela expulsão. O juiz eslovaco Ivan Kruzliak estava perdido. Depois dos 44 do primeiro tempo, foram quatro cartões amarelos distribuídos e um pênalti para os moscovitas revertido após revisão.

Spalletti voltou para o segundo tempo com Victor Osimhen e André Zambo Anguissa, dando mais qualidade para o Napoli. Contudo, o Spartak tirou proveito da vantagem numérica e, pressionando, empatou com Quincy Promes aos dez minutos, numa bola espirrada na área após passe de Victor Moses. O duelo seguiu muito pegado e, apesar do momento favorável aos russos, os italianos chegaram a marcar o segundo gol aos 22 minutos. Kostas Manolas aproveitou um cruzamento para mandar as redes, mas o tento acabou anulado por impedimento, o que gerou mais insatisfação.

A partida se mostrava suficientemente aberta e o Napoli até ganhou um gás com a entrada de Hirving Lozano. No entanto, o Spartak virou num ataque rápido aos 35. Ayrton arrancou pela esquerda e tocou para Mikhail Ignatov, que finalizou com muita categoria, de primeira. Dois minutos depois, os moscovitas também ficaram com dez, quando Maximiliano Caufriez recebeu o segundo amarelo. Mas a falta de atenção dos napolitanos pesou e, depois de uma roubada de bola, Promes anotou o terceiro aos 45, só completando a ótima jogada em velocidade de sua equipe.

Por conta dos cartões e dos atendimentos médicos, o jogo teria 11 minutos de acréscimos. Deu tempo para os celestes voltarem ao páreo, com Osimhen descontando aos 49, ao escorar o cruzamento de Giovanni Di Lorenzo. Entretanto, a tentativa de abafa não passou disso e o Spartak pôde mesmo comemorar o triunfo. Ao apito final, Spalletti receberia o 13° cartão da noite, advertido com o amarelo pelas reclamações sobre a péssima atuação da arbitragem.

O Napoli lidera a Serie A, mas não começa bem a Liga Europa. Depois do empate contra o Leicester, os celestes permanecem com apenas um ponto. Já o Spartak soma seus três primeiros pontos, depois da derrota na estreia diante do Legia Varsóvia. Os poloneses lideram com seis pontos, após o triunfo sobre o Leicester nesta quinta, em Varsóvia. Tudo conspira para uma disputa bastante apertada, numa chave que de início parecia ter dois favoritos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo