Liga Europa

Leverkusen não precisou de muito para bater Häcken e confirmar ida às oitavas da Liga Europa

Um gol em cada tempo no HK Häcken foi o necessário para o Bayer Leverkusen manter os 100% na Liga Europa e vencer a 18ª na temporada

A pequena Bravida Arena, em Gotemburgo, foi o palco da 18ª vitória (em 19 jogos) do Bayer Leverkusen na temporada, a quinta em cinco rodadas da Liga Europa. O modesto HK Häcken até lutou e criou boas chances no primeiro tempo, mas não foi capaz de superar a equipe treinada por Xabi Alonso, que venceu por 2 x 0 com gols de Victor Boniface e o primeiro de Patrik Schick desde grave lesão sofrida em março. A vitória confirmou a já esperada classificação às oitavas de final da competição.

O clube alemão lidera o grupo H com 15 pontos, oito a mais que a dupla Molde e Qarabag, ainda na luta pela segunda posição para os playoffs da Liga Europa. Quem ficar para trás, vai à Conference League na terceira colocação, enquanto o Häcken amarga a lanterna.

Leverkusen começa melhor e marca, mas sofre no fim

Como tem feito na Liga Europa, Xavi Alonso poupou quase todos os titulares, com exceção dos dois zagueiros Jonathan Tah e Edmond Tapsoba e do centroavante Victor Boniface. A formação também, diferente do 3-4-3 que acontece nos jogos “importantes” da temporada, foi alterada para um 4-2-3-1 – comum na competição europeia e na Copa da Alemanha. Os laterais eram Piero Hincapié, na esquerda, e Josip Stanisic, na direita (este, com mais liberdade para subir e virar um meio-campista, enquanto o outro era um zagueiro na saída de bola). Os dois volantes, Gustavo Puerta e Robert Andrich, ficavam bem alinhados a frente dos defensores. Na linha de ataque, Amine Adli dava amplitude pela esquerda, Nathan Tella do outro lado, e Boniface e o meia Adam Hlozek flutuavam por dentro, nas costas dos volantes adversários ou atacando as costas da defesa adversária.

O BK Häcken tentou fechar os espaços de forma bem compacta em um 4-1-4-1. As linhas ficavam próximas para evitar as movimentações perigosas de Boniface e Hlozek. Mas não era um time totalmente retrancado, a zaga não ficava tão baixa e havia pressão no Leverkusen quando tentavam sair jogando pelo chão. Nos momentos com bola, o clube sueco era saidinho, não tinha medo de preencher o campo de defesa adversário.

Naturalmente, o Bayer dominou completamente os 15 minutos iniciais. A posse chegou a bater mais de 70%, o time alemão rondava a área do clube local e tentava encontrar espaços. Teve até dificuldade pela compactação do Häcken, mas conseguiu furar o bloqueio acionando o goleador. Boa jogada pela direita, Tella deu para Stanisic, que cruzou na medida, na segunda trave, para o nigeriano Boniface cravar de cabeça o quarto gol na Europa League, o 12º na temporada.

O time de Alonso colocava o ritmo que queria no jogo. Em alguns momentos, só tinha vontade de rodar a bola para cansar o adversário e aproveitar para descansar. Em outros, acelerava para ampliar a vantagem e levava perigo. Tella teve uma dessas chances, próximo à marca do pênalti, em chute que contou com a defesa de Peter Abrahamsson – no campo foi marcado impedimento. Depois, Boniface tentou enganar o árbitro com a simulação de um pênalti e foi punido com cartão amarelo.

A virada de chave na partida veio a partir dos 26 minutos, quando, o Häcken conseguiu finalizar pela primeira vez. Mostrando qualidade, construiu desde os zagueiros, Even Hovland deu um passe que quebrou a linha de meio-campo dos alemães. A trama de passes seguiu por dentro e Mikkel Rygaard Jensen bateu colocado de fora da área, colocando força demais na bola. A chance empolgou o time da casa. Seguindo no campo de ataque, ficou a centímetros de empatar com pouco mais de meia hora. Em cruzamento na área, Matej Kovar afastou mal de soco, Ishaq Abdulrazak aproveitou e pegou a sobra com um bonito voleio. Tentando encaixar, o goleiro soltou na pequena área e Amane Romeo dividiu com ele, vendo a bola sair pela linha de fundo.

Kovar voltou a trabalhar em outra bonita jogada, de pé em pé, até finalização de fora de Abdulrazak. Para se ter uma ideia, em números, de como o Häcken incomodou o Leverkusen nesse primeiro tempo, foram seis finalizações dos suecos contra apenas uma do time visitante – justamente o gol -, mostrando que a equipe da casa merecia melhor sorte.

Time de Xabi Alonso sabe administrar adversário e dá a Schick primeiro gol desde fevereiro

Já visando o confronto decisivo contra o Borussia Dortmund no final de semana, Xabi Alonso tirou Boniface no intervalo do jogo e colocou Noah Mbamba, um meio-campista/zagueiro, para reforçar o meio, deixando Hlozak mais a frente como atacante. Os primeiros minutos deram a impressão que a partida seguiria com o roteiro dos donos da casa melhor, só que o Leverkusen foi inteligente.

Parecendo ser uma instrução de Xabi Alonso, o Bayer monopolizou a bola, mas não a desperdiçava e se defendia com a posse, visto que o Häcken não conseguia atacar. Sem tentar atacar, o jogo ficou parado, até que enfim acelerou, com 20 minutos. Da direita a esquerda, boa jogada chegou em Adli, que pouco apareceu, mas ficou de frente para Abrahamson e finalizou em cima do arqueiro adversário. No escanteio dessa jogada, a zaga afastou mal o cruzamento, o goleiro tentou encaixar a bola que subiu e soltou nos pés de Mbamba, que não aproveitou a chance.

Pouco antes disso, o centroavante Patrik Schick entrou em campo pela segunda vez na temporada, ainda se recuperando de uma grave lesão em março. Ele substituiu Tella e entrou como o atacante de referência mesmo, movendo Hlozek à direita (a terceira função no dia, porque iniciou como meia e era o atacante mais avançado com a saída de Boniface). Pelo lado sueco, dois novos atletas entraram no ataque e meio para ver se voltava a boa fase anterior – o time ainda não tinha finalizado na etapa final.

A fase do jogo tinha virado, o Leverkusen queria mais, e conseguiu pela qualidade técnica de seus jogadores. Após muito tentar em uma mesma jogada, foi recompensada com descida de Stanisic até a linha de fundo, onde o croata deu a segunda assistência no dia para Schick marcar seu primeiro gol desde fevereiro desse ano.

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Schick foi abraçar membros da comissão técnica em comemoração ao primeiro gol após mais de nove meses (Foto: Divulgação/Bayer Leverkusen)

O capitão Tah foi um dos poupados por Alonso nos minutos finais para entrada de Odilon Kossounou, normalmente titular no trio de defesa. Jonas Hofmann, um dos principais destaques do time nesta temporada, também entrou, substituindo Hlozek.

Um gol que seria merecido ao Häcken na primeira etapa, não foi realidade no segundo tempo. O time da casa não criou nada que incomodasse Kovar como antes e os acréscimos de cinco minutos terminaram com o Bayer sem sofrer gols.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de esports no The Clutch. Como assessor de imprensa, atuou no setor público e privado.
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