Liga Europa

Havia dúvidas, mas Cavani está nos mostrando que ainda pode ser um dos atacantes mais letais do mundo

O artilheiro de 34 anos teve uma atuação fantástica na goleada por 6 x 2 sobre a Roma

Edinson Cavani perdeu um gol cara a cara com Antonio Mirante no final do primeiro tempo da goleada por 6 x 2 do Manchester United sobre a Roma nesta quinta-feira. Às vezes, ele desperdiça muitas chances mesmo, mas o time que conceder muitas a um dos melhores atacantes da última década invariavelmente será punido. Cavani marcou duas vezes, sofreu um pênalti e deu duas assistências, em uma atuação que, além de deixar o seu time praticamente classificado a uma final europeia, serviu para nos lembrar de que ele ainda pode ocupar nesse patamar em que esteve quase toda a sua carreira.

Não foi a primeira vez, mas um certo lembrete era necessário. Mais que um lembrete, na verdade, uma reafirmação. Para compreender o destaque que Cavani merece nesta temporada pelo Manchester United, precisamos voltar ao momento em que foi dispensado pelo Paris Saint-Germain. O fato em si não foi tão relevante: idade avançada, salário alto, contrato chegando ao fim. Havia feito muito pelo clube francês e era um momento razoável para encerrar o ciclo.

Acontece que pelas circunstâncias excepcionais do ano passado, o contrato de Cavani terminou em 30 de junho, antes que o Paris Saint-Germain retomasse a sua campanha na Champions League, naquela bolha organizada em Portugal. Não foi feito um acordo para estender o seu vínculo emergencialmente até o fim da temporada, como aconteceu com Thiago Silva, por exemplo. O PSG chegou pela primeira vez a uma final de Champions League conscientemente abrindo mão do maior artilheiro da sua história.

Não era uma decisão absurda. Cavani vinha em queda, especialmente física. Passou por várias pequenas lesões e perdeu espaço para Mauro Icardi. O clube demonstrava interesse em contratá-lo em definitivo da Internazionale, o que acabou acontecendo e também contribuiu para que o contrato de Cavani não fosse renovado. Ele atuou meros 1.000 minutos em sua última temporada no Parque dos Príncipes, espalhados em 22 jogos, apenas 12 como titular. De longe sua menor utilização desde que foi contratado do Napoli, em 2013. Havia baixado apenas uma vez de 2.000 minutos. Em todas as outras cinco temporadas, passou dos 3.000.

Essa reta final em Paris levantou dúvidas sobre a sua continuidade no mais alto nível do futebol europeu. O Atlético de Madrid chegou a demonstrar interesse, mas, veterano por veterano, preferiu apostar em Luis Suárez – e acabou se dando bem também. Segundo Cavani, houve interesse da Internazionale e da Juventus, prontamente rechaçados pela sua ligação com o Napoli. Teve a especulação sobre o Grêmio, outra sobre o Boca, e a mais forte indicava que o seu futuro poderia estar no Benfica. Parecia fora do circuito dos grandes clubes dos principais centros da Europa.

Foi uma surpresa quando fechou com o Manchester United no último dia da janela de verão – que fechou no outono porque, de novo, a pandemia bagunçou tudo. O United estava em busca de um jogador para melhorar a rotação do seu ataque, mas mirava em Jadon Sancho, mais jovem e de uma posição completamente diferente. Também muito mais caro. A contratação de Cavani, de perfil tão diferente, soou um pouco como desespero para dar uma resposta à torcida. Era similar a outras duas recentes: Falcão García, que não deu certo, e Zlatan Ibrahimovic, que deu bem mais certo.

A temporada de Cavani o coloca mais próximo do segundo. Os números totais não são tão impressionantes, mas ele tem causado impacto. Entre os motivos, justamente por ter uma característica diferente à dos outros atacantes do Manchester United. Sabe sair para tabelar, mas tem sua grande força dentro grande área, com posicionamento, oportunismo, jogo aéreo e uma finalização das mais precisas. Dá para jogar a bola nele e esperar que faça alguma coisa, o que é especialmente importante em um time que ainda sofre de vez em quando para furar defesas fechadas.

Os questionamentos pela sua contratação tanto existiram que houve até uma reação geral de “é verdade, o Cavani é muito bom” quando ele começou a fazer gols importantes pelo Manchester United. Fechou contrato por apenas um ano, o que era natural pelas preocupações que gerava, mas agora parece natural que renove por pelo menos mais um – até porque sua experiência pode ser decisiva na Champions League.

A questão física segue uma preocupação, Cavani perdeu alguns jogos nesta temporada. Mas o time tem se virado bem sem ele, e, quando o tem, se torna ainda mais perigoso. Como nesta quinta-feira contra a Roma, quando teve sua melhor atuação pelo United e entre as melhores de uma carreira que deve pouco para qualquer outra.

 

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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