Liga Europa

Elenco e experiência pesam para Man United superar Ajax e conquistar Liga Europa

Como enfrentar um time com média de 22 anos que tem ímpeto por ataque e velocidade? Esta era a pergunta que o Manchester United tinha que responder diante do Ajax. E a resposta foi dada em campo: não oferece nada do que o time holandês gosta. O Ajax não teve campo, nem espaço e foi obrigado a jogar como o Manchester United quis. Era o time inglês que explorava os espaços do adversário, atacava com velocidade e ameaçava o gol rival. Assim, impondo um ritmo morno quando o Ajax tinha a bola e velocidade quando a recuperava, o time de José Mourinho conquistou a Liga Europa pela primeira vez na história do clube. Foi assim, com a sensação de jogar água no chopp adversário, que bateu o Ajax por 2 a 0 e levantou o troféu. Sem sofrer.

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O elenco e a experiência do United acabaram pesando. O time de José Mourinho parecia saber exatamente o que fazer em campo. Anulou o meio-campo do Ajax com uma marcação precisa. Ander Herrera e Pogba, atuando como volantes, e Fellaini, como um meia um pouco mais avançado, tiraram a força de Schöne, Ziyech e Klaassen. Traoré e Younes, pelas pontas, também tinham pouco espaço para jogar. Dolberg, no centro do ataque, ficou afogado na marcação.

Travado no ataque, o Ajax então se complicou na defesa, algo que Mourinho deve ter estudado com muita atenção. O time inglês pareceu no controle o tempo todo. Eram poucas as chances que o Ajax criava. Aos 14 minutos, Younes e Traoré tramaram uma boa jogada pela esquerda, com Younes fazendo jogada de linha de fundo e tocando para trás. Traoré bateu para o gol, mas foi em cima do goleiro Romero, sem perigo.

O Manchester United chegou ao gol aos 18 minutos. Em um lateral cobrado pelo Ajax, Juan Mata interceptou a bola, passou para Fellaini e o belga fez a bola chegar até Pogba, que bateu de pé esquerdo. A bola desviou em Davinson Sánchez e matou o goleiro: 1 a 0 Manchester United. Com a vantagem no placar, o United ficou ainda mais confortável e controlou o jogo com a experiência.

O Ajax tinha mais posse de bola, mas ameaçava muito pouco com a bola nos pés. Era o United que tentava chegar mais, com rapidez e objetividade. E levava mais perigo. Aos 23 minutos, Valencia apareceu pela direita, passou pela marcação na velocidade e, quase sem ângulo, chutou forte, para defesa de Onana. Tudo corria conforme o roteiro montado pelos ingleses. Qualidade, experiência, tranquilidade e a vantagem no placar. O Ajax precisava mudar isso.

O segundo tempo poderia dar um novo fôlego ao jogo, mas não foi o que se viu. Aliás, foi mais um banho de água fria no ímpeto do Ajax. Logo a três minutos, Mata cobrou escanteio para a área e depois de desvio de Chris Smalling, Henrikh Mkhitaryan tocou com uma puxeta na bola e marcou: 2 a 0. Um gol que tornou a missão do Ajax, que já era difícil, muito improvável. Uma montanha muito mais alta do que o jovem time holandês parecia capaz de conseguir.

O Ajax parecia um time de adolescentes contra um time e adultos do Manchester United. O gigante inglês segurava o adolescente holandês pela testa. Os Diabos Vermelhos induziram os rivais a fazerem o jogo que lhes convinha. Posse de bola ineficaz. Uma final que acabou por ser um anticlímax em relação ao que foi a campanha do Ajax ao longo da temporada. O time foi bastante tranquilo, soube administrar a partida e foi quem teve a melhor chance do segundo tempo. Lingaard, que entrou na etapa final no lugar de Mkhitaryan, teve a bola nos pés em um contra-ataque desde a linha de meio-campo. Avançou correndo, mas pareceu ficar sem saber o que fazer ao se aproximar do gol e viu Sánchez se recuperar e cortar.

O Ajax sabia que o título já tinha escorrido pelas mãos. Os últimos minutos foram apenas para gastar o tempo. O time, jovem e talentoso, sucumbiu diante de um time mais qualificado e muito mais experiente. Dois times que possuem orçamentos diferentes e que começam as temporadas com objetivos bem diferentes. Por isso, para o Ajax não é nenhuma vergonha. O Manchester United ganha um troféu, que é importante para um clube com tantas taças. Sabe que o sarrafo estará mais alto no próximo ano.

José Mourinho adiciona mais uma taça ao seu currículo. Já tinha conquistado a Copa da Uefa em 2002/03, pelo Porto. Daquela vez, conquistou a Champions League no ano seguinte. O Manchester United conquista a Liga Europa pela primeira vez na história. Garante também a volta à Champions League, o que é muito importante para o clube. É também o sexto clube a conquistar todos os títulos europeus possíveis. Junta-se a Juventus, o próprio Ajax, Bayern de Munique e Barcelona.

Em campo, até os machucados comemoraram. Luke Shaw, Marcos Rojo e principalmente Zlatan Ibrahimovic, os dois primeiros com muletas e tudo, estiveram ali no gramado da Friends Arena para comemorar, aos sorrisos, mais um título. O sueco, aliás, é uma incógnita no momento. O atacante esteve lá para receber a sua medalha, comemorar com os companheiros, mesmo mancando. Mais uma taça na sua galeria.

Mourinho comemorou muito, algo incomum. Ibra também. Dois dos símbolos do United. Uma combinação que deu certo. Ainda que o time almeje mais alto, especialmente para o próximo ano. Ibra pode dizer que não, mas a Champions League ainda é objetivo. Mourinho, sempre obstinado, também deve estar com os olhos nesse prêmio.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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