Liga Europa
Tendência

Demos alguns motivos para torcer por cada um dos semifinalistas da Liga Europa

Qual seria o título mais legal? De Juventus, Sevilla, Roma ou Bayer Leverkusen? Todos têm seus atrativos

A semifinal da Liga Europa vai começar. E se dessa vez não temos exatamente um time alternativo, com representantes de três das cinco grandes ligas europeias, a competição ainda pode terminar com mais uma grande história. O Sevilla ampliará a sua hegemonia? A Juventus conseguirá um troféu importante em anos tão turbulentos? Ou será que a Roma reforçará ainda mais a comunhão entre José Mourinho e as arquibancadas? Dá até para o Bayer Leverkusen, famoso por não ser campeão, ser… campeão.

A seguir, montamos um mini-guia desta fase do torneio, com motivos para torcer para cada um dos semifinalistas – caso você ainda não tenha afiliação.

Juventus

Por que ganhar a Liga Europa seria legal?

A Juventus não passa por um dos seus melhores momentos. Há problemas fora de campo, com acusações e condenações por fraude financeira, mas segue uma gigante do futebol europeu. Como vimos em outros casos, uma conquista na Liga Europa pode impulsionar camisas desse peso a objetivos maiores. E talvez seja a única, ou a melhor, chance de vermos a Velha Senhora na próxima Champions League. Embora seja a atual vice-líder da Serie A, uma nova dedução de pontos deve chegar no fim de maio, complicando um pouco a grande recuperação do time de Allegri.

Grande momento da campanha

Federico Gatti, da Juventus (Sportinfoto/DeFodi Images/Icon sport)

Foi uma campanha bem tranquila desde que caiu da Champions League. O empate no jogo de ida com o Nantes acabou meio nervoso, com um pênalti não dado por toque de mão. Na volta, Di María comandou uma vitória tranquila. A forte defesa da Juventus segurou o Freiburg nos dois duelos das quartas de final, e o momento de maior tensão acabou sendo o confronto contra o Sporting. O 0 a 0 perdurava em Turim até o garoto Federico Gatti marcar aos 28 minutos da etapa final. A vantagem permitiu apenas um empate em Lisboa.

Quem pode fazer a diferença

Di Maria comemora pela Juventus (SEBASTIEN SALOM-GOMIS/AFP via Getty Images)

A Juventus tem um elenco um pouco desconjuntado. Há contratações que não deram tão certo em salários altos, jovens buscando um lugar ao sol e veteranos que não dão mais conta do recado. E outros que dão, como Ángel Di María. Ele foi contratado no começo da temporada, ao fim do seu contrato com o Paris Saint-Germain, e, apesar de algumas lesões, geralmente corresponde quando está em campo, especialmente na Liga Europa – deu um recital contra o Nantes. Di María nem tem números tão bons assim, mas é o toque diferente que pode decidir um confronto apertado de mata-mata e traz uma vasta experiência de sucesso em clubes como Real Madrid e PSG.

O professor que mira a taça

Massimiliano Allegri, da Juventus (Marco M. Mantovani/Getty Images)

Massimiliano Allegri está entre os melhores técnicos do mundo. Ele conseguiu um pentacampeonato italiano com a Juventus e duas finais de Champions League, antes de ser demitido porque a diretoria queria um futebol mais vistoso. A admissão do erro foi o seu retorno, depois de experiências mal sucedidas com Maurizio Sarri e Andrea Pirlo. Ele está tendo um trabalhão. A primeira temporada não foi boa, com uma vaga na Champions League arrancada na unha. A segunda também não começou promissora. A Juventus foi eliminada na fase de grupos da Champions League e iniciou a Serie A oscilando. No entanto, Allegri conseguiu corrigir o curso e emendou uma grande sequência de resultados. Parece que apenas uma nova punição por fraude financeira impedirá uma nova classificação à Champions.

Uma história nas copas “lado b” da Europa

Um ano antes de conquistar sua primeira Copa dos Campeões, na fatídica final em Heysel contra o Liverpool, a Juventus ganhou seu segundo título europeu, após a Copa da Uefa de 1976/77. Aquela Recopa Europeia de 1983/84 foi uma espécie de teste para o time de Marco Tardelli, Paolo Rossi, Zbigniew Boniek e Michel Platini. O adversário da decisão foi o Porto, que em alguns anos também levaria o principal troféu da Europa. Todos os gols da vitória por 2 a 1 da Velha Senhora saíram no primeiro tempo. Beniamino Vignola abriu o placar, aos 12 minutos, com um belo chute cruzado da entrada da área. António Sousa empatou, também de média distância, contando com o morrinho artilheiro. Boniek deu números finais com um gol chorado. O Porto sempre reclamou de falta em cima de João Pinto naquele lance. O goleiro Zé Beto reclamou tanto que foi suspenso de competições europeias por um ano, após peitar o bandeirinha, e perdeu a Eurocopa daquele ano.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Sevilla

Por que ganhar a Liga Europa seria legal?

Para quem gosta de hegemonias, ou para quem se tranquiliza com aquela sensação de familiaridade, é a escolha certa. Seria o sétimo título do Sevilla e confirmaria (ainda mais) a sua mística na competição porque nenhum momento desta temporada indicou que tinha condições de brigar por qualquer coisa que não fosse evitar o rebaixamento. A demissão de Jorge Sampaoli e a chegada de José Luis Mendilibar, no entanto, deram uma pequena guinada nos resultados. A vaga na próxima Conference League por meio do Campeonato Espanhol é viável, a cinco rodadas do fim. Ou na Champions League, caso o Sevilla conquiste a Liga Europa novamente.

Grande momento da campanha

Ocampos, do Sevilla (Foto: PA Images / Icon Sport)

O Sevilla caiu da Champions League e, ainda com Sampaoli, despachou o PSV nos 16 avos de final e depois superou o Fenerbahçe, levando certa pressão em Istambul. As dificuldades começaram de verdade em Old Trafford, onde o Manchester United chegou a abrir 2 a 0. Do nada, porém, o rei da Liga Europa buscou o empate no fim com dois gols contra. E no Ramón Sánchez Pizjuán, mostrou por que manda na competição: com um clima quente, engoliu os Red Devils e venceu por 3 a 0, aproveitando falhas de Harry Maguire e De Gea.

Quem pode fazer a diferença?

Ivan Rakitic, do Sevilla (Fran Santiago/Getty Images/One Football)

Entre todos os elencos semifinalistas, poucos têm tanta experiência em competições europeias quanto Ivan Rakitic. O meia veterano de 35 anos retornou ao Ramón Sánchez Pizjuán após seis temporadas com o Barcelona, no qual conquistou um título da Champions League e disputou uma outra semifinal. Pelo próprio Sevilla, levou a Liga Europa em 2013/14. Não disputou a última Copa do Mundo, aposentado da seleção croata desde 2019. A temporada como um todo foi complicada, então não houve muitos destaques individuais, mas um jogador do calibre de Rakitic, que disputou 27 rodadas de La Liga, pode ser crucial para as chances dos espanhóis.

O professor que mira a taça

Mendilibar, do Sevilla (Foto: Pressinphoto / Icon Sport)

Embora esteja na pista há muito tempo, José Luis Mendilibar disse que é um “novato” nesta situação. Porque, embora tenha passado pelo Athletic Bilbao, a maior parte da carreira o ex-jogador basco de 62 anos como técnico foi em times menores. Ele se destacou no comando do Eibar, entre 2015 e 2021, com campanhas competentes na parte de cima da tabela, incluindo um nono lugar e as quartas de final da Copa do Rei. Foi convocado emergencialmente para o lugar de Sampaoli, com a missão de evitar o rebaixamento. Com cinco vitórias em sete rodadas, parece ter conseguido e agora buscará a consagração. “Tenho que agradecer que os que estão comigo não são novatos. Estou tranquilo porque meus jogadores são especialistas. Mas não fico louco. Estou tranquilo para o jogo”, disse, na entrevista coletiva pré-jogo.

Uma história nas copas “lado b” da Europa

O primeiro título do Sevilla na Liga Europa é bem documentado, com aquela goleada sobre o Middlesbrough na decisão. O segundo foi um pouco mais nervoso e envolveu alguns confrontos locais. Depois de eliminar o Steaua Bucareste, o Shakhtar Donetsk e o Tottenham, com Robbie Keane e Dimitar Berbatov no ataque, encarou o Osasuna, que tinha Roberto Soldado no comando de ataque, o autor do gol da vitória por 1 a 0 no jogo de ida. O Sevilla ganhou a volta por 2 a 0, com gols brasileiros de Luis Fabiano e Renato. Na decisão em Glasgow, outro espanhol. E muita emoção. Adriano e Albert Riera trocaram gols nos minutos iniciais. Moisés Hurtado foi expulso na etapa final, mas o Espanyol conseguiu forçar a prorrogação. Kanouté restaurou a vantagem do Sevilla, mas um chute desviado de Jônatas (aquele) levou a decisão aos pênaltis. O herói foi o goleiro Andrés Palop, com três defesas para assegurar o bicampeonato.

Roma

Por que ganhar a Liga Europa seria legal?

Basta olhar para o que aconteceu na temporada passada: o título da Conference League, batendo o Feyenoord na final, foi comemorado com uma festa maravilhosa nas ruas de Roma que talvez sejam o palco mais bonito para fazer uma festa no mundo inteiro – sério: os caras fizeram um desfile a céu aberto com o Coliseu de pano de fundo. A relação entre a torcida e este time, inspirada por um carismático José Mourinho, tem sido uma das histórias mais legais do futebol europeu, e não é que é muito comum a Roma conquistar troféus.

Grande momento da campanha

Paulo Dybala comemora o gol da Roma contra o Feyenoord (Icon sport)

As quartas de final foram emocionantes. Era o reencontro com o Feyenoord, adversário da decisão da Conference League, que ganhou o primeiro jogo em Roterdã por 1 a 0. A Roma conseguiu igualar o placar agregado aos 15 minutos do segundo tempo, com Spinazzola, mas Igor Paixão reconstruiu a vantagem dos holandeses. Mourinho havia preparado Dybala e Abraham para entrar nos minutos finais, e foi o argentino quem forçou a prorrogação, a um minuto do apito derradeiro. No tempo extra, El Shaarawy e Lorenzo Pellegrini garantiram a vitória por 4 a 1, em um Estádio Olímpico pulsante, e a vaga nas semifinais.

Quem pode fazer a diferença

Dybala é apresentado à torcida da Roma (reprodução)

A contratação de Paulo Dybala foi um grande pulo do gato da Roma. Conseguiu um dos melhores jogadores da Itália sem taxa de transferência, ao fim do seu contrato com a Juventus, e ele tem correspondido. Decidiu não apenas as quartas de final da Liga Europa, mas vários jogos de uma temporada de oscilações no Campeonato Italiano. O problema é o mesmo de sempre: o físico. Por exemplo, machucou o tornozelo contra a Atalanta cerca de duas semanas atrás e, embora tenha enfrentado a Internazionale no fim de semana e participado dos treinamentos, é incerto se começará jogando. Mas de qualquer maneira será crucial para as chances da Roma na eliminatória.

O professor que mira a taça

José Mourinho, da Roma (Foto: Alex Pantling/Getty Images/One Football)

Mourinho parece mais leve no comando da Roma. Talvez porque, ao contrário dos seus trabalhos anteriores, não sente tanta pressão de ser campeão. Em seu discurso, adota até um tom de contra tudo e contra todos, reclamando constantemente da arbitragem, da ausência de força nos bastidores e do elenco curto. Por curiosidade, mesmo com essas espetadas, está esbanjando carisma na linha lateral, com uma relação muito especial com as arquibancadas, que foi solidificada pelo título da Conference League. Enquanto tenta garantir vaga na Champions League no que tem sido uma briga de faca no escuro na Serie A, pode levantar mais uma taça europeia. Seria a sua terceira na competição, após a Copa da Uefa com o Porto, lá no comecinho, e uma Liga Europa com o Manchester United.

Uma história nas copas “lado b” da Europa

O futebol italiano dominava a Europa. E em especial a Copa da Uefa, com três campeões e duas finais seguidas naquele começo de anos noventa. A Roma havia sido vice-campeã europeia em 1984, com derrota para o Liverpool, e tinha em sua prateleira um título da Taça das Cidades com Feiras. A tentativa de acrescentar outra conquista continental teria que esperar mais algumas décadas. A Internazionale dos alemães Andreas Brehme, Lothar Matthäus e Jürgen Klinsmann venceu o jogo de ida no San Siro por 2 a 0, com gols de Matthäus e Nicola Berti. Na volta, a Roma, com Rudi Völler e Aldair, até conseguiu a vitória, mas apenas pelo placar mínimo.

Bayer Leverkusen

Por que ganhar a Liga Europa seria legal?

Seria uma raridade. O Leverkusen tem apenas dois títulos em sua história: uma Copa da Uefa nos anos oitenta e uma Copa da Alemanha na década seguinte. É uma torcida carente de grandes alegrias. O elenco é um dos mais interessantes da Europa, com apostas em muito jovens de potencial, como Adam Hlozek, Piero Hincapié, Jeremie Frimpong e Moussa Diaby, que está fazendo uma grande temporada. E conta com alguns veteranos que prestaram muitos serviços ao clube e poderiam se consagrar, como Lucas Hrádecky e Karim Bellarabi. O treinador é novo, promissor, fica elegante usando terno e todo mundo o conhece muito bem.

Grande momento da campanha

Leverkusen contra o Monaco (Chris Ricco/Getty Images/One Football)

O Leverkusen veio da Champions League e logo de cara pegou uma pedreira. E também entregou um grande espetáculo ao público, em dois jogos eletrizantes contra o Monaco, pelos 16 avos de final. Na BayArena, os visitantes abriram o placar rapidamente, com um gol contra de Hrádecky. Diaby e Florian Wirtz fizeram dois belos gols para virar o jogo, mas Krépin Diatta, com uma pintura própria, e Axel Disasi, de fora da área, arrancaram a vitória dos monegascos. No Principado, a história foi parecida. Wirtz abriu o placar, Ben Yedder empatou de pênalti, e o Leverkusen voltou à frente com Exequiel Palacios. Amine Adli ainda ampliou, mas Breel Embolo conseguiu forçar prorrogação e pênaltis. Os alemães foram impecáveis da marca do cal, mas Eliot Matazo errou para o Monaco, e o Leverkusen avançou.

Quem pode fazer a diferença?

Wirtz comemora o gol do Leverkusen (WOLFGANG RATTAY/POOL/AFP via Getty Images/One Football)

Florian Wirtz estava fazendo uma ótima temporada quando rompeu os ligamentos cruzados do joelho em março do ano passado. Se não tinha grande experiência pela seleção alemã, a lesão sepultou o sonho de disputar a Copa do Mundo e poderia ser um obstáculo significativo para o desenvolvimento de um jogador tão jovem. Mas o meia-atacante de 20 anos retornou como se nada tivesse acontecido. Em 14 rodadas da Bundesliga desde o começo do ano, deu seis assistências e fez um gol, além de abrilhantar a campanha na Liga Europa. Marcou três vezes, nos dois jogos contra o Monaco e nas quartas de final diante da Union Saint-Gilloise. Com muita chegada na área, habilidade e finalização, tem todos os atributos para decidir e, mais tarde, cumprir seu potencial.

O professor que mira a taça

Xabi Alonso, novo técnico do Bayer Leverkusen (Foto: OSCAR DEL POZO/AFP via Getty Images/One Football)

O Bayer Leverkusen arriscou quando contratou Xabi Alonso. Um começo muito ruim de temporada foi fim da linha para o técnico Gerardo Seoane. Alonso era um daqueles jogadores muito inteligentes e técnicos que todo mundo achava daria bom técnico, mas havia comandado apenas os juvenis do Real Madrid e os reservas da Real Sociedad – com certo sucesso. O começo é promissor. Alonso conseguiu dar a volta por cima, depois de alguns tropeços em seus primeiros compromissos. Desde novembro, perdeu apenas três vezes pela Bundesliga e chegou a esboçar entrar na briga por vaga na Champions League, antes de empatar com Wolfsburg e Union Berlim e perder do Colônia nas últimas semanas. De qualquer forma, está firme na zona de classificação às competições europeias e, claro, pode conquistar a Liga Europa.

Uma história nas copas “lado b” da Europa

O clube alemão ganhou o apelido jocoso (e negativo) de Neverkusen. Porque tem um histórico pequeno de conquistas e uma temporada em especial, em 2001/02, quando foi vice das três competições que disputou até o fim (Champions League, Campeonato Alemão e Copa da Alemanha). Mas ninguém consegue perder todas, e as Aspirinas também tiveram o seu momento de glória no passado. E foi justamente na então Copa da Uefa, em 1987/88, decidida em jogos de ida e volta. Depois do primeiro, parecia que seria mais uma decepção. No Sarriá, o Espanyol, que contava com Ernesto Valverde em seu elenco, fez 3 a 0. A volta ainda chegou ao intervalo empatada em 0 a 0, com os catalães colocando a mão na taça. Mas o Leverkusen, com o brasileiro Tita no meio-campo, conseguiu buscar o empate no placar agregado e, nos pênaltis, levantou a taça.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo