Liga Europa

Da goleada instantânea, o Chelsea flertou com o risco desnecessário, mas venceu e avançou às semifinais

O Chelsea anda sobre o fio da navalha nesta temporada. Os Blues continuam competindo por seus objetivos, mas longe de provocar o convencimento. Nesta quinta-feira, esperava-se uma classificação bem mais tranquila na Liga Europa. E, de fato, até pareceu que aconteceria assim. O time abriu três gols de diferença sobre o Slavia Praga em Stamford Bridge, com Pedro conduzindo a inspiração do setor ofensivo. No entanto, os cochilos do segundo tempo permitiram que os tchecos encostassem no placar e a torcida temesse pelo pior. Ao final, os riscos ficaram apenas na imaginação. A vitória por 4 a 3 confirmou a passagem dos londrinos às semifinais, somada à vantagem do 1 a 0 conquistado em Praga. Ainda assim, o time em construção de Maurizio Sarri outra vez indica suas carências.

A vantagem assegurada no jogo de ida oferecia um pouco de tranquilidade ao Chelsea. No entanto, a equipe não quis se acomodar e entrou em campo de maneira focada, para logo resolver a parada. Anotou três gols em apenas 17 minutos. O mais bonito foi o primeiro aos cinco, depois de uma envolvente troca de passes. Pedro deu um sutil toque por cima do goleiro para balançar as redes. Quatro minutos depois, em outra jogada lindamente construída, uma bola na trave de Pedro terminou com a infelicidade de Simon Deli, que mandou sem querer contra o próprio patrimônio. E a goleada tomava forma com o espanhol se tornando garçom, em presente para Olivier Giroud apenas escorar para dentro. Nada parecia capaz de amedrontar os Blues, desenhando uma goleada histórica.

A facilidade com que o Chelsea jogava não pareceu ameaçada nem mesmo quando o Slavia descontou, aos 25. Após cobrança de escanteio pela esquerda, Tomas Soucek teve toda a liberdade para completar o cruzamento de cabeça, longe do alcance de Kepa Arrizabalaga. Bastaram mais dois minutos para os londrinos anotarem o quarto. O goleiro Ondrej Kolar defendeu o chute de Giroud no primeiro momento, mas o rebote sobrou limpo para o iluminado Pedro emendar às redes vazias. Era um massacre da equipe de Maurizio Sarri, que se desligou a partir de então.

Apesar do domínio, o Chelsea não havia exercido exatamente um bombardeio contra a meta do Slavia Praga. Foi preciso quando criou. Da mesma forma, os tchecos responderam no início do segundo tempo. Petr Sevcik descontou aos cinco minutos, num chute venenoso da entrada da área. Mandou no canto de Kepa e o goleiro caiu atrasado. Três minutos depois, o próprio Sevcik permitiria aos alvirrubros encostarem no placar. Na mesma posição, soltou a perna e desta vez mandou um petardo na gaveta do arqueiro adversário. A gordura que os Blues haviam acumulado já tinha sido queimada e, apesar das dificuldades, encontrar mais dois gols não parecia tão complicado assim aos visitantes. Na meia hora final, o Slavia criou algumas outras oportunidades e Sevcik ficou próximo de sua tripleta, mas desperdiçou. Os londrinos, ao menos, escaparam dos perigos. Agarraram-se à vantagem do placar agregado e até fizeram cera, com Kepa punido por isso. Ficou a vitória de sabor agridoce, pelo temor desnecessário.

Olhando no papel, o Arsenal surge como principal rival do Chelsea nesta Liga Europa. Porém, os Blues precisam ter consciência da difícil missão que encararão nas semifinais. O Eintracht Frankfurt superou outros clubes tradicionais ao longo da competição e já mostrou o estrago que pode fazer contra adversários que mantêm a posse de bola, algo eternizado na final da última Copa da Alemanha. Sarri necessita de mais concentração de seus jogadores. Apesar da qualidade individual, as oscilações preocupam. Não fosse a fragilidade defensiva do Slavia Praga no primeiro tempo, o duelo desta quinta talvez apresentasse contornos bem mais dramáticos em Stamford Bridge. A lição deve ser assimilada.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo