Liga Europa

Banega honrou a 10 às costas e foi magistral na despedida que o eterniza ao Sevilla

A final da Liga Europa marcaria o último ato de Éver Banega com a camisa do Sevilla. O meio-campista entrou para a história do clube muito graças a outras conquistas no torneio continental, presente em dois dos três títulos em meados da década. Ainda assim, a decisão em Colônia era um palco grandioso para eternizar a qualidade do maestro, contra uma Internazionale onde não havia sido feliz. E o veterano, que já vinha gastando a bola nesta reta final de campanha, guardou seu melhor para a maior ocasião. Dominou a faixa central, ditou o ritmo da equipe e foi essencial à vitória emocionante por 3 a 2 sobre os nerazzurri. Sai aclamadíssimo pela torcida rojiblanca.

Banega tinha um nome na Espanha quando chegou ao Sevilla, após ter defendido Atlético de Madrid e principalmente Valencia. A contratação do argentino, de qualquer maneira, vinha renovada por meses em que voltou para casa e defendeu o seu Newell’s Old Boys. A mudança para a Andaluzia em 2014 seria respaldada por Unai Emery, com quem havia trabalhado no Mestalla. E, após a venda de Ivan Rakitic ao Barcelona, o meio-campista assumiu a função de organizador no meio-campo dos rojiblancos. Seria intocável na equipe que conquistou a Liga Europa em 2015 e 2016, inclusive eleito o melhor em campo na decisão contra o Dnipro.

Banega parecia pronto a um passo maior quando seu contrato com o Sevilla se encerrou e ele decidiu assinar com a Internazionale em 2016. Porém, o impacto não seria como o esperado e, um ano depois, os sevillistas estavam de braços abertos para recontratá-lo. O camisa 10 não é o jogador mais efetivo em todas as partidas ou aquele que resolve sozinho. Mesmo assim, qualidade não falta para orquestrar as ações e permitir que outros companheiros decidam. Brilharia assim ao longo das últimas três temporadas, e ainda mais nesta Liga Europa que termina de consagrá-lo.

Acertado com o Al Shabab, da Arábia Saudita, Banega sabia o peso que esta competição teria à sua relação com o Sevilla. Fez o máximo para contribuir ao time e, por fim, acabou virando protagonista nas últimas semanas. As vitórias sobre Roma e Wolverhampton tiveram o seu carimbo, com assistências em ambos os jogos. Diante do Manchester United, se não fez a diferença a este ponto, gastou a bola pela maneira como doutrinou o meio-campo e distribuiu passes açucarados aos companheiros, tornando tudo mais fácil. E o grand finale acabaria guardado a esta sexta-feira de êxtase aos andaluzes.

Banega cobra escanteio contra a Roma (SVEN SIMON/Waelischmiller via Imago/One Football)

Banega deu uma aula do que se espera de um camisa 10. Nenhum outro jogador efetuou mais passes do que ele em Colônia. De área a área, qualquer ação dependia de sua visão de jogo. E a precisão do argentino para distribuir a bola é acima do comum. Não fazia o protocolar, mas assumia os riscos. O Banega magistral, enfim, seria também o Banega decisivo. O gol da virada do Sevilla saiu em uma cobrança de falta perfeita para Luuk de Jong, assim como outra bola emendada pelo argentino à área resultaria na bicicleta de Diego Carlos. Ninguém tiraria a taça de suas mãos.

Aos 32 anos, Banega permitiu que o Sevilla ganhasse o jogo na bola e na mente. Afinal, o veterano também tiraria Antonio Conte do sério, ao sugerir que o técnico interista “usa peruca”. E a anedota serve de mais um exemplo à forma como o argentino mandou e desmandou em campo. A braçadeira não é sua porque, na hierarquia rojiblanca, Jesús Navas é outro gigante e apareceu ainda antes para faturar a Liga Europa na década anterior. Mas a liderança do camisa 10 é complementar – e não só no aspecto técnico, para se despedir da torcida como um grande personagem na história do clube.

“Quando decidi sair, lancei um comunicado dizendo que era o momento de seguir em frente e que queria fazer tocando um troféu. Por sorte, aconteceu. Estou contentíssimo, não tenho palavras para descrever o que sinto neste momento e o que vivi nesses anos com o Sevilla. Foram 90 minutos muito duros, eles abriram o placar rápido, mas sabíamos que precisávamos estar tranquilos. Temos uma boa equipe e demonstramos. Quando o árbitro apitou, pensava que era o último momento para desfrutar. Chorei muito nesta tarde com minha esposa, por nostalgia e tristeza. Mas vou deixando tudo em campo. Queria agradecer ao clube e à torcida. Encontrei um amor íntimo com os torcedores desde o primeiro momento e quero agradecer pelo apoio nos momentos ruins. Graças a eles também conseguimos isso”, declarou o camisa 10.

Banega tinha bola para seguir mais um tempo na Espanha, como esta Liga Europa enfatizou. Pela idade, preferiu sair e fazer um dinheiro a mais no Oriente Médio. Se cumprir seu contrato com os sauditas, é difícil imaginar que volte a atuar em alto nível em uma grande liga europeia, quando a tendência será mesmo retornar ao Newell’s ou ao Boca Juniors para encerrar sua carreira. Mas, ainda mais depois dessa final, sabe que sempre terá alguém de braços abertos no Ramón Sánchez-Pizjuán quando reaparecer em Sevilha. Contra o melhor adversário dos seis que os sevillistas pegaram neste hexa da Liga Europa, o argentino foi cabal para encaminhar a vitória.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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