Liga Europa

A garotada do Arsenal estava inspiradíssima e, em dez minutos, triturou o Slavia em Praga

Smith Rowe e Saka foram os nomes da noite, em classificação à semifinal mais tranquila que o esperado

O Arsenal viveu os dez minutos mais fantásticos de sua temporada – e, talvez, a vitória mais contundente desde que Mikel Arteta chegou ao comando. O Slavia Praga era um rival duro, responsável por eliminar Leicester e Rangers da Liga Europa, além de arrancar o empate por 1 a 1 nos minutos finais da ida dentro do Estádio Emirates. Mais do que isso, os bicampeões tchecos não perdiam um compromisso no Estádio Sinobo desde novembro de 2019. Os Gunners, porém, não se intimidaram e se classificaram às semifinais da Liga Europa com muita autoridade. Incendiados pelos imparáveis Saka e Smith Rowe, os londrinos ganharam por 4 a 0, com três gols instantâneos logo no primeiro tempo em Praga. Lacazette foi outro a brilhar.

O Arsenal não contava com Pierre-Emerick Aubameyang, que contraiu malária, e o lesionado Martin Odegaard. Assim, Alexandre Lacazette e Nicolas Pépé tinham a companhia dos garotos Emile Smith Rowe e Bukayo Saka no setor ofensivo. Sem Kieran Tierney, Granit Xhaka era improvisado na lateral. Já o Slavia Praga não pôde escalar Ondrej Kudela, suspenso por dez jogos após o caso de racismo no jogo contra o Rangers. O goleiro Ondrej Kolar também era dúvida, ao se lesionar no aquecimento, mas foi para o sacrifício.

Durante os primeiros minutos, o Slavia teve mais a bola no campo de ataque, mas sem criar grandes chances. E o inacreditável não demorou a acontecer. Afinal, o Arsenal era perfeito em seus avanços, combinando velocidade e efetividade. Foram dez minutos de sonho, a partir dos 14, mesmo que o primeiro gol da equipe tenha sido anulado. Saka recebeu na direita e bateu cruzado. Kolar deu um leve desvio na bola, que tocou na trave e sobrou para Smith Rowe guardar no rebote. O meia estava centímetros impedido, o que cancelou o lance após revisão do VAR. Mas o mais importante é que a frustração pela marcação não abateu os Gunners.

O chocolate do Arsenal começou mesmo logo após a retomada da partida, com o primeiro gol aos 18. Depois de uma boa troca de passes, Smith Rowe insistiu dentro da área e abriu com Pépé na esquerda. O ponta deixou Kolar no chão e chutou às redes vazias. O segundo foi praticamente instantâneo, aos 21. Em nova combinação entre Smith Rowe e Saka, os Gunners ganharam um pênalti, convertido por Lacazette. Já aos 24, saiu o terceiro. Desta vez Calum Chambers acionou Saka na direita e o ponta limpou a marcação, antes de chutar no contrapé do goleiro. Um jogo teoricamente difícil se abria com o show dos londrinos.

O quarto ainda quase veio na sequência, mas a defesa salvou. O Slavia se mostrava vulnerável, algo que já tinha acontecido no Estádio Emirates, sem resultar em tantos problemas pela falta de pontaria do Arsenal na ida. Em Praga, os Gunners foram cirúrgicos. O time da casa passava a precisa de quatro gols neste momento. Fazia pouquíssimo, com o primeiro perigo só aos 37, com Alexander Bah mandando para fora. Sem precisar acelerar tanto, os ingleses passaram a controlar mais o ritmo, protegendo a vantagem.

O Slavia Praga voltou ao segundo tempo com quatro substituições, o que não resultou necessariamente em uma mudança de postura. Embora contassem com mais peças ofensivas, os tchecos pareciam entregar os pontos e, no máximo, levavam perigo nas bolas paradas. O Arsenal se defendia sem sobressaltos e ainda dava suas escapadas. Lacazette pediu um pênalti negado pela arbitragem, antes de Smith Rowe pegar mal uma tentativa na área, dando lugar a Mohamed Elneny logo depois.

Dependendo de espasmos, o Slavia mal ensaiava o gol de honra. Enquanto isso, se quisesse apertar o Arsenal poderia fazer mais, considerando os espaços nos contra-ataques. Aos 32, veio o quarto. Pépé preparou a jogada na esquerda e passou a Lacazette na área. O atacante escapou da marcação de dois com uma só finta e mandou no canto de Kolar. Logo depois, Arteta queimou três substituições, tirando inclusive Laca e Saka – e botando Gabriel Martinelli. O brasileiro queria o quinto e fez ótima jogada individual, mas o tiro passou ao lado da trave. Estava de bom tamanho e o placar não mudaria mais.

O Slavia Praga se despede da Liga Europa com uma grande campanha, mantendo seu ótimo nível nas competições continentais durante as últimas temporadas. Mesmo assim, o time ficou bastante aquém do esperado num confronto com o Arsenal que parecia superável. Méritos também dos Gunners, que tiveram duas boas atuações, mesmo com os pesares na ida. A Liga Europa é a esperança da temporada, como um atalho à Champions e a chance de um título continental que não vem há 27 anos. A semifinal, aliás, trará boas lembranças com o reencontro diante do Villarreal: o Submarino Amarelo foi o adversário no caminho à decisão da Champions de 2006, agora treinado por Unai Emery.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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