20 motivos para acompanhar de perto a Liga Europa 2018/19
Para quem gosta de futebol, não necessariamente o dos maiores craques, a Liga Europa é uma grande diversão. Pode não contar com a badalação da Champions, mas possui uma abrangência e uma diversidade bem mais interessantes. A “segunda divisão europeia” integra muito mais os clubes de diferentes países. Prima pelas boas histórias, de equipes que não costumam figurar tantas vezes na elite. De Portugal ao Cazaquistão, passando até por Luxemburgo, a pluralidade se destaca. Enquanto isso, se tornou o melhor caminho para camisas pesadíssimas que já não contam com grande poder aquisitivo.
Em uma época na qual a Champions se indica cada vez mais fechada ao mesmo grupinho de clubes e países, a Liga Europa mais parece um banquete. Sim, há pontos a se discutir na competição, como a falta de um apelo maior na fase de grupos ou o domínio que os times que caem cedo na Liga dos Campeões muitas vezes apresentam nos mata-matas. De qualquer forma, para quem curte equipes diferentes e uma dose maior de imprevisibilidade, a alternativa é muitíssimo válida. Não à toa, muitas quinta-feiras são mais animadas que as terças ou as quartas.
No nosso tradicional guia do torneio, damos os detalhes de dentro e de fora dos campos para que você acompanhar de perto a Liga Europa. Confira os destaques:
– Dudelange e a estreia de Luxemburgo
Não é nenhum grande que irá atrair as atenções nesta Liga Europa, e sim o pequeno Dudelange. O clube colocou Luxemburgo no mapa das competições continentais pela primeira vez, repercutindo o bom momento do futebol no país – algo que se nota também pela seleção. Terá um grupo com adversários cascudos, embora já tenha deixado Cluj e Legia Varsóvia pelo caminho. Presente nos torneios europeus desde 1993/94, o maior campeão luxemburguês deste século havia caído 21 vezes em preliminares, superando a barreira desta vez. O nome mais tarimbado do elenco é o goleiro Jonathan Joubert, de 39 anos. O capitão está no clube desde 2004 e defendeu a seleção por 11 anos, fundamental para arrancar o empate contra a França nas Eliminatórias da Copa de 2018. Vale prestar atenção ainda em Danel Sinani, garoto que desponta na equipe nacional e arrebentou na última Data Fifa.
– Spartak Trnava revive, quatro décadas depois
Se o Dudelange atrai as atenções por ser o novato da vez, o Spartak Trnava é o gigante renascido das cinzas. O clube eslovaco teve grande representatividade na virada dos anos 1960 para os 1970, quando dominava o Campeonato Tchecoslovaco e fornecia vários jogadores à seleção local. Bancados pela indústria de metal, os rubro-negros perderiam as costas quentes e precisariam enfrentar um longo processo de reconstrução após a queda do Muro de Berlim. Na temporada passada, voltaram a ser campeões nacionais após 45 anos. O técnico atual é Radoslav Látal, antigo destaque da seleção tcheca. Já em campo, menção a Marek Bakos, ex-artilheiro do Viktoria Plzen. Repescados da Champions, chegaram a eliminar o Legia Varsóvia na caminhada. O grande feito continental no passado aconteceu em 1968/69, quando foram eliminados apenas nas semifinais da Champions, diante do Ajax de Rinus Michels e Johan Cruyff.
– Paulo Autuori e Ricardo Gomes
A Liga Europa terá dois treinadores brasileiros nesta edição. Paulo Autuori assumiu o comando do Ludogorets. Não conseguiu conquistar a vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões, eliminado nas preliminares pelo MOL Vidi, mas chegou ao torneio secundário. Está em um clube que participa costumeiramente das copas continentais, mas não começou tão bem a temporada, fora da liderança do Campeonato Búlgaro. Conta com uma legião brasileira a seu serviço. Ricardo Gomes, por sua vez, retornou ao Bordeaux para apagar incêndios, após a tumultuada saída de Gus Poyet ao brigar com a diretoria. Possui uma relação arraigada no clube, embora o momento não seja dos mais favoráveis. O objetivo deve ser mesmo o Campeonato Francês.

– Os garotos brasileiros
Se a Champions viu vários jogadores brasileiros estreando, como David Neres e Arthur, o mesmo deverá acontecer na Liga Europa. Alguns jovens jogadores merecem atenção na competição continental. Paulinho é o principal nome, vestindo a camisa do Bayer Leverkusen. O ex-vascaíno participou de alguns jogos da Bundesliga a partir do segundo tempo. Também na Alemanha, há o atacante Matheus Cunha, levado pelo RB Leipzig após se destacar no Sion. Anotou três gols nas preliminares. O Sporting contratou o bom ponta Raphinha, que já havia atuado no torneio continental com o Vitória de Guimarães, e tem o volante Wendel, que deve ganhar mais minutos. No Sevilla, Guilherme Arana foi nome constante no qualificatório, com direito a gol e assistência. Já o PAOK conta com o atacante Léo Jabá, que estava no Akhmat Grozny.
– O clássico da Red Bull
Um dos maiores imbróglios da Liga Europa acontecerá no Grupo B, onde Red Bull Salzburg e RB Leipzig se enfrentam. A presença de ambos os clubes nas competições europeias já causou grande discussão na temporada passada, diante da impossibilidade de duas agremiações com mesmo dono participarem do mesmo certame. Contudo, enquanto o Leipzig continua com a empresa de energéticos por trás, o Salzburg justifica que a Red Bull atua como mera patrocinadora. A Uefa aceitou, embora exista um claro trânsito de atletas de um clube para outro. Será interessante observar também a reação dos torcedores do Celtic, costumeiramente críticos em seu posicionamento nas arquibancadas.
– O renascimento do Rangers
Por falar em Celtic, Glasgow terá uma disputa particular nesta temporada da Liga Europa. Os alviverdes verão quem chegará mais longe, diante do retorno do Rangers à competição continental. A eliminação para o Progrès Niederkorn nas preliminares da edição passada deixou uma péssima impressão e, dessa vez, o time treinado por Steven Gerrard passou com tranquilidade pelo qualificatório. O início de temporada é favorável aos Teddy Bears, apesar da chave difícil em que estarão. A última aparição na fase de grupos havia acontecido em 2010/11. Vale lembrar que os escoceses foram vice-campeões em 2008, superados pelo Zenit na decisão.
– Sarpsborg e a nova zebra escandinava
O Östersunds rendeu uma das melhores histórias da última Liga Europa. O clube nanico da Suécia viveu uma ascensão marcante a partir da quarta divisão e fez bonito em sua estreia continental, ao peitar gigantes e conseguir a classificação aos mata-matas, exibindo um futebol arrojado e bons talentos. O enredo ao redor ao lado do Sarpsborg não é tão fascinante, mas os novatos também chegaram à fase de grupos na primeira participação continental. Eliminaram Vestmannaeyjar, St. Gallen, Rijeka e Maccabi Tel-Aviv para o feito. Refundado em 2008, o clube se estabeleceu na elite do Campeonato Norueguês ao longo dos últimos anos. Foi terceiro colocado da liga em 2017, além de vice-campeão da copa nacional.
– A volta do Sevilla, agora com o Betis
O Sevilla tem todas as razões para ser considerado a grande força da Liga Europa. São cinco títulos desde a década passada, incluindo um tricampeonato até o clube alçar voos maiores na Champions. Unai Emery não está mais na casamata e são poucos os remanescentes daquele período, em uma reformulação sensível no Ramón Sánchez-Pizjuán. Ainda assim, não dá para descartar o favoritismo de quem conhece a competição tão bem. E que terá companhia na cidade. O Betis também figura no torneio e, em sua última participação, sucumbiu justamente aos rivais no mata-mata durante o tri. Há uma esperança sobre o que a equipe de Quique Setién pode fazer, até pelos reforços trazidos também pensando no torneio. A fase de grupos será um ótimo teste, diante do grupo difícil aos verdiblancos.

– A realidade modesta de Chelsea e Arsenal
Os ingleses passaram a tratar a Liga Europa um pouco mais sério nas últimas temporadas. Afinal, às vezes parece mais fácil para um poderoso do país conquistar o torneio de mata-matas que assegurar a vaga na Liga dos Campeões através da Premier League. O Chelsea é o favoritaço da vez. Nadando de braçada na liga nacional, o desafio de Maurizio Sarri estará na gestão do elenco, para que o cansaço continental não traga prejuízos aos finais de semana. Sobra qualidade em Stamford Bridge. Já o Arsenal vê a competição como um objetivo plausível, em tempos de reformulação – até porque é o sonho além das fronteiras que resta no momento. A chance dos jogadores badalados no Emirates também justificarem seu renome. A campanha na temporada passada foi razoável, mas não suportou o Atlético de Madrid.
– Milan e o lampejo
O caso do Milan possui sua similaridade com o Arsenal, embora a representatividade continental dos rossoneri seja incomparável. O problema é que a Champions se torna uma realidade fora de alcance aos milanistas neste momento e fazer um bom papel na Liga Europa pode ajudá-los a recuperar terreno. O time de Gennaro Gattuso tem outras preocupações, sobretudo na Serie A, mas chegar longe na competição da Uefa seria ótimo. Uma oportunidade também de reiterar a credibilidade das finanças, depois de todos os problemas enfrentados na pré-temporada. Quase excluído do certame, o Milan precisa fazer valer o retorno. A Itália ainda é representada pela Lazio, acostumada a aparecer na Liga Europa, mas que nesse início de temporada não consegue embalar.
– A força soviética
É comum os clubes do leste europeu terem uma presença mais forte na Liga Europa. E os membros dos antigos países soviéticos batem cartão na competição secundária. Nesta temporada, são oito representantes da região. O favoritismo fica com o Zenit, campeão há dez anos e que costuma fazer boas campanhas. O Spartak também pode ir longe, enquanto a Rússia ainda conta com o Krasnodar. Da Ucrânia, Dynamo Kiev e Vorskal Poltava engrossam o pelotão, enquanto o Bate Borisov permanece na sua sequência de alternar a LE com a Champions. Por fim, há a regularidade de azeris e cazaques. Estrearam na fase de grupos nesta década, mas têm colocado times com frequência na etapa principal. Desta vez, Qarabag e Astana são os representantes.
– Istambul, capital da bola
A Turquia é um dos países que vivem o futebol de maneira mais intensa na Europa. E a Liga Europa acaba sendo a grande oportunidade para os clubes do país sonharem. Nesta temporada, dois grandes de Istambul estarão no certame. O Besiktas tem jogado muito bem as competições continentais, com direito a uma campanha longa duas temporadas atrás e o sucesso na última Champions. Da mesma maneira, o Fenerbahçe é um clube que costuma se candidatar aos mata-matas e a manter certo nível de competitividade. São sempre um desafio, especialmente pelo espetáculo que se vivencia nas arquibancadas. O ascendente Akhisarspor completa o trio turco.

– Chipre, sempre presente
O Chipre não possui uma seleção muito competitiva, mas a liga nacional repleta de estrangeiros acumula resultados razoáveis na Europa. Além de algumas aventuras na Liga dos Campeões, os times do país figuram consecutivamente na fase de grupos da Liga Europa desde 2011/12. Desta vez são dois representantes – e isso porque o Apoel Nicósia caiu na última fase classificatória. Treinado por Andoni Iraola, recém-aposentado após anos de serviços prestados ao Athletic Bilbao, o AEK Larnaca possui uma base espanhola. Já o Apollon Limassol varia mais a nacionalidade de seus jogadores, com destaque aos argentinos, além dos muitos africanos. São coadjuvantes, mas já ajudam o ranking.
– França, Alemanha e o olho no ranking
Alemanha e França começam a ficar em uma zona limítrofe do Ranking da Uefa. Enquanto a Bundesliga possui quatro vagas diretas na fase de grupos da Liga dos Campeões, a França tenta se aproximar e diminuir essa diferença. Algo que acaba tendo reflexos na Liga Europa. Os alemães não andam fazendo grandes campanhas no torneio secundário. Desta vez, as esperanças se concentram em RB Leipzig e Bayer Leverkusen, duas equipes jovens e com potencial, mas que oscilam demais. O Eintracht Frankfurt retorna ao cenário europeu e ainda precisa resolver sua transição após a saída de Niko Kovac, antes de pensar em algo a mais. Já os franceses confiam no Olympique de Marseille, após o sucesso da última temporada. Continua com uma base forte e com as chances de título mais reais na LE do que no Francesão. Bordeaux e Rennes correm por fora.
– A baixa representatividade de Portugal e Holanda
Não é uma temporada tão pródiga ao futebol de Portugal. Desta vez, apenas os três grandes participam das competições europeias. O Sporting sente os imbróglios internos e possui qualidade para buscar algo a mais na Liga Europa desta vez, mesmo com mudanças drásticas. Todavia, Braga e Rio Ave morreram cedo. Pior para a Holanda. No último ano, só o Vitesse salvava a pátria na Liga Europa, depois das quedas precoces de PSV e Ajax, mas foi o lanterna de sua chave. Desta vez, não há ninguém. Vitesse, AZ e Feyenoord sucumbiram nas preliminares, com a hecatombe maior cabendo ao time de Roterdã, que foi goleado pelo Trencin na visita à Eslováquia e não reverteu o prejuízo.
– Ao menos a chance de ver na TV brasileira
Enquanto a Liga dos Campeões acaba relegada ao Facebook e a apenas dois canais na TV fechada durante esta temporada, a Liga Europa permanece na programação de esportes, mas distante da abundância que ocorreu em outros anos recentes. A ESPN abriu mão de renovar a compra da competição e os direitos permaneceram sem dono até esta semana, quando a Fox Sports resolveu abraçar novamente o pacote. Uma chance de encher as tardes de quinta com partidas alternativas em dois horários. Porém, em apenas dois canais, não mais cinco.
– A Champions como partida e como destino
O impacto da Liga dos Campeões sobre a Liga Europa é enorme. Os oito times repescados da fase de grupos aos mata-matas quase sempre registram boas campanhas. Na temporada passada, por exemplo, o Atlético de Madrid fez o caminho para recuperar a taça. E não será surpreendente se, desta vez, a regra se mantiver. Considerando alguns grupos cascudos na Champions e gigantes que não passarão no gargalo do torneio principal, alguns favoritos devem surgir a partir do segundo semestre. Vale ressaltar ainda a maneira como a vaga na Champions ao campeão da Liga Europa também influencia as ambições, sobretudo em ligas mais parelhas, como a Premier League ou a Serie A.

– O resgate das tradições
Domínio dos espanhóis à parte, a Liga Europa costuma ser bem mais imprevisível do que a Liga dos Campeões. São vários os times que chegam às fases finais depois de anos no ostracismo europeu. E as decisões têm guardado o resgate de gigantes. Aconteceu com o Olympique de Marseille na temporada passada e mesmo com o Ajax na anterior. Acaba sendo a oportunidade, quando o poderio financeiro limita tanto a principal competição do continente.
– O show costumeiro nas arquibancadas
Uma dos maiores atrativos da Liga Europa não acontece em campo, e sim nas arquibancadas. Afinal, se o torneio oferece espaço para países alternativos figurarem nas competições da Uefa, as torcidas são as maiores beneficiadas. Destaque ao jeito de torcer particular e, especialmente, as belíssimas recepções que acontecem – entre bandeirões, mosaicos ou outras coreografias. Além disso, países da Europa Central ou do Leste Europeu podem exibir sua paixão arraigada, em festas mais vibrantes do que as que ocorrem nos países ocidentais. Prende os olhos.
– Baku entra no mapa de vez
A Liga Europa se mantém como porta de entrada do Azerbaijão no futebol europeu. A antiga república soviética classificou diversos representantes nas últimas edições do torneio, além de ter investido em patrocínios de equipes de outros países. O futebol local fortalece a sua representatividade na Uefa e, além de participar da Euro 2020, agora sediará a decisão da Liga Europa em 2019. O Estádio Olímpico de Baku, inaugurado em 2015, foi o escolhido para estabelecer o marco. Será a decisão europeia realizada mais a leste na história dos torneios da Uefa. Mas vale lembrar também os entraves com a decisão. Governado desde 2003 por Ilham Aliyev, que assumiu o cargo de seu pai, o Azerbaijão sofre acusações de corrupção, repressão, falta de transparência e ataques aos direitos humanos. A força do país se dá pela economia local, baseada nas abundantes fontes de petróleo e gás natural. É o que explica o investimento, com o futebol usado como instrumento de aproximação.
Os 12 grupos
Grupo A: Bayer Leverkusen, Ludogorets, Zürich, AEK Larnaca
Grupo B: Red Bull Salzburg, Celtic, RB Leipzig, Rosenborg
Grupo C: Zenit, Copenhague, Bordeaux, Slavia Praga
Grupo D: Anderlecht, Fenerbahçe, Dinamo Zagreb, Spartak Trnava
Grupo E: Arsenal, Sporting, Qarabag, Vorskla Poltava
Grupo F: Olympiacos, Milan, Betis, Dudelange
Grupo G: Villarreal, Rapid Viena, Spartak Moscou, Rangers
Grupo H: Lazio, Olympique de Marseille, Eintracht Frankfurt, Apollon
Grupo I: Besiktas, Genk, Malmö, Sarpsborg
Grupo J: Sevilla, Krasnodar, Standard Liège, Akhisar
Grupo K: Dynamo Kiev, Astana, Rennes, Jablonec
Grupo L: Chelsea, PAOK, Bate, MOL Vidi



