Futebol europeu

Como caso de Julián Alvarez no mercado fez Fifa mudar regras sobre contratos?

Jogador viveu longa novela durante a janela de transferências, após interesse de gigantes europeus não se concretizarem

A maior novela da janela de transferências de verão, que envolveu a tentativa de compra do Barcelona por Julián Alvarez, do Atlético de Madrid, fez com que a Fifa também modificasse as regras sobre rescisões de contratos entre clubes e jogadores.

Segundo o jornal “Sport”, a partir do dia 1º de janeiro de 2027, a Federação Internacional alterará o artigo 17 do seu regulamento, que mede as cláusulas de rupturas contratuais.

Essa mudança ocorre após o fracasso de várias negociações devido aos valores elevados das cláusulas ou à recusa de algumas equipes em negociar a saída de um jogador que manifestou o desejo de não permanecer no clube, situação que ocorreu entre Julián Alvarez e Atlético de Madrid — e mais recentemente entre Richarlison e o Tottenham.

Julián Alvarez em ação pelo Atlético de Madrid
Julián Alvarez em ação pelo Atlético de Madrid (Foto: Newscom World / IMAGO)

Na Espanha, a novela entre os clubes resultou em declarações públicas por parte de dirigentes e do próprio jogador. Por isso, o principal objetivo da nova norma é tentar conter as disputas entre clubes e atletas em casos de rescisão de contrato. Segundo o “Sport”, representantes dos jogadores apoiaram a mudança implementada pela Fifa.

Com a norma em vigor, as competições deverão adaptar seus contratos a um modelo no qual o valor estipulado para romper unilateralmente o vínculo tenha uma proporção razoável às circunstâncias da operação. A intenção é evitar que qualquer uma das partes utilize um valor desproporcional como ferramenta para bloquear a saída de um jogador do clube.

Até então, a indenização devida era avaliada caso a caso, sem uma metodologia definida ou critérios claros sobre o valor exato, o que poderia levar a resultados díspares.

Julián Alvarez no banco de reservas do Atlético de Madrid
Julián Alvarez no banco de reservas do Atlético de Madrid (Foto: Federico Titone / ZUMA Press Wire / IMAGO)

Com a decisão de alterar o artigo, a Fifa pretende deixar o documento mais transparente, objetivo e previsível, fazendo com que jogadores e equipes possam entrar em um acordo contratualmente sobre a indenização, garantindo uma reparação integral.

No entanto, a nova norma contempla duas situações: contratos que incluem cláusula específica e aqueles que não a incluem. Nos casos em que a cláusula existe, a indenização corresponderá ao valor acordado, salvo se ele for considerado excessivo e injusto.

A situação é mais complexa nos contratos sem essa cláusula, já que o valor é calculado com base nos seguintes critérios: valor residual do contrato, remuneração pendente, valor dos serviços do jogador, perda de uma eventual transferência, custos de reposição e outros danos comprovados.

Como o jornal espanhol apontou, em ambos os casos, o jogador e o clube têm direito a uma compensação equivalente ao valor residual do contrato descumprido.

Julián Alvarez saiu como o maior ‘perdedor’ da janela europeia

As ações ganham ainda mais peso após o fim da janela de transferências europeia, que saiu com um gosto amargo para Julián Alvarez. O argentino que havia deixado claro o desejo de ser transferido, virou alvo de Barcelona e Arsenal, mas acabou permanecendo no clube colchonero.

Na atual temporada, o clube tem uma dura missão pela frente: recuperar um atleta que não está contente na equipe e reconquistar uma torcida irritada após os últimos acontecimentos. O jogador, inclusive, chegou a ser amplamente vaiado no empate em casa por 2 a 2 com o Villarreal, pela segunda rodada de LaLiga. 

Durante a Copa do Mundo de 2026, que terminou com a Argentina como vice-campeã, Julián Alvarez disse publicamente que gostaria de ser negociado. Embora não tenha deixado claro que desejava atuar no Barcelona, o jogador teria demonstrado interesse em defender os Culés.

O clube catalão tentou a transferência de diferentes maneiras, mas recebeu apenas negativas da equipe colchonera. Com o empate, o Arsenal apareceu como uma opção para La Araña, mas o jogador se recusou a voltar à Inglaterra e acabou permanecendo no Metropolitano.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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