Jogadores pedem, de forma unânime, que gramados artificiais sejam banidos na Escócia
Os jogadores da Escócia, através da Associação de Jogadores Profissionais (PFA – Professional Footballers Association), pediram que sejam tomadas ações sobre os gramados artificiais no futebol escocês. A PFA fez uma pesquisa com os jogadores do Campeonato Escocês e 100% foi contrário ao uso de gramados artificiais. Três clubes usam gramados assim: Hamilton, Kilmarnock e Livingston. A Escócia é um país de clima mais frio e, por isso, a manutenção dos gramados é um pouco mais trabalhosa, razão que alguns clubes usam para manter seu gramado.
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Liam Craig, presidente da PFA, meio-campista do St. Johnstone, disse que tirar esses gramados artificiais irá ter um impacto positivo no futebol da Escócia. Segundo ele, esse tipo de gramado influi negativamente no movimento dos jogadores, desempenho e recuperação. Potencialmente, até ameaçam a suas carreiras, pelas lesões que podem causar.
Por isso, a Associação irá entregar um pedido com a assinatura dos jogadores à Scottish Professional Football League (SPFL, que gere o Campeonato Escocês). O pedido é que seja tomada uma ação contra gramados artificiais e que haja uma padronização dos gramados no futebol profissional.
Segundo a PFA, nenhum jogador de Hamilton, Kilmarnock e Livingston foi convidado a responder sobre a questão do gramado por considerarem que seria injusto com os próprios jogadores, que ficaram em uma posição comprometedora. Ainda assim, Craig diz acreditar que todos os jogadores e técnicos iriam gostar da proibição por causa da inconsistência de gramados artificiais no nível mais alto”.
“A bola rola e pinga de forma diferente, o que afeta a decisão dos jogadores. Movimentos como de corrida, giro e desarmes no campo também têm um impacto negativo no corpo, o que inevitavelmente afeta o desempenho do jogador. Os jogadores frequentemente dizem que leva mais tempo para se recuperar depois de jogar em gramado artificial. Isso pode não apenas afetar o desempenho futuro, mas também a seleção da equipe”, continuou Liam Craig.
“Se um jogador leva mais tempo para se recuperar, um técnico pode não selecioná-lo para jogos nesses gramados ou um jogo depois de jogar nele”, disse Craig. “Uma decisão baseada nisso faz um jogador sofrer financeiramente, o jogador pode perder não apenas bônus por jogos, mas também ficar fora do time por um período mais longo puramente porque um jogo é em gramado artificial”, continuou o presidente da PFA.
A PFA também pede que seja criado um ranking e sejam feitas avaliações sobre a qualidade dos gramados. “os jogadores da Championship, League One e League Two querem que a SPFL introduza uma política abrangente para garantir que todos os gramados, artificiais ou de grama, sejam mantidos nos mais altos padrões possíveis”, diz a associação.
“É muito importante que nós ouçamos a visão dos jogadores. Também é importante notar que cada um dos gramados artificiais usados na SPFL é inspecionada de forma independente certificada por especialistas certificados pela Fifa para garantir que atenta ao mais restrito padrão de qualidade e desempenho, no mais alto nível estabelecido pela Fifa”, diz comunicado da SPFL.
“Em última análise, este é um assunto para os clubes SPFL, mas não tivemos nenhuma abordagem de qualquer clube para mudar as regras ou arranjos atuais. Estamos ansiosos para continuar o diálogo com a PFA Scotland sobre esta importante questão”, diz ainda a nota da liga.
O Brasil viveu essa polêmica quando os clubes tentaram proibir o uso de gramado artificial. Na Serie A brasileira, apenas o Atlético Paranaense usa gramado artificial. A ideia, inicialmente acolhida pelos clubes, depois foi revista e o Atlético Paranaense pôde continuar usando o seu gramado artificial. Os gramados sintéticos ainda causam bastante polêmica.



